Vitamina D

Vitamina D e Diabetes – Entenda a Relação

Novamente a vitamina D despertou grande interesse de pesquisadores e especialistas no assunto. Esse interesse pela vitamina conhecida como “vitamina do sol” ocorreu recentemente porque ela está sendo associada a muitas coisas, desde o câncer e doenças cardíacas até a diabetes.

Com isso, novas pesquisas continuam surgindo afirmando que a vitamina D é extremamente importante para a saúde. No entanto, a maioria das pesquisas está baseada em estudos epidemiológicos observacionais, que são importantes para gerar hipóteses, mas não provam causalidade.

Uma pesquisa no PubMed, site composto por citações e resumos de artigos de pesquisas de biomedicina oferecidos pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, usando o termo “vitamina D” que selecionou artigos publicados nos últimos 2 anos, resultou em mais de 2.864 acessos.

As seguintes doenças e condições foram pesquisadas para avaliar sua relação com a vitamina D: osteomalácia/osteoporose, função muscular e quedas, câncer, esclerose múltipla, hipertensão, diabetes tipo 1, reumatoide, artrite, tuberculose, saúde mental, eventos cardiovasculares, infecção, transtorno afetivo sazonal, obesidade, envelhecimento e mortalidade geral.

O desafio para os profissionais e provedores de saúde e pesquisadores de nutrição é determinar se a deficiência de vitamina D causa ou aumenta a incidência de certas doenças ou se, em vez disso, baixos níveis desta vitamina são mera coincidência, dado que a maioria da população, independentemente da doença, possua baixos níveis de vitamina D.

Em outras palavras, as pessoas que desenvolvem estados dessas doenças simplesmente são deficientes em vitamina D, ou os baixos níveis causam a doença? A suplementação com esta vitamina previne doenças e pode ser usada para tratá-las? Qual a relação exata entre vitamina D e diabetes?

Vitamina D e diabetes

A deficiência de vitamina D e diabetes têm em comum uma característica importante: ambas são pandêmicas. A Federação Internacional de Diabetes estima que o número de pessoas com diabetes em todo o mundo seja de aproximadamente 285 milhões, ou 7% da população mundial. Espera-se que esse número exceda 435 milhões até 2030.

Há evidências crescentes de que a deficiência de vitamina D pode ser um fator contribuinte no desenvolvimento de diabetes tipo 1 e 2. Primeiro, a célula beta do pâncreas que secreta insulina mostrou conter VDRs (receptores de vitamina D), assim como a enzima alfa hidroxilase. Evidências indicam que o tratamento com vitamina D melhora a tolerância à glicose e a resistência à insulina. A deficiência de vitamina D leva a uma redução na secreção de insulina, de acordo com pesquisas realizadas em animais.

Pesquisadores também descobriram um efeito indireto na secreção de insulina, potencialmente devido ao efeito do cálcio na secreção de insulina. A vitamina D contribuiu para a normalização do cálcio extracelular, garantindo o fluxo normal de cálcio através das membranas celulares; portanto, a baixa vitamina D pode diminuir a capacidade do cálcio de afetar a secreção de insulina.

Outros mecanismos potenciais associados à vitamina D e diabetes incluem melhorar a ação da insulina ao estimular a expressão do receptor desta, aumentando a responsividade à insulina pelo transporte de glicose, tendo um efeito indireto na ação da insulina potencialmente através de um efeito do cálcio na secreção da mesma, e melhorando a inflamação sistêmica por um efeito direto sobre as citocinas.

Vitamina D e diabetes tipo 2

Após realizarem uma meta-análise e revisão do impacto da vitamina D e cálcio no controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, pesquisadores concluíram que a suplementação de vitamina D e cálcio pode ser necessária para otimizar o metabolismo da glicose.

Nurses Health Study, que está entre as maiores investigações sobre os fatores de risco para as principais doenças crônicas em mulheres que são realizadas pela Harvard Medical School, Brigham and Womens’s Hospital e Harvard T.H Chan – School of Public Health, realizou um estudo observacional que incluiu 83.779 mulheres com mais de 20 anos de idade e encontrou um risco aumentado de diabetes tipo 2 naquelas com baixo nível de vitamina D. A ingestão diária combinada de mais de 800 UI de vitamina D e 1.000 mg de cálcio reduziu o risco de diabetes tipo 2 em 33%.

Outro estudo realizado pelo National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) III, entre 1988 e 1994 demonstrou que existe uma forte associação inversa entre os níveis de vitamina D e a prevalência de diabetes. Os baixos níveis de vitamina D também mostraram ser preditivos do futuro desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Um outro estudo mostrou que o aumento dos níveis séricos de vitamina D para níveis normais levou a uma redução relativa de 55% no risco de desenvolver diabetes tipo 2. Estudos prospectivos relacionados à suplementação de vitamina D e diabetes são raros e limitados.

Outra pesquisa realizou uma análise de regressão linear de 721 indivíduos após avaliar os níveis séricos de 25(OH)D e avaliar a sensibilidade à insulina por meio do modelo de homeostase de resistência à insulina. Seus resultados indicaram que a vitamina D foi significativamente correlacionada à resistência à insulina e à função das células betas em sua amostra multiétnica. Os pesquisadores concluíram que baixos níveis desta vitamina podem desempenhar um papel significativo na patogênese da diabetes tipo 2.

O grupo NHANES (2003-2006) avaliou 9.773 adultos com 18 anos de idade ou mais nos Estados Unidos e mostrou uma ligação mecânica entre os níveis séricos de vitamina D, a homeostase da glicose e a evolução da diabetes. Com base em seu próprio estudo, concluíram que os pacientes com níveis elevados de A1C (um dos instrumentos mais importantes para avaliar o controle glicêmico da pessoa com diabetes e confirmar o diagnóstico de pré-diabetes ou diabetes) devem ser avaliados para insuficiência de vitamina D.

Vitamina D e diabetes tipo 1

Estudos observacionais também sugerem que o baixo nível de vitamina D pode estar associado a um risco maior de diabetes tipo 1. Por exemplo, há uma incidência maior de diabetes tipo 1 relacionada à variação geográfica – por exemplo, locais em latitudes mais altas apresentam mais diabetes tipo 1. Isto pode ser resultado de menos sol e portanto, níveis menores de vitamina D.

Um estudo realizado no norte da Finlândia coletou dados relacionados à dose de suplementação de vitamina D e presença suspeita de raquitismo durante 1 ano em 10.821 crianças, uma vez que este está relacionado com o desenvolvimento de diabetes tipo 1.

Suas descobertas foram surpreendentes e significativas. As crianças que tomaram 2.000 UI de vitamina D diariamente apresentam 80% menos chances de desenvolver diabetes tipo 1. Isto sugere que pode ser crucial que todas as crianças tomem suplementos de vitamina D durante o primeiro ano de vida para ajudar a evitar o desenvolvimento de diabetes tipo 1.

Outro estudo demonstrou que a suplementação de vitamina D no início da infância diminuiu o risco de desenvolver diabetes tipo 1 em 29% quando comparado com crianças que não receberam suplementos desta vitamina. Além disso, os pesquisadores encontraram evidências sugestivas de um efeito dose resposta.

Como a destruição das células betas geralmente começa durante ou no início da infância e continua até que a diabetes tipo 1 seja diagnosticada, estudos como esses são intrigantes em termos da utilidade da vitamina D em pessoas com diabetes tipo 1. Espera-se que o início da suplementação de vitamina D logo após o nascimento possa ser uma estratégia protetora contra o desenvolvimento de diabetes tipo 1.

Outra área de interesse é a relação da vitamina D durante a gravidez e a amamentação e se os níveis de vitamina D da gestante. A falta desta vitamina desempenha um papel no desenvolvimento de diabetes no filho. Pesquisas sugerem que mulheres grávidas e lactantes devem tomar suplementos para garantir que seus níveis séricos desta vitamina sejam ótimos.

Como a vitamina D é um potente modulador do sistema imunológico e ajuda a regular a proliferação e diferenciação celular, parece claro que ela pode desempenhar um papel na prevenção de diabetes tipo 1. Essa pesquisa mostrou que o nível adequado de vitamina D em mães teve um impacto na redução do desenvolvimento de diabetes tipo 1 em seus filhos.

No entanto, ainda faltam estudos relacionados à dose precisa e duração da suplementação de vitamina D em bebês e crianças. Atualmente recomenda-se a suplementação de 400 UI de vitamina D em todas as lactantes até a ingestão suficiente de leite ou outras fontes alimentares para fornecer 400 UI por dia. Embora pareça prudente e razoável suplementar bebês, crianças e adolescentes com vitamina D para prevenir a deficiência, há inconsistência na dose recomendada desta vitamina.

Conclusão

Embora o papel da vitamina D em ajudar a regular a glicose no sangue continue sendo estudado, parece que os níveis de vitamina D desempenham um papel no desenvolvimento e tratamento de diabetes. É possível que níveis ótimos de vitamina D sérica possam ser diferentes para pessoas com risco de desenvolver diabetes, pessoas com e sem diabetes.

Estudos em animais e humanos suportam a noção de que a suplementação adequada de vitamina D possa diminuir a incidência de diabetes mellitus tipo 1 e possivelmente também de diabetes mellitus tipo 2 e pode melhorar o controle metabólico no estado de diabetes. No entanto, os mecanismos exatos não são claros e precisam de mais pesquisas.

Referências adicionais:

Você já tinha ouvido falar da relação entre vitamina D e diabetes? Já foi diagnosticado com deficiência de vitamina D? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite


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