Amamentar Pode Reduzir o Risco de Diabetes do Tipo 2 em Mulheres com Diabetes Gestacional, Afirma Estudo

Especialista:
atualizado em 04/08/2020

A gente sempre ouve falar muito em diabetes do tipo 1 e da diabetes do tipo 2, mas existe um terceiro tipo de diabetes que merece a nossa atenção e preocupação: a diabetes gestacional.

Como o próprio nome já indica, trata-se de uma diabetes que é desenvolvida ao longo da gravidez, geralmente na última metade da gestação. Embora os níveis de glicose no sangue da paciente retornam ao normal após o nascimento do neném, ter diabetes gestacional traz riscos tanto para a criança quanto para a mãe.

Os pesquisadores ainda não sabem por qual motivo algumas mulheres desenvolvem a condição, entretanto, isso pode estar associado à interferência que uma gravidez gera no processamento de glicose por parte do organismo.

Normalmente, os alimentos consumidos por meio da dieta são digeridos e dão origem à glicose, que chega à corrente sanguínea. Isso gera uma resposta do pâncreas: a produção de insulina, um hormônio que ajuda a tirar a glicose do sangue e transportá-las para as células, onde serão utilizadas como energia.

No entanto, durante uma gestação, a placenta produz níveis elevados de diversos outros hormônios – a maior parte deles atrapalha a ação da insulina nas células, o que resulta no aumento das taxas de glicose no sangue.

Embora uma elevação modesta nesses níveis de glicose no sangue após as refeições seja normal ao longo de uma gravidez, conforme o neném cresce a placenta produz cada vez mais hormônios que se contrapõem ao trabalho da insulina.

Quando há um quadro de diabetes gestacional, o que houve é que os hormônios da placenta geraram um aumento nos níveis de glicose do sangue suficiente para interferir com o crescimento e bem-estar do neném.

Uma grávida com diabetes gestacional tem maiores riscos de dar à luz um bebê com excesso de peso (o que pode dificultar um parto natural ou exigir uma cesariana) ou de ter um parto prematuro, o que traz o perigo de que o neném desenvolva a síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido.

A criança também pode ter hipoglicemia (níveis baixos de glicose no sangue) pouco depois do parto ou ter mais chances de desenvolver obesidade ou diabetes do tipo 2 futuramente em sua vida. Uma diabestes gestacional não tratada ainda pode resultar no falecimento do neném antes ou logo depois do seu nascimento.

Para a mãe, a condição pode gerar complicações como pressão arterial elevada e pré-eclâmpsia, além de aumentar as chances de que ela tenha novamente a diabetes gestacional em uma futura gravidez ou que desenvolva a diabetes do tipo 2 entre 10 anos a 20 anos depois da gestação.

A amamentação pode contribuir com as estratégias de prevenção

Uma análise conduzida por pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e de outras instituições apontou que quanto maior for o período pelo qual uma mulher amamentar o seu neném, menores serão os riscos de que ela desenvolva a diabetes do tipo 2 futuramente em sua vida.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram dados do Nurses’ Health Study II (Estudo II da Saúde das Enfermeiras, tradução livre) – um estudo de longo prazo a respeito dos fatores de risco para doenças crônicas em mulheres.

Os pesquisadores observaram que entre as mais de 4 mil mulheres que participaram do estudo e tiveram diabetes gestacional, 873 delas desenvolveram a diabetes do tipo 2 dentro de um período de 25 anos.

Eles também identificaram que em comparação com as mulheres com diabetes gestacional que não amamentaram, as participantes que amamentaram entre seis a 12 meses eram 9% menos propensas ao desenvolvimento da diabetes do tipo 2, ao passo que as mulheres que amamentaram ao longo de um a dois anos eram 15% menos propensas a ter a doença e aquelas que amamentaram durante mais do que dois anos eram 27% menos propensas a sofrer com a condição.

Com isso, a amamentação que é encorajada, sempre que possível, por ser essencial para a saúde dos bebês, ganhou então uma motivação a mais para as mamães que sofrem com a diabetes gestacional em sua gravidez.

A pesquisa foi liderada pela pesquisadora sênior do Instituto Nacional Eunice Kennedy Shriver de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano, Cuilin Zhang, e publicada na revista acadêmica Diabetes Care (Cuidados da Diabetes, tradução livre).

Mas atenção: embora o estudo apresente um benefício extra da amamentação para a saúde das mamães que sofreram com a diabetes gestacional, ele não pode servir como justificativa para que essas mulheres abandonem os outros cuidados recomendados pelo médico para prevenir o desenvolvimento da diabetes do tipo 2 futuramente em suas vidas.

Esses cuidados incluem seguir um estilo de vida saudável, com a prática de exercícios físicos com frequência e a adesão a uma alimentação saudável. Se você tem ou já teve diabetes gestacional em uma gravidez, converse com o médico para saber tudo o que deve fazer para diminuir ao máximo as chances de desenvolver a diabetes do tipo 2 mais tarde em sua vida.

Além da diabetes não ter cura hoje e exigir tratamento e cuidados contínuos ao longo da vida, ela traz o risco de complicações como doença no coração, acidente vascular cerebral (AVC), pressão alta, aterosclerose, danos nos nervos, problemas nos rins, danos nos olhos, audição prejudicada, apneia do sono e doença de Alzheimer.

Ou seja, é realmente importante fazer tudo o que for possível para passar longo da doença ao longo da vida. As informações são dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e da Mayo Clinic, organização da área de serviços médicos e pesquisas médico-hospitalares dos Estados Unidos.

Referências adicionais:

Você já tinha ouvido falar diabetes gestacional e conhece alguém que tenha passado por isso? Se já foi mãe, amamentou seu filho até quantos anos? Comente abaixo!

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