Turkesterone: Para Que Serve, Efeitos Colaterais e Como Tomar

Especialista:
atualizado em 17/07/2020

Turkesterone é um suplemento alimentar que foi descoberto antes de 1960 mas só tem se tornado famoso recentemente. Antes utilizado apenas em países orientais, o mundo ocidental está, somente agora, descobrindo seus benefícios e passando a conhecer mais sobre turkesterone principalmente devido à redução do custo de obtenção da substância, antes extremamente elevado.

Vamos entender o que é o turkesterone, para que serve, quais os seus efeitos colaterais e como tomar no decorrer deste artigo.

O que é Turkesterone exatamente?

Turkesterone é uma substância da família dos ecdisteroides. Os ecdisteroides são encontrados em insetos, onde desempenham o papel de fatores de crescimento. Seu nome deriva da palavra ecdise, que é a troca de carapaça dos insetos para permitir seu crescimento.

Muitas plantas, aproximadamente 6% de todas as espécies conhecidas, também contém ecdisteroides. Para elas, essas substâncias são uma proteção contra insetos predadores não adaptados.

Apesar de muitas plantas apresentarem turkesterone e outros ecdisteroides, na maioria eles aparecem em pequenas quantidades, que inviabilizam sua extração.

Assim, o turkesterone consumido como suplemento é principalmente extraído de plantas como Ajuga turkestanica e Rhaponticum carthamoides, que possuem concentrações maiores da substância, permitindo a extração com maior rendimento.

Os efeitos no organismo humano se devem ao fato de que essas substâncias são estruturalmente similares aos esteróides andrógenos, os hormônios masculinos.

Alguns ecdisteroides utilizados são a ecdisone, ecdisterone, 20-hidroxiecdisone e turkesterone, o último sendo o mais utilizado por ser o mais potente para efeitos anabólicos. Todos eles já foram objeto de estudo e variam em potência e efeitos colaterais mas compartilham as mesmas propriedades gerais.

Vamos entender a seguir para que serve o turkesterone e porque ele tem sido muito utilizado no mundo fitness.

Para que serve o Turkesterone?

O principal efeito de turkesterone no corpo humano chama a atenção: promete levar ao anabolismo, isto é, ganho de massa magra, sem os efeitos colaterais dos hormônios derivados da testosterona. Esse é o sonho de consumo de muitos praticantes de atividades físicas, sejam atletas ou não, que têm como objetivo o aumento da massa muscular, para hipertrofia e/ou definição.

Embora sejam utilizados com esse propósito, os hormônios andrógenos possuem uma série de efeitos colaterais que muitas vezes reduzem sua segurança e podem trazer graves consequências, como danos ao fígado e vasos sanguíneos, calvície, masculinização em mulheres e ginecomastia em homens, entre outros.

O turkesterone, ao contrário, auxilia no aumento dos músculos sem trazer efeitos colaterais significativos, e se apresenta seguro mesmo em doses bastante elevadas.

Mas além dos efeitos nos músculos, turkesterone pode trazer outros benefícios à saúde, seja agindo positivamente na redução do colesterol, contribuindo para a redução nos níveis de açúcar no sangue, melhora no metabolismo de carboidratos e gordura, na saúde do fígado, dentre outros.

Um pouco mais sobre os efeitos anabólicos de Turkesterone

Apesar de mais estudos em humanos serem necessários para embasar com mais resultados os efeitos benéficos de turkestorone sobre o ganho de massa magra e performance física, os estudos disponiveis já demonstram o grande potencial dessa substância. Entre eles, estudos in vitro com fibras musculares humanas, outros em modelos animais e um número menor em humanos.

O principal efeito de turkesterone reportado que leva ao anabolismo é o aumento da síntese de proteínas, uma vez que o músculo é constituído basicamente por proteínas, uma síntese aumentada facilita a formação de mais tecido muscular, a chamada hipertrofia.

Esse efeito não parece ser devido à ativação direta de receptores para androgênicos, nem pelo aumento dos níveis de testosterona, sendo, provavelmente uma via de sinalização diferente, ainda desconhecida.

Em um estudo in vitro com fibras musculares, como são chamadas as células musculares, observou-se um aumento da síntese proteica em até 120% em relação ao controle, sendo esse efeito dependente da dose, ou seja, em concentrações maiores de turkesterone, a síntese também foi maior, até chegar a um platô, onde mesmo com o aumento da dose, a taxa de síntese proteica não aumenta.

Em um estudo com ratos, o turkesterone levou a um aumento de peso maior (cerca de 63%) do que o promovido por dois esteroides androgênicos: Metilandrostenediol e Nerobol (aproximadamente 52% e 58% respectivamente).

Enquanto os efeitos de Nerobol se localizam no aumento da síntese proteica nos músculos esqueléticos, o turkesterone por sua vez, leva a um aumento sistêmico dessa síntese, incluindo músculos e órgãos.

Além disso, estudos indicam que pode haver um aumento na concentração de glicogênio muscular e um favorecimento à síntese de ATP, a molécula que guarda a energia produzida pelas células. Isso significa mais energia disponível para as contrações musculares e melhora no desempenho físico. Por sua vez, um treinamento mais intenso promove um maior estímulo à síntese de proteínas.

Outro aspecto benéfico à saúde muscular seria a ajuda na eliminação do ácido láctico, produzido pelo metabolismo e que em altas concentrações pode prejudicar a contração das fibras musculares.

Tudo isso leva uma redução da fadiga muscular, menor tempo de recuperação entre um treino e outro e resultados que aparecem mais facilmente.

Mas tantos benefícios não são acompanhados de efeitos colaterais? Vamos entender a seguir se o consumo de turkesterone pode trazer riscos e quais são seus os efeitos colaterais.

Quais os efeitos colaterais de Turkesterone?

O mais interessante a respeito do turkesterone é que até o momento nenhum efeito colateral foi identificado em todos os estudos realizados. Não houve alteração de parâmetros influenciados pelos níveis de hormônios sexuais como por exemplo, o desenvolvimento da próstata e da vesícula seminal em ratos machos e nem efeitos sobre o útero de ratas, assim como não afetou os níveis de testosterona ou estrogênio.

Os ecdisteroides em geral são extremamente seguros para consumo via oral. A dose em que foi encontrada toxicidade em roedores foi acima de 6400 mg/kg de peso corporal para uso injetável e mais de 9000 mg/kg quando administrado via oral. Essas doses são muito maiores do que as utilizadas como suplementação.

A única recomendação é que o turkesterone seja ingerido junto com alguma refeição pois pode causar náusea se o estômago estiver vazio.

Se você faz uso de qualquer medicamento ou tratamento antes de iniciar a suplementação com turkesterone deve primeiro consultar seu médico, como qualquer outro suplemento.

Como tomar Turkesterone?

Em cada estudo foram utilizadas diferentes dosagens. Os efeitos hipoglicemiantes parecem ser dose-dependentes, mas a dose de 200 mg aparenta ser suficiente e segura.

Os estudos que indicaram efeitos anabólicos em ratos também identificaram um resultado proporcional às doses, sendo que uma dose de 5 mg/kg de peso corporal parece ser um bom início para o ganho de massa magra.

Os efeitos de redução do colesterol sanguíneo foram detectados com uma dose de 2,5 mg/kg de peso corporal.

Um estudo com um outro ecdisteroide, a 20-hidroxiecdisona, apontou um efeito anti-diabético e anti-obesidade em modelos animais com uma dose diária de 10 mg/kg de peso.

Assim, doses de 200 a 300 mg são geralmente utilizadas, pelo menos no início, para o objetivo mais comum que é o ganho de massa magra. Converse com seu médico e nutricionista para entender qual a melhor dosagem indicada para você.

É importante lembrar que a ingestão de qualquer suplemento sem o adequado nível de atividade física e uma alimentação balanceada não traz resultados sozinha. O mesmo é aplicável ao turkesterone.

Para que os seus efeitos sejam potencializados, é fundamental o estímulo promovido pela atividade física, assim como um fornecimento adequado de nutrientes que serão “matéria-prima” para as modificações no seu corpo.

Além disso cada pessoa pode responder de uma forma diferente à suplementação com turkesterone, assim como ocorre com muitos suplementos e até mesmo medicamentos.

Consulte seu médico ou nutricionista e faça um teste para identificar se pode ser benéfico e saudável para você também.

Fontes e Referências Adicionais:

  1. Lafont, R., and L. Dinan. “Practical uses for ecdysteroids in mammals including humans: an update.” Journal of Insect Science 3 (2003).
  2. Wilborn, Colin D., et al. “Effects of methoxyisoflavone, ecdysterone, and sulfo-polysaccharide supplementation on training adaptations in resistance-trained males.” Journal of the International Society of Sports Nutrition 3.2 (2006): 19-27.
  3. Shakhmurova, G. A., V. N. Syrov, and Z. A. Khushbaktova. “Immunomodulating and antistress activity of ecdysterone and turkesterone under immobilization-induced stress conditions in mice.” Pharmaceutical Chemistry Journal 44.1 (2010): 7-9.
  4. Gorelick-Feldman, Jonathan, et al. “Phytoecdysteroids increase protein synthesis in skeletal muscle cells.” Journal of agricultural and food chemistry 56.10 (2008): 3532-3537.
  5. Báthori, Mária, and Zita Pongrácz. “Phytoecdysteroids-from isolation to their effects on humans.” Current medicinal chemistry 12.2 (2005): 153-172.

Você ainda não tinha ouvido falar no Turkesterone? Conhece alguém que tenha o utilizado e obtidos bons resultados? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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