Diabetes Gestacional – O Que é, Valores, Sintomas, Dieta e Dicas

🕐 2/04/2020

Diabetes gestacional é uma condição específica da gravidez e afeta entre 2% e 10% das gestações a cada ano. A gestante sofre várias alterações hormonais ao longo dos nove meses de desenvolvimento do feto. Você descobrirá a seguir o que é e o que causa a diabetes gestacional, além de conferir seus fatores de risco, sintomas e muito mais.

Durante a gravidez, o organismo passa a produzir uma maior quantidade de insulina, responsável por transportar a glicose dos alimentos até as células. Isso acontece com intensidade no último trimestre da gravidez, quando a mulher precisa ingerir uma quantidade maior de carboidratos para que a criança se desenvolva bem.

Atualmente, são identificados 3 tipos de diabetes: tipo 1, que torna uma pessoa dependente de insulina e que é caracterizada pela destruição autoimune das células beta do pâncreas; tipo 2, que representa cerca de 90% dos casos e advém da resistência que o organismo tem à insulina e a diabetes gestacional, que se manifesta durante a gestação e que ocorre quando há a elevação dos níveis de glicose na corrente sanguínea. Aprenda mais sobre os métodos para identificar a diabetes.

O primeiro hábito que deve ser modificado para evitar diabetes na gestação é a alimentação, que serve de ferramenta para controlar e manter o nível de açúcar no sangue. Uma dieta para diabetes gestacional deve priorizar alimentos naturais e integrais, limitando ao máximo o consumo de carboidratos refinados, açúcares e alimentos processados. Conheça mais as dicas de dieta para diabetes gestacional.

A diabetes é uma doença considerada como um problema de saúde global e que afeta pessoas de todas as idades. Ela pode ser desenvolvida durante a infância ou até mesmo na idade adulta, e quando diagnosticada, diversas mudanças na alimentação e estilo de vida devem ser feitas para evitar mais danos à saúde e promover a qualidade de vida. Descubra mais sobre os remédios naturais para o controle de diabetes.

Uma vez diagnosticada, é necessário um acompanhamento regular para o gerenciamento correto da doença, pois se não for administrada pode aumentar o risco de complicações para a mãe e seu bebê durante a gravidez e o parto.

Se o assunto te interessa, obtenha informações sobre a diabetes gestacional, saiba o que é, como é diagnosticado e quais valores determinam a doença, sintomas, tratamento, dieta adequada, dicas e muito mais.

Diabetes gestacional – O que é?

Diabetes gestacional é uma condição que ocorre apenas em mulheres grávidas. A doença pode ser desenvolvida na gravidez, ou pode acontecer um leve caso não diagnosticado antes, que piora quando a mulher está grávida.

A questão é que durante a gestação o corpo muda a forma de usar a insulina, que é um hormônio responsável por converter os alimentos que ingerimos em glicose ou açúcar. Uma vez convertido, o organismo utiliza como energia. A gravidez naturalmente torna o corpo mais resistente à insulina, pois isso ajuda a fornecer ao bebê mais glicose. Embora seja um processo normal, em algumas mulheres ele falha e o corpo para de responder à insulina ou não produz ou não usa de forma eficaz, e essa condição leva a um quadro de muito açúcar no sangue, que causa diabetes na gravidez.

Qualquer complicação nesse período é preocupante, mas há boas notícias. As mulheres grávidas podem ajudar a gerenciar a diabetes adotando algumas mudanças na alimentação e estilo de vida, e se necessário, o médico responsável pode receitar medicamentos, pois controlar o nível de açúcar no sangue é essencial para manter a saúde de ambos e prevenir complicações no parto.

Depois da gravidez, geralmente a condição volta ao normal, mas existe o risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, então é necessário continuar a monitorar e gerenciar os níveis de açúcar no sangue.

O que causa diabetes gestacional?

Ainda não existe uma causa específica para diabetes gestacional, mas sabe-se que os hormônios provavelmente desempenham um papel importante nesse quadro, pois durante a gestação o corpo produz quantidades maiores de alguns hormônios, incluindo o lactogênio placentário humano (hPL) e hormônios que aumentam a resistência à insulina.

Esses hormônios afetam a placenta e ajudam a sustentar a gravidez. Conforme a gestação avança, a quantidade desses hormônios aumenta e a resistência à insulina acontece naturalmente para que mais glicose esteja disponível na corrente sanguínea para ser enviada ao bebê. O fato é que eles podem começar a tornar o corpo resistente à insulina, e se ela se tornar muito forte, os níveis de glicose no sangue podem subir de forma anormal, provocando diabetes gestacional.

Fatores de risco

Diabetes gestacional geralmente afeta entre 2% e 10% das gestações a cada ano. Alguns fatores podem impulsionar esta condição, deixando a mulher mais propensa a doença. Veja abaixo:

  • Obesidade;
  • Estar acima do peso antes de engravidar;
  • Ganhar uma quantidade maior de peso que o normal durante a gravidez;
  • Estar grávida de mais de um bebê;
  • Ter altos níveis de açúcar no sangue, mas não alto o suficiente para ser diabética;
  • Ter histórico familiar de diabetes;
  • Teve diabetes gestacional antes;
  • Ter pressão alta ou outras complicações médicas
  • Ter dado à luz um bebê acima de 4 quilos antes;
  • Ter dado à luz um bebê que nasceu natimorto ou tinha certos defeitos congênitos;
  • Ter síndrome do ovário policístico, acantose nigricans, ou outras condições que estão associadas com a resistência à insulina.

Sintomas

As mulheres com diabetes gestacional geralmente não apresentam sintomas. A maioria costuma receber o diagnóstico após os exames de rotina realizados para acompanhar a gestação. Mas, especialmente se a diabetes gestacional estiver descontrolada, alguns sintomas podem ser experimentados, entre eles:

  • Sentir mais sede que o normal;
  • Sentir mais fome, mesmo comendo uma quantidade maior de comida;
  • Aumento da micção, ou seja, a necessidade de urinar mais.

Outros sintomas que podem ocorrer são a fadiga e a visão embaçada.

Como a diabetes gestacional é diagnosticada?

As mulheres grávidas costumam realizar exames em busca de sinais de diabetes gestacional. Se a mulher não tem histórico médico relevante para diabetes e se os níveis de açúcar no sangue estão normais no início de sua gravidez, provavelmente o médico recomendará novos exames entre as semanas 24 e 28 da gravidez. Além do exame comum de glicemia, outro exame que pode ser solicitado durante a gestação é o teste de desafio da glicose que pode ser feito em uma etapa ou em duas etapas. 

A recomendação da American Diabetes Association é de que os níveis de glicose sejam monitorados durante toda a gestação para evitar complicações.

Valores de referência

Teste de desafio de glicose: nesse teste, é necessário beber uma solução de glicose e depois de uma hora é coletada uma amostra de sangue. Se o nível de açúcar no sangue estiver alto, o médico pode realizar um teste oral de tolerância à glicose de três hora, que é considerado um teste em duas etapas. Entenda com mais detalhes o que esses testes detectam. 

Teste em uma etapa: para fazer esse teste é preciso tomar uma solução contendo 75 gramas de glicose em jejum e uma amostra de sangue é coletada e testada após uma hora da ingestão da bebida.

O diagnóstico de diabetes gestacional será feito se a gestante apresentar algum dos seguintes valores de açúcar no sangue:

  • Nível de açúcar no sangue em jejum maior ou igual a 92 miligramas por decilitro (mg / dl).
  • Nível de açúcar no sangue em uma hora maior ou igual a 180 mg/dl.
  • Nível de glicemia de duas horas maior ou igual a 153 mg / dl.

Teste em duas etapas: no teste em duas etapas não é preciso estar em jejum e a grávida deve beber uma solução com 50 gramas de glicose. Cerca de uma hora depois os níveis de açúcar são medidos. 

Caso o resultado desse teste seja maior ou igual a 130 mg / dl ou 140 mg / dl, o médico pode pedir um outro teste de confirmação alguns dias depois. 

Para essa contraprova, será preciso estar em jejum e tomar uma solução de 100 g de glicose. Em seguida, os níveis de açúcar no sangue serão medidos três vezes: 1 hora, 2 horas e 3 horas depois de tomar a bebida açucarada.

O diagnóstico de diabetes gestacional é positivo quando a grávida apresenta ao menos dois dos seguintes valores de açúcar no sangue:

  • Nível de açúcar no sangue em jejum maior ou igual a 95 mg/dl ou 105 mg/dl.
  • Nível de açúcar no sangue em uma hora maior ou igual a 180 mg/dl ou 190 mg/dl.
  • Nível de glicemia de duas horas maior ou igual a 155 mg/dl ou 165 mg/dl.
  • Nível de glicemia de três horas maior ou igual a 140 mg/dl ou 145 mg/dl.

Complicações

Os bebês gerados por mulheres com diabetes na gravidez geralmente nascem saudáveis. Mas, quando a condição não é cuidadosamente gerenciada, pode levar a níveis descontrolados de açúcar no sangue e causar problemas, incluindo uma maior probabilidade de precisar fazer uma cesariana ao invés do parto normal.

– Complicações que podem afetar o bebê 

  • Excesso de peso ao nascer: A glicose extra na corrente sanguínea atravessa a placenta, o que faz com que o pâncreas do bebê produza mais insulina e isso pode fazer com que ele cresça além do normal. Um bebê muito grande está mais predisposto a ficar com os ombros presos durante o parto;
  • Síndrome do desconforto respiratório: Bebês nascidos precocemente podem experimentar síndrome do desconforto respiratório, que é uma condição que dificulta a respiração. Eles podem precisar de ajuda para respirar até que seus pulmões amadureçam e se tornem mais fortes. Essa condição pode acontecer até em partos realizados dentro do período normal e não apenas nos prematuros;
  • Baixo nível de açúcar no sangue (hipoglicemia): Às vezes bebês podem desenvolver baixo nível de açúcar no sangue logo após o nascimento, porque a produção de insulina é alta. Episódios graves de hipoglicemia podem provocar convulsões no bebê;
  • Diabetes tipo 2 mais tarde na vida: Bebês de mães que têm diabetes gestacional têm um risco maior de desenvolver obesidade e diabetes tipo 2 futuramente. Sem contar que a diabetes gestacional não tratada pode resultar na morte do bebê antes ou logo após o nascimento.

– Complicações que podem afetar a gestante

  • Pressão arterial alta e pré-eclâmpsia: O diabetes gestacional aumenta o risco de pressão alta, assim como a pré-eclâmpsia.
  • Diabetes futura: É mais provável que a mulher que teve diabetes gestacional desenvolva diabetes tipo 2 à medida que envelhece. Estatisticamente, menos de 1 em 4 mulheres com histórico de diabetes gestacional que atingem o peso corporal ideal após o parto desenvolvem diabetes tipo 2.

Tratamento

Após o diagnóstico, geralmente a diabetes gestacional é dividida em duas classes. A classe A1 é usada para descrever a diabetes gestacional que pode ser controlada apenas com a dieta. Já a classe A2 precisará de insulina ou medicamentos orais para controlar a condição, e esses serão receitados pelo médico, de acordo com cada paciente.

Segundo dados da Mayo Clinic, apenas 10 a 20% das mulheres diagnosticadas com diabetes gestacional precisam de insulina para controlar o quadro diabético.

Na maioria dos casos, o médico irá aconselhar testar o seu nível de açúcar no sangue antes e depois das refeições, e a controlar a sua condição comendo de forma saudável e fazendo exercício regularmente. Por isso, veja qual a dieta recomendada para esta condição:

Dieta

Manter uma dieta saudável e equilibrada pode ajudar a controlar os sintomas sem precisar de medicação. Em geral, a dieta costuma incluir proteína e a combinação certa de carboidratos e gorduras, pois muitos carboidratos podem levar a picos de açúcar no sangue.

Uma dieta saudável consiste em ingerir alimentos variados e saudáveis como frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras. Quanto mais nutrientes e fibras você incluir na sua dieta, mais fácil será controlar a sua glicemia. A limitação de carboidratos refinados também é super importante para que a diabetes gestacional seja controlada. Veja abaixo mais detalhes sobre a alimentação mais adequadas para você nessa etapa:

– Alimentação saudável básica

  • Coma proteína em todas as refeições;
  • Inclua diariamente frutas e legumes em sua dieta;
  • Menos da metade de calorias deve vir de carboidratos;
  • 35% ou menos da dieta deve ser composta de gordura;
  • Limite ou evite alimentos processados;
  • Preste atenção ao tamanho das porções para evitar excessos.

– Carboidratos

As mulheres grávidas devem consumir um total diário de 120 a 195g de carboidratos. Isso deve estar distribuído em cerca de 3 refeições e 2 lanches por dia que devem ser espaçados ao longo do dia. A distribuição adequada de alimentos ricos em carboidratos ajudará a evitar picos de açúcar no sangue.

Opções de carboidratos saudáveis ​​incluem:

  • Grãos integrais;
  • Arroz integral;
  • Feijão, ervilha, lentilha e outras leguminosas;
  • Vegetais;
  • Frutas com baixo teor de açúcar.

– Proteína

As mulheres grávidas devem ingerir pelo menos 60g de proteína por dia. Boas fontes de proteína incluem carnes magras, aves, ovos, peixes e tofu. Cerca de duas ou três porções de proteínas magras por dia é o suficiente em uma dieta equilibrada. Vale lembrar que leguminosas e vegetais também são boas fontes de proteínas.

– Gorduras

Gorduras saudáveis​​ incluem nozes sem sal, sementes, azeite, abacate e peixes. Boas fontes de gordura – como o ômega 3, por exemplos – são essenciais para a absorção de vitaminas lipossolúveis pelo organismo e para o desenvolvimento adequado do feto.

– Composição das refeições

Inclua muitos alimentos frescos e limite a ingestão de carboidratos e alimentos processados. Procure montar o seu prato ou refeição com 25% de proteína, 25% de amido e 50% de alimentos não amiláceos, como legumes ou salada. Estas são diretrizes gerais de dieta para diabetes gestacional, mas o ideal é buscar orientação nutricional para um plano de alimentação personalizado.

– Alguns alimentos para consumir nos lanches e refeições

  • Vegetais frescos ou congelados, especialmente os que são cozidos no vapor;
  • Ovos ou claras de ovo;
  • Aveia;
  • Fruta fresca;
  • Peitos de frango sem pele;
  • Carne magra;
  • Peixe assado;
  • Pipoca;
  • Iogurte grego sem açúcar;
  • Experimente também bebidas proteicas, sopas de vegetais e muito mais.

– Alimentos para evitar

Evite alimentos altamente processados, como pão branco e, em geral, qualquer coisa que tenha muito açúcar, como por exemplo:

  • Fast food;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Bolos;
  • Frituras;
  • Bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos e outros;
  • Doces;
  • Alimentos ricos em amido, como batatas brancas e arroz branco.

Dicas

Outros passos devem ser adotados para garantir uma gravidez saudável e gerenciar a diabetes gestacional.

1. Faça o pré-natal corretamente

O acompanhamento da gestação por um profissional capacitado é fundamental em todos os casos, mas quando a mulher é diagnosticada com diabetes gestacional, essa rotina torna-se ainda mais importante.

Monitorar a sua diabetes durante a gestação é muito importante não só para a sua saúde, mas também para a saúde do bebê que precisa receber nutrientes e energia para se desenvolver bem.

Além disso, não deixe de seguir todas as recomendações relacionadas à ingestão de vitaminas, alimentos e outros hábitos importantes neste período.

2. Consulte um profissional para uma dieta customizada

Um profissional especializado ou nutricionista pode ajudar a montar um cardápio adequado com todos os alimentos apropriados para gerenciar a diabetes na gravidez e garantir uma gestação mais saudável e com menos riscos.

Apesar de uma dieta saudável e equilibrada funcionar para a maioria das pessoas, na diabetes gestacional é preciso ter um acompanhamento mais de perto para saber o que realmente funciona para você. Isso vai garantir que tanto você quanto o seu bebê recebam os nutrientes na hora certa.

3. Exercite-se regularmente

O exercício antes e durante a gravidez pode ajudar a protegê-la do desenvolvimento de diabetes gestacional. Realizar uma atividade como uma caminhada moderada por 30 minutos, na maioria dos dias da semana, já é uma boa maneira de se manter ativa.

Se você não conseguir encaixar um único treino de 30 minutos no seu dia, várias sessões mais curtas podem ajudar. Estacione o carro um pouco distante do que o local de costume ou desça do ônibus um ponto antes de chegar ao seu destino. Tenha em mente que esse hábito aumentará as suas chances de se manter saudável e, além disso, o exercício regular também ajudará a manter os níveis de açúcar no sangue estáveis.

Caso se sinta mal praticando atividades físicas, informe seu médico e encontre uma solução para não parar de se exercitar. As vezes, alguns ajustes no horário das refeições ou na composição delas pode ser o suficiente para acabar com o mal estar.

4. Coma a cada duas horas

Para regular os níveis de açúcar no sangue, nunca pule as refeições e procure comer um lanche ou refeição saudável a cada duas horas. Pular refeições pode fazer com que os níveis de açúcar no sangue flutuem, o que dificulta o seu controle.

Comer muito em uma refeição só também pode prejudicar o seu quadro e causar picos de açúcar. O ideal e ter várias refeições pequenas e nutritivas ao longo do dia.

5. Procure perder os quilos em excesso antes da gravidez

Os médicos não recomendam a perda de peso durante a gravidez. Mas se você está planejando engravidar, perder peso extra de antemão pode ajudá-la a ter uma gravidez mais saudável.

A diabetes gestacional nem sempre pode ser evitada, e quando é diagnosticada, uma série de medidas são necessárias para garantir que a doença seja gerenciada, trazendo o mínimo de impacto para a mãe e para o bebê.

Manter um peso saudável e seguir um bom plano nutricional antes e durante a gravidez pode diminuir as chances de desenvolver diabetes gestacional, além de reduzir a possibilidade de desenvolver diabetes tipo 2 após a gravidez.

Vídeo:

Gostou das dicas?

Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar da diabetes gestacional? Foi diagnosticada com essa condição enquanto estava grávida? Que tratamento o médico recomendou? Comente abaixo!

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