Diabetes gestacional – O que é, valores, sintomas, dieta e dicas

Especialista da área:
atualizado em 14/02/2022

A diabetes gestacional é um problema relativamente comum, embora boa parte das grávidas não saiba o que é e quais os seus sintomas.

Mas, apesar de trazer grandes riscos, você verá que existem formas de controlar o problema, seja com o uso de remédios, ou com dietas e atividade física.

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Então, no decorrer do artigo vamos conhecer com mais detalhes a diabetes gestacional, os seus sintomas e formas de tratamento, além de entender como ela é diagnosticada.

Veja também: Exame de curva glicêmica – O que é, resultado, para que serve e mais

O que é diabetes gestacional?

Diabetes gestacional é uma condição que acomete mulheres grávidas, e é diagnosticada antes do terceiro trimestre, geralmente por volta da 24-28 semanas de gestação. 

Nela, há o aumento da glicemia, de forma semelhante ao que é visto na diabetes “convencional”, sem, no entanto, existir um diagnóstico prévio da doença.

Mas, após o parto, geralmente os níveis de açúcar voltam ao normal, embora exista o risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, tornando necessário continuar a monitorar e gerenciar a glicemia.

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O que causa diabetes gestacional?

Não se sabe exatamente as causas da diabetes mellitus gestacional, embora exista a suspeita de que os hormônios liberados pela placenta possam ter um papel importante no desenvolvimento da doença.

Assim, durante a gestação os níveis hormonais mudam, tornando mais difícil o controle glicêmico e, em alguns casos, causando o aumento dos níveis de açúcar no sangue.

Fatores de risco

A diabetes gestacional afeta entre 2% e 10% das gestações a cada ano, e sua ocorrência está relacionada a alguns fatores de risco, como veremos a seguir:

  • Obesidade
  • Estar acima do peso antes de engravidar
  • Ganho de peso excessivo durante a gravidez
  • Estar grávida de mais de um bebê
  • Apresentar altos níveis de açúcar no sangue, mas não alto o suficiente para ser diabética
  • Histórico familiar, ou seja, casos de diabetes na família
  • Teve diabetes gestacional antes
  • Apresentar pressão alta ou outras complicações médicas
  • Ter dado à luz um bebê acima de 4 quilos, natimorto ou com defeitos congênitos
  • Diagnóstico de síndrome do ovário policístico, acantose nigricans, ou outras condições que estão associadas com a resistência à insulina.

Sintomas

Geralmente mulheres com diabetes gestacional não apresentam sintomas, e o problema é descoberto durante os exames de rotina. Mas, especialmente se a diabetes estiver descontrolada, alguns sintomas podem aparecer, entre eles:

  • Sentir mais sede que o normal
  • Sentir mais fome, mesmo comendo uma quantidade maior de comida
  • Aumento da micção, ou seja, a necessidade de urinar mais
  • Fadiga
  • Visão embaçada.

Como a diabetes gestacional é diagnosticada?

Diagnóstico de diabetes
Após uma série de exames, um médico poderá diagnosticar a diabetes gestacional

Durante a gravidez, as mulheres costumam realizar uma série de exames, incluindo testes de glicemia, em busca de sinais de diabetes gestacional. 

E, além do exame comum de glicemia, outro exame que pode ser solicitado durante a gestação, que o é o teste de desafio da glicose, para fazer um diagnóstico mais confiável.

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Teste de desafio de glicose

Para fazer esse teste é preciso tomar uma solução contendo 75 gramas de glicose, em jejum, e uma amostra de sangue é coletada e testada um tempo após a ingestão da bebida.

O diagnóstico de diabetes gestacional será feito se a gestante apresentar algum dos seguintes valores de açúcar no sangue:

  • Nível de açúcar no sangue em jejum maior ou igual a 92 miligramas por decilitro (mg / dl).
  • Nível de açúcar no sangue em uma hora maior ou igual a 180 mg/dl.
  • Nível de glicemia de duas horas maior ou igual a 153 mg / dl.

Complicações

Quando a condição não é cuidadosamente gerenciada, pode levar a níveis descontrolados de açúcar no sangue e causar problemas, tanto para a mãe quanto para o bebê. São eles:

Complicações que podem afetar o bebê 

  • Excesso de peso ao nascer: A glicose extra na corrente sanguínea atravessa a placenta, o que faz com que o pâncreas do bebê produza mais insulina e isso pode fazer com que ele cresça além do normal. Além disso, um bebê muito grande está mais predisposto a ficar com os ombros presos durante o parto normal.
  • Parto prematuro: Os níveis de açúcar no sangue da mãe, quando constantemente altos, elevam o risco de parto prematuro.
  • Síndrome do desconforto respiratório: Bebês nascidos precocemente tem um maior risco de desenvolverem síndrome do desconforto respiratório, fazendo com que eles precisem de ajuda para respirar até que seus pulmões amadureçam e se tornem mais fortes.
  • Baixo nível de açúcar no sangue (hipoglicemia): Às vezes bebês podem desenvolver baixo nível de açúcar no sangue logo após o nascimento, porque a produção de insulina é alta. Episódios graves de hipoglicemia podem provocar convulsões no bebê.
  • Diabetes tipo 2 mais tarde na vida: Bebês de mães que têm diabetes gestacional têm um risco maior de desenvolver obesidade e diabetes tipo 2 futuramente, independentemente de outros fatores de risco da doença.

Complicações que podem afetar a gestante

  • Pressão arterial alta e pré-eclâmpsia: O diabetes gestacional aumenta o risco de pressão alta, assim como a pré-eclâmpsia, que aumenta o risco de hemorragias durante o parto e, em casos mais graves, de morte.
  • Diabetes futura: Mulheres que apresentaram diabetes gestacional têm um maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 à medida que envelhece. 

Tratamento

Dieta de gestante
É importante que a grávida siga uma dieta saudável básica para tratar e evitar a diabetes gestacional

Após o diagnóstico, geralmente a diabetes gestacional é dividida em duas classes:

  • Classe A1, quando o problema pode ser controlado apenas com a dieta.
  • Classe A2, quando há a necessidade de uso de insulina ou medicamentos orais para controlar a condição, e esses serão receitados pelo médico, de acordo com cada paciente.

Mas, na maioria dos casos, é possível controlar a condição comendo de forma saudável e fazendo exercícios regularmente. Por isso, separamos algumas dicas de alimentação saudável:

Alimentação saudável básica

O ideal é procurar uma boa nutricionista, que tenha experiência no manejo de casos de diabetes gestacional. Mas, de forma geral, existem algumas dicas básicas de dieta para esses casos, como:

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  • Coma proteína em todas as refeições, como carnes magras, aves, ovos, peixes e tofu
  • Inclua frutas e legumes em sua dieta
  • Menos da metade de calorias deve vir de carboidratos
  • 35% ou menos da dieta deve ser composta de gordura
  • Inclua gorduras saudáveis, como nozes sem sal, sementes, azeite, abacate e peixes
  • Limite ou evite alimentos processados
  • Preste atenção ao tamanho das porções para evitar excessos.

Alimentos para evitar

Além de adotar uma dieta específica para o tratamento da diabetes gestacional, é recomendado evitar alimentos altamente processados, como:

  • Fast food
  • Bebidas alcoólicas
  • Bolos
  • Frituras
  • Bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos e outros
  • Doces
  • Alimentos ricos em amido, como batatas brancas e arroz branco.

Dicas e cuidados

Além dos tratamentos apresentados mais acima, existem outras dicas que podem ajudar a controlar e as vezes até evitar o aparecimento da diabetes gestacional. São elas:

1. Faça o pré-natal corretamente

O acompanhamento da gestação por um profissional capacitado é fundamental em todos os casos, principalmente quando há algum distúrbio, como a diabetes gestacional.

Assim, é possível realizar um melhor controle da glicemia e acompanhar o desenvolvimento do bebê, para garantir o melhor resultado possível.

2. Consulte um profissional de nutrição

Um nutricionista pode ajudar a montar um cardápio adequado com todos os alimentos apropriados para gerenciar a diabetes na gravidez e garantir uma gestação mais saudável e com menos riscos.

Entretanto, uma dica válida é fazer pequenas e frequentes refeições ao longo do dia, evitando pular elas, para que os níveis de açúcar no sangue não sofram tantas flutuações.

Além disso é recomendado evitar o consumo de alimentos com alto índice glicêmico, cuja digestão dos carboidratos é muito rápida, e consequentemente leva ao aumento brusco dos níveis de glicose na corrente sanguínea.

3. Exercite-se regularmente

O exercício físico antes e durante a gravidez pode ajudar a protegê-la do desenvolvimento de diabetes gestacional. Mas, como a gestação é um período de várias mudanças físicas e metabólicas, é importante procurar a orientação de um profissional de educação física.

4. Procure perder os quilos em excesso antes da gravidez

Os médicos não recomendam a perda de peso durante a gravidez. Mas se você está planejando engravidar, perder peso extra de antemão pode ajudá-la a ter uma gravidez mais saudável.

Vídeo

Fontes e referências adicionais

Você já tinha ouvido falar da diabetes gestacional? Foi diagnosticada com essa condição enquanto estava grávida? Que tratamento o médico recomendou? Comente abaixo!

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Sobre Marcela Gottschald

Marcela Gottschald é Farmacêutica Clinica - CRF-BA 8022. Graduada em farmácia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2013. Residência em Saúde mental pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Experiência em pediatria e nefrologia, com ênfase em unidade de terapia intensiva. Ela faz parte da equipe de redatores do MundoBoaForma.

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