Remédio para Colesterol – Opções Naturais e Medicamentos

Nada menos que 18 milhões de brasileiros – ou 12,5% da população adulta – apresentam colesterol alto. Apesar de modificações na dieta e a inclusão de exercícios físicos serem fundamentais para o controle da doença, muitas pessoas têm dificuldade para baixar o colesterol sem medicamentos.

Se esta é a sua situação, aproveite para conferir algumas dicas de remédio para colesterol e opções naturais para reduzir o risco de complicações cardíacas.

O que é colesterol

Os cientistas definem o colesterol como sendo uma substância mole e com aspecto de cera, semelhante à gordura. Encontrado em todas as células do corpo, o colesterol pode ser produzido pelo fígado ou obtido através do consumo de produtos de origem animal, como carnes e laticínios.

Nosso fígado produz de 1 a 2 gramas de colesterol diariamente, mas este número pode variar significativamente de acordo com o colesterol que ingerimos através da alimentação, ou mesmo por fatores genéticos (pessoas que sofrem com hipercolesterolemia familiar produzem uma quantidade elevada de colesterol).

Como o colesterol é uma substância oleosa, ele não se mistura ao sangue, e por esse motivo necessita de um “envelope” protetor proteico para ser transportado para as células. A essa “capa protetora” dá-se o nome de lipoproteína (palavra derivada do grego lipo, que significa gordura).

Existem dois tipos de lipoproteínas que transportam colesterol pela nossa circulação: as lipoproteínas de baixa densidade (ou LDL – Low Density Lipoprotein em inglês) e as lipoproteínas de alta densidade (HDL- High Density Lipoprotein).

Enquanto o LDL costuma ser conhecido como o “colesterol ruim”, porque se deposita na parede das artérias, o HDL é chamado de “bom colesterol” pois carrega o colesterol excedente em várias partes do corpo de volta para o fígado.

Para que Serve

Ao contrário do que se possa pensar, o colesterol é indispensável para o nosso corpo, pois é necessário para:

  • a produção de hormônios como testosterona, estrógeno, progesterona e cortisona;
  • síntese de vitamina D, que é produzida quando os raios ultravioleta do sol alcançam a superfície da pele;
  • a criação e manutenção das membranas celulares;
  • produção de ácidos biliares, que atuam na digestão de gorduras e na absorção de vitaminas.

LDL

Cholesterol plaque in artery

Apesar de nosso corpo necessitar constantemente de colesterol para suas funções, o excesso da substância na circulação sanguínea pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

Quando os níveis de colesterol estão elevados no sangue, as partículas de LDL começam a se depositar no interior das artérias. Com o passar do tempo, esse acúmulo forma placas que obstruem a passagem de sangue pelos vasos (segunda ilustração acima).

Como resultado, o coração deixa de receber a quantidade de oxigênio de que necessita, e em casos extremos (de total obstrução das artérias, como exemplificado na última ilustração), pode haver um ataque cardíaco.

Ou seja: enfarto agudo do miocárdio, causado pela falta de oxigenação e circulação de sangue para o músculo cardíaco.

HDL

As lipoproteínas de alta densidade são responsáveis por transportar o excesso de LDL da parede das artérias de volta para o fígado, onde será processado e reutilizado ou então eliminado através das fezes.

Ao contrário do que ocorre com o LDL, níveis elevados de HDL fazem bem à saúde, pois protegem o coração. Já uma concentração abaixo do ideal de HDL parece estar relacionada a um risco maior de doenças cardíacas.

Triglicérides

Os triglicérides são outro tipo de gordura utilizada para armazenar o excesso de energia obtido através da alimentação (pense nos pneuzinhos ou barriguinha saliente – são triglicérides).

Resultantes do metabolismo das gorduras e dos carboidratos, os triglicérides também podem causar obstrução do fluxo sanguíneo nas artérias quando em excesso na circulação.

Pessoas com valores elevados de triglicérides costumam apresentar taxas altas de colesterol e LDL, ao mesmo tempo em que seus níveis de HDL estão abaixo do ideal.

Entre as causas para níveis elevados de triglicérides estão os fatores genéticos, obesidade, falta de atividade física e o consumo excessivo de gorduras e carboidratos refinados.

Nível ideal de colesterol

Apesar de modificações constantes nos parâmetros, profissionais da área médica têm recomendado que o nível de LDL permaneça abaixo de 100mg/dL, e os de HDL fiquem acima de 60mg/dL.

Já os valores de colesterol total não devem ultrapassar 200mg/dL, e os triglicérides devem estar abaixo de 150 mg/dL.

Vale lembrar também que, como todos nós necessitamos de colesterol para viver, a frase “estou com colesterol” está equivocada. Afinal, não haveria vida sem a lipoproteína.

O correto portanto é dizer que o nível de colesterol na circulação está elevado, ou acima do recomendado pelas autoridades da área da saúde.

Causas do colesterol alto

Além da hereditariedade, outros fatores que contribuem para alterações nos níveis de LDL incluem uma alimentação altamente calórica e rica em gordura saturada de origem animal, obesidade, sedentarismo e alcoolismo.

O risco para o colesterol alto aumenta exponencialmente de acordo com a idade, sendo que mulheres acima de 45 anos são mais suscetíveis ao problema do que homens na mesma faixa etária.

Complicações

Assim como a hipertensão, o colesterol alto pode ser descrito como um inimigo silencioso que, se não for identificado e tratado a tempo, pode trazer uma série de problemas para o sistema cardiovascular.

Como é assintomático, ou seja, não é possível “sentir” o colesterol elevado, médicos recomendam uma verificação anual das taxas de colesterol total na circulação.

Tratamento

Além da mudança no estilo de vida e nos hábitos alimentares, o médico pode prescrever um determinado tipo de remédio para colesterol para acelerar a diminuição das taxas de LDL na circulação.

Para os casos que ainda não exigem cuidados médicos, opções naturais como as que veremos mais abaixo podem ser a melhor solução, pois não trazem efeitos colaterais.

Opções de remédio para colesterol

Existe uma série de medicamentos que podem ser utilizados para diminuir os níveis de colesterol no sangue. Como todos estão associados a algum tipo de efeito colateral, eles podem não ser indicados para todos os tipos de pessoas.

O melhor tipo de remédio para colesterol para você deverá ser indicado pelo seu médico, que estará de posse de todos os exames e saberá determinar adequadamente suas necessidades.

– Estatinas

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Descobertas na década de 70 pelo pesquisador japonês Akira Endo, as estatinas são hoje a classe de medicamento mais utilizada em todo o mundo para baixar o colesterol.

O remédio inibe a HMG-CoA redutase, enzima que catalisa uma das etapas iniciais das 25 fases necessárias para a produção de colesterol.

Como o fígado não consegue produzir colesterol sem a substância, o órgão é obrigado a retirar o colesterol da circulação, levando a uma diminuição dos níveis de LDL.

A estatina pode também ajudar o corpo a reabsorver o colesterol depositado nas paredes das artérias, reduzindo assim o risco de doenças cardíacas.

Alguns dos nomes comerciais da estatina:

  • Sinvastatina (Zocor)
  • Atovarstatina (Lipitor)
  • Rosuvastatina (Crestor)
  • Fluvastatina (Lescol)
  • Pravastatina (Pravacol)
  • Lovastatina (Mevacor)
  • Pivastatina (Livalo)

Controvérsia: alguns tipos de estatinas podem causar rabdomiólise, uma grave síndrome provocada pela destruição das fibras musculares.

Alguns estudos indicam ainda que as estatinas podem beneficiar as pessoas com alto risco de ataques cardíacos, mas não aquelas com risco baixo ou moderado.

Outros possíveis efeitos colaterais das estatinas incluem lesões no fígado, diabetes e ganho de peso.

– Sequestradores de ácidos biliares

Também conhecidas como resinas, este tipo de remédio para colesteral é responsável por um aumento na quantidade de bile secretada pelas fezes. Com a consequente diminuição dos níveis de bile, o fígado é obrigado a fabricar a secreção digestiva utilizando o colesterol que acabou de produzir, ou então aquele proveniente da dieta.

O resultado é que menos colesterol acaba alcançando a circulação, e os níveis de LDL são gradualmente reduzidos. Em geral, os sequestradores de ácidos biliares costumam ser prescritos com algum outro tipo de remédio para colesterol, como as estatinas.

Alguns tipos de medicamentos sequestradores de ácidos biliares:

  • Colestiramina (Prevalite, Questran)
  • Colesevelam (Welchol)
  • Colestipol (Colestid)

Efeitos colaterais: prisão de ventre, gases, diarreia, dores abdominais, ganho de peso, azia e pedras na vesícula.

– Inibidores da Absorção de Colesterol

O intestino delgado absorve o colesterol proveniente da alimentação e em seguida o libera na circulação sanguínea. Como já vimos, quando em excesso esse colesterol acaba se depositando na parede das artérias.

Os medicamentos inibidores de colesterol são capazes de reduzir a absorção de colesterol proveniente da dieta, contribuindo para reduzir a concentração de LDL no sangue.

Também utilizados em combinação com as estatinas, os inibidores da absorção de colesterol são comercializados como Ezetimiba (Zetia e Ezetrol).

Efeitos colaterais da Ezetimiba: febre, dores de cabeça, dor de garganta, coriza e dores musculares.

– Niacina (ácido nicotínico)

A niacina não é exatamente um remédio para colesterol, mas sim uma vitamina (B3) que costuma ser prescrita para reduzir os níveis de triglicérides.

A vitamina limita a capacidade do fígado de produzir LDL, o que termina por também reduzir as taxas de triglicérides na circulação.

O uso de niacina para baixar o colesterol está relacionado a um maior risco de problemas no fígado e enfarto, e só deve ser feito mediante orientação médica.

– Fibratos

De maneira semelhante à niacina, os fibratos (também conhecidos como derivados do ácido fíbrico) servem primariamente para reduzir os níveis de triglicérides, embora também colaborem para o reequilíbrio dos valores de LDL.

Os fibratos são comercializados como:

  • Gemfibrozil (Lopid)
  • Clofibrato (Atromid-S)
  • Fenofibrato (Lipanon, Lipidil)

Efeitos colaterais dos fibratos incluem náuseas, dores de estômago, pedras na vesícula e dores musculares.

Opções Naturais

Se você não vê a necessidade de utilizar um remédio para colesterol, confira dicas de ervas e alimentos que ajudam a baixar o colesterol naturalmente:

– Alcachofra

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A alcachofra é fonte de silimarina, um conjunto de compostos que protegem o fígado e podem ajudar a diminuir as taxas de LDL.

Para melhores resultados, consuma pelo menos duas porções semanais da planta cozida.

– Berinjela

Além do alto teor de fibras, a berinjela contém antioxidantes que reduzem a absorção e a oxidação do colesterol.

Seja cozida ou na forma de suco, a berinjela é considerada um dos melhores remédios naturais para o colesterol alto.

– Chás

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Como a alcachofra, o dente de leão também contém silimarina e pode ser considerado um hepatoprotetor, ou seja, a erva reequilibra as funções do fígado e auxilia no controle do colesterol.

Outros chás que ajudam a reduzir as taxas de colesterol: mate, chá verde, chá de cúrcuma (açafrão) e chá de alcachofra.

Faça um chá com 3 colheres de sopa de cada erva e 1 litro de água, e tome ao longo do dia sem adoçar. Para o chá de cúrcuma, apenas uma colher da raiz é suficiente para o mesmo volume de água.

– Fibras

A fibras solúveis presentes na linhaça, aveia, leguminosas (feijão, grão de bico, lentilha) e nas frutas podem contribuir para a diminuição do colesterol sanguíneo.

Conhecidas como betaglucanas, as fibras da aveia são comprovadamente eficazes no controle das taxas de colesterol e oferecem uma boa proteção contra os problemas cardíacos.

– Soja

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Pesquisas indicam que o consumo regular de soja pode levar a uma diminuição de até 3% nos níveis de LDL.

Para variar o cardápio e aproveitar todos os benefícios da soja, inclua na dieta não apenas a soja cozida mas também o tofu e o leite vegetal.

– Alho

O National Center for Complementary and Alternative Medicine localizado na cidade de Nova York divulgou uma série de estudos que demonstraram uma redução em curto prazo dos níveis de colesterol total após o consumo diário de alho.

– Ômega 3

Os ácidos graxos encontrados em peixes de água fria (atum, sardinha, salmão) e nas sementes de linhaça não apenas elevam os níveis de HDL como ajudam a reduzir as taxas de triglicérides na circulação.

Se preferir, você pode também encontrar ômega 3 em cápsulas gelatinosas com 1000 mg cada.

– Limão

Tomar limão com água morna logo pela manhã também é uma boa alternativa para quem não quer usar remédio para colesterol, pois a fruta cítrica tem ação antioxidante.

– Gugulipid

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Também conhecida como guggul, a resina retirada de uma espécie de árvore de mirra é utilizada há milhares de anos na medicina Ayurveda e tem ação comprovada no rejuvenescimento dos vasos sanguíneos e na redução do LDL.

É possível encontrar o composto online em sites especializados em medicamentos naturais.

Como prevenir o colesterol alto

A melhor forma de tratamento para o colesterol elevado é a prevenção. Exceto nos casos de predisposição genética, você pode diminuir as taxas de LDL e triglicérides através de modificações na alimentação, inclusão de atividade física na rotina e abandono do cigarro.

– Alimentação

Certifique-se de que não mais do que 20% do total da sua ingestão calórica é proveniente de gorduras. Desse total, consuma o máximo possível de gorduras poli e monoinsaturadas – ou seja, as gorduras “boas”.

Substitua o óleo de soja pelo azeite, elimine as frituras do cardápio e opte sempre que possível pelo peixe e o frango sem gordura no lugar das carnes vermelhas mais gordurosas. Prefira os laticínios magros, evite doces e opte pelo pão e o arroz integrais.

Também lembre-se de incluir no cardápio muitas verduras, legumes e frutas de baixo índice glicêmico.

– Exercícios

Apesar de fazerem bem à saúde, os exercícios anaeróbicos não são os mais indicados para baixar o colesterol. Dê preferência a atividades cardio, como caminhada, corrida e ciclismo.

Exercite-se pelo menos 3-4 vezes por semana (não se esqueça de consultar um médico antes de iniciar um programa mais intenso de atividade física).

– Fatores de risco 

Além de parar de fumar, é importante que você controle outros fatores de risco para o colesterol alto, como o excesso de peso, o diabetes e taxas elevadas de gordura corporal.

Vídeo:

Gostou das dicas?

Referências adicionais:

Você já precisou utilizar algum remédio para colesterol ao ser diagnosticado com níveis altos de LDL? Como foi o tratamento? Comente abaixo!

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8 comentários em “Remédio para Colesterol – Opções Naturais e Medicamentos”

  1. meu colesterol esta 242 HDL , 50 ldl 165.6 e triglicérides 132 o medico me passou sinvastatina, mas não tenho coragem de tomar, falei para ele que não queria tomar ele ficou bravo comigo onde já se viu com estes exames péssimos não querer tomar , faço dieta e academia , mas vou pegar pesado na dieta e exercícios para baixar estes resultados .

  2. Bom dia !
    As informações obtidas neste site foi de grande valia, para iniciar a tomada de posição quanto ao tratamento alternativo, sempre com as devidas reservas.
    Agradeço pelas publicações e pelo profissionalismo.

  3. Excelente matéria, didática e esclarecedora, cita fontes o que é raro no meio.

    Possuo hipercolesterolemia genética, convivo com o antagonismo de baixar o peso que os próprios medicamentos induzem a manter alto.

    A cúrcuma é um potente anti-inflamatório, não ficou claro se é uma colher de sopa de pó ou da raiz para o chá.

    Quanto ao alho, interessante também a indicação do consumo diário.

    Não conhecia o efeito da silimarina, pode ser positivo, devo iniciar o uso.

    Utilizo (após infarto aos 45 anos):
    Rosuvastatina 20MG
    Fibrato 100mg
    Aspirina 100mg

    Sendo que
    Colesterol total mantém na faixa de 340
    Triglicérides 400
    HDL 50 (após ômega 3, antes na faixa de 30)

    Não apresentei as complicações musculares.

    Retornarei para postar após utilizar a silimarina, sei que pode ser útil.

    Parabéns a equipe e ao autor, realmente um ótimo texto.

  4. Usei Sinvastatina por 06 meses. Tive que parar com o tratamento , pois estava ficando com os musculos das perna comprometidos e tanbem tive confusão mental e perda de memória momentania. Meu cardio tirou o Sinvastatina e tudo voltou ao normal. Hoje controlo meu colesterol somente com dieta!!! Estou bem…

  5. uso sinvastatina a quatro anos para controle de obstrução de cinquenta por centro de coronária. Não tenho nível alto de colesterol. A seis meses comecei a sentir dores muito fortes nos músculos e fraqueza musculares intensa; não sei se devo parar de tomar o remédio ou substituir por tratamento alternativo. Caso alguém possa me orientar, agradeço muito.

    Até breve.

  6. Utilizei, por recomendação médica, sincastatina, a fim de diminuir o índice de colesterol observado em exames.
    O medicamento em um mês reduziu e normalizou o nível de colesterol. Continuei a tomar o remédio, por determinação médica. Ao cabo de um ano, estava com os músculos das pernas fortemente prejudicados., a ponto de não conseguir subir um degrau que fosse.
    Lógico parei de tomar.
    Tomara que a ciência logo encontre uma solução sem esse ônus odioso.
    Só depois de um ano minhas pernas se livraram, com exercícios próprios, desse tormento.

    • Boa tarde Sônia, com migo aconteceu a mesma coisa, só com uma diferença,eu tomei somente três meses.
      E ainda não consigo nem sair sozinha.

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