Azeite de Dendê Faz Mal?

Conhecido dos baianos, utilizado na fritura do famoso acarajé, para dar sabor a alimentos refogados e na preparação da moqueca baiana, será verdade que o azeite de dendê faz mal?

Além do que já citamos acima, o azeite de dendê, também conhecido como óleo de palma, pode ser empregado na produção de alimentos industrializados como pães, bolos, tortas, biscoitos e, inclusive, da famosa e queridinha Nutella.

Como se não bastasse, o ingrediente também pode ser utilizado na preparação de produtos não alimentícios como sabões, sabonetes, sabão em pó, detergentes e amaciantes de roupas biodegradáveis.

O produto é obtido a partir do esmagamento das sementes de uma palmeira chamada dendezeiro, que é típica da África, porém, foi trazida pelos portugueses para o Brasil no período da colonização do nosso país.

Para a preparação do azeite de dendê, os frutos da palmeira dendezeiro são colhidos e cozinhados na água ou no vapor para que ocorra a separação entre as polpas e as sementes destes frutos. Depois disso, as polpas são pressionadas e é aí que o óleo de palma ou azeite de dendê é liberado.

O resultado é um óleo alaranjado, da mesma coloração dos frutos da palmeira dendezeiro, que origina o azeite de dendê.

Mas será que o azeite de dendê faz mal?

Um dos malefícios atribuídos ao azeite de dendê é o fato dele servir como fonte de gorduras ruins para o organismo. Teoricamente, não se deve consumir mais do que uma colher de sopa do óleo justamente porque ele é composto por gorduras que provocam o crescimento dos níveis de colesterol no organismo.

Por outro lado, o Jornal Hoje noticiou no ano de 2010 que uma pesquisa conduzida na Bahia pela Escola Baiana de Medicina, que foi publicada em uma revista científica internacional, demonstrou que a ingestão de uma quantidade moderada do óleo de dendê diminuiu os níveis de colesterol e triglicerídeos.

Segundo o Jornal Hoje, durante a pesquisa, um grupo de jovens da faixa etária dos 20 anos de idade, que não tinha níveis elevados de gordura no sangue ou sobrepeso, ingeriu ao longo de duas semanas uma porção correspondente a duas colheres de chá de óleo de dendê diariamente, que era fervido durante somente cinco minutos antes de ser consumido.

O resultado? Os participantes registraram uma diminuição de 4% nos níveis totais de colesterol e de 11% nas taxas de triglicerídeos. Entretanto, o jornal também ressaltou que cientistas alertam que, para o óleo de dendê fazer bem, o ingrediente deve ser consumido sem exageros.

A pesquisadora Ana Marice Ladeia conversou com a equipe do Jornal Hoje e aconselhou que o óleo de dendê deve ser acrescentado aos alimentos no final da preparação, sendo submetido a um tempo mínimo de cozimento, simplesmente para dar o sabor do dendê aos pratos.

Se você sofre com problemas de colesterol, não utilize o azeite de dendê para tentar ajudar a tratar a condição antes de conversar com o seu médico. Lembre-se de que a pesquisa mencionada acima foi realizada com jovens de 20 anos que não tinham taxas elevadas de gordura no sangue – o colesterol é definido como um tipo de gordura.

Outros estudos apontaram o aumento do colesterol ruim com o uso do óleo de palma

Em artigo publicado no Authority Nutrition/Healthline, a nutricionista Franziska Spritzler afirmou que, ainda que a maioria das pesquisas apontem para um efeito protetivo do óleo de palma em relação à saúde do coração, outros indicaram resultados conflitantes neste sentido.

A nutricionista mencionou um estudo do ano de 2009, realizado por um pesquisador da Tailândia, ao lado de seus colegas, que foi conduzido em mulheres com colesterol elevado e demonstrou que os níveis do colesterol ruim ou LDL pequeno e denso – um tipo de colesterol associado à doença cardíaca que também é chamado de sdLDL – aumentaram na presença do óleo de palma e diminuíram na presença de outros óleos.

Entretanto, quando houve uma combinação entre o óleo de palma e o óleo de farelo de arroz, foi registrada uma redução nas taxas do colesterol sdLDL.

Spritzler citou ainda outra pesquisa – do ano de 2016, feita por cientistas da Malásia e do Japão – que apontou que o sdLDL não foi alterado no grupo que consumiu o óleo de palma, enquanto as partículas grandes do colesterol ruim ou LDL aumentaram.

“Partículas grandes do LDL (colesterol ruim) são consideradas menos prováveis de causar ataques no coração do que as partículas pequenas e densas do LDL”, afirmou a nutricionista.

Ela também relatou que existem outros estudos que indicam elevações nos níveis do colesterol ruim ou LDL em decorrência do consumo de óleo de palma. No entanto, segundo Spritzler, nesses estudos os tamanhos das partículas de LDL não foram medidos.

“É importante notar que esses são apenas fatores de riscos potenciais e não evidências de que o óleo de palma faz mal realmente por causar doença no coração. Entretanto, um estudo com animais sugeriu que o consumo do óleo que foi repetidamente reaquecido pode causar depósitos de placa nas artérias por conta de uma diminuição na atividade antioxidante do óleo”, ponderou a nutricionista.

Conforme Spritzler, quando ratos consumiram comidas com óleo de palma que havia sido reaquecido 10 vezes, eles desenvolveram grandes depósitos de placa arterial e outros sinais de doença no coração ao longo de seis meses, enquanto os ratos que receberam o óleo de palma fresco não desenvolveram esse tipo de problema.

Vitamina A

Por outro lado, vale ressaltar que o azeite de dendê não é totalmente negativo – quando consumido cru, o ingrediente serve como uma rica fonte de vitamina A, sendo excelente para a saúde dos olhos e a beleza da pele.

O azeite de dendê e o azeite de oliva

A única vantagem nutricional do azeite de dendê em relação ao azeite de oliva é justamente o fato do primeiro carregar mais vitamina A do que o segundo.

Entretanto, é um mito afirmar que o azeite de dendê e o azeite de oliva carregam os mesmos benefícios, pois o azeite de dendê contém bem mais gorduras saturadas.

Em 2006, a médica Celeste Robb-Nicholson explicou no site da Escola Médica da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que o fato de óleo de palma ou azeite de dendê não ser tão ruim quanto as gorduras trans não o torna um alimento saudável.

De acordo com especialistas de nutrição de Harvard, o óleo de palma é melhor do que as gorduras vegetais ricas em gorduras trans – mas os óleos vegetais que são naturalmente líquidos em temperatura ambiente como o azeite de oliva ainda devem ser a sua primeira escolha.

Segundo Robb-Nicholson, o óleo de palma é semissólido em temperatura ambiente, porém, pode ser processado em um óleo de cozinha líquido.

Que tal conhecer qual é o melhor óleo para cozinhar? Isso pode te ajudar a fazer melhores escolhas a partir de agora.

E qual é o problema com as gorduras saturadas?

Vimos no tópico acima que o azeite de dendê contém bem mais gorduras saturadas que o azeite de oliva. Um artigo do site da Escola Médica de Harvard classificou as gorduras saturadas como as gorduras do “meio termo”, ou seja, nem boas, nem ruins.

Segundo a publicação, uma dieta rica em gorduras saturadas pode elevar os níveis totais de colesterol e aumentar o colesterol ruim, também chamado de LDL, que incita a formação de bloqueios nas artérias do coração e outros locais do corpo.

Conforme a Escola Médica de Harvard, é por esse motivo que a maioria dos especialistas em nutrição recomenda limitar o consumo de gorduras saturadas a um teor correspondente a menos de 10% das quantidades consumidas diariamente.

Uma meta-análise de 21 estudos indicou que não existem evidências suficientes para concluir que a gordura saturada aumenta o risco de ter doenças cardíacas, mas que trocar as gorduras saturadas pelas gorduras poli-insaturadas, que são consideradas gorduras boas, pode sim diminuir as chances de ter doença cardíaca.

Ainda de acordo com o artigo da Escola Médica de Harvard, outros dois grandes estudos concluíram que trocar a gordura saturada pela gordura poli-insaturada ou por carboidratos ricos em fibras é a melhor forma de diminuir os riscos de desenvolvimento de doença no coração, mas que substituir a gordura saturada por carboidratos altamente processados poderia gerar o efeito contrário.

O favorecimento ao aumento do peso corporal

Em artigo publicado no site Livestrong, a nutricionista e bacharela em ciência alimentar Marie Dannie afirmou que o óleo de palma é naturalmente composto por uma substância chamada de ácido palmítico, que pode aumentar as chances de ganho de peso e obesidade.

De acordo com a bacharela em ciência alimentar, uma pesquisa de 2005, que apareceu no American Journal of Clinical Nutrition, estudou os efeitos gerais de uma alimentação rica em ácido palmítico em jovens adultos.

“O estudo identificou que um aumento na ingestão de ácido palmítico gerou menores taxas de oxidação de gordura e uma diminuição no metabolismo. Como resultado, os pesquisadores concluíram que uma dieta rica em ácido palmítico pode aumentar as chances da obesidade e da resistência à insulina”, declarou a nutricionista Marie Dannie.

Gastrite

Em 2012, o nutricionista Edilson Andrade Neiva respondeu a algumas dúvidas de internautas do Voz da Bahia – uma das perguntas questionava justamente se o azeite de dendê faz mal para a saúde.

Andrade Neiva explicou que o azeite de dendê pode fazer mal para quem sofre com a gastrite, especialmente a gastrite aguda, graças ao fato de possuir um alto teor de lipídeos.

O azeite de dendê faz mal para os cabelos loiros

Apesar do azeite de dendê ser utilizado para hidratar e dar brilho aos fios dos cabelos, o ingrediente não pode ser aplicado nos fios dos cabelos loiros porque traz o risco de poder modificar a coloração dos cabelos loiros.

Problemas ambientais

Em seu artigo no Authority Nutrition/Healthline, a nutricionista Franziska Spritzler destacou que é previsto que o desmatamento tenha efeitos devastadores em relação ao aquecimento global e que a destruição de paisagens nativas provoca mudanças no ecossistema que ameaçam a saúde e a diversidade da fauna selvagem.

“Também houve relatos de violações dos direitos humanos por corporações do óleo de palma, como liquidar terras e florestas sem permissão, pagar salários baixos, prover condições de trabalho inseguras e reduzir significativamente a qualidade de vida”, completou Spritzler.

A boa notícia, segundo a nutricionista, é que existem alternativas mais éticas e sustentáveis para a produção do óleo. Tanto que, no ano de 2015, uma análise identificou que limitar a expansão de novas plantações de óleo de palma para áreas sem floresta com baixos estoques de carbono poderia reduzir a emissão de gases com efeito estufa em até 60%, segundo Spritzler.

Ela também citou a Roundtable on Sustainable Palm Oil (Mesa Redonda para o Óleo de Palma Sustentável, tradução livre, RSPO, sigla em inglês), uma organização que visa tornar a produção de óleo de palma a mais ecologicamente correta, culturalmente adaptada e sustentável possível.

Referências adicionais:

Você já tinha ouvido falar que o azeite de dendê faz mal? Costuma consumir regularmente este tipo de óleo na sua cozinha? Comente abaixo!

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