Barriga Grande Mas Não É Gordo? Por Que Isso Pode Acontecer e 5 Dicas Para Melhorar

Especialista:
atualizado em 13/07/2020

O que determina se uma pessoa é gorda? É o fato dela estar acima do peso e apresentar um Índice de Massa Corporal (IMC) entre 25 e 29,9 – categoria do sobrepeso – ou a partir de 30 – que já entra na categoria da obesidade? Ou é o tamanho da barriga de alguém que define se essa pessoa é gorda ou não?

Existem pessoas que apesar de não estarem necessariamente acima do peso e terem pernas e braços finos, apresentam uma barriga protuberante, distendida e inchada, com uma circunferência abdominal desproporcional. Ao tocar nessa barriga, percebe-se até que ela é dura.

Mas por que será que a barriga pode ficar desse jeito? Na maioria dos casos, isso pode estar associado a um mau funcionamento do fígado, o que pode ocorrer em decorrência de hábitos que fazem mal ao fígado. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas de problemas no fígado.

Entretanto, na maioria dos casos existem situações em que o problema não é o fígado – a única forma de confirmar a causa exata do problema é procurar o auxílio médico.

Por que os problemas no fígado podem deixar a barriga grande?

Problemas como fígado inchado, gordura no fígado ou inflamação no fígado provocam um mau funcionamento do órgão. Em alguns casos, as células do fígado são substituídas por células de cicatrização que não são capazes de cumprir o papel do órgão.

Resultado: ocorre o extravasamento de alguns fluídos para a cavidade abdominal, o que faz com que a região fique distendida. Como não é necessariamente a gordura que foi acumulada ali, mas sim o vazamento de líquidos do organismo, a barriga ganha um aspecto duro.

O que fazer para melhorar a saúde do fígado e evitar essa barriga grande e dura?

Como foi ressaltado, para quem já desenvolveu uma barriga protuberante, distendida e dura, o melhor a se fazer é procurar o auxílio médico para verificar se desenvolveu um problema no fígado, saber exatamente qual é o quadro e qual tratamento deve ser seguido para sanar ou controlar o problema.

Se o problema não for hepático, o médico poderá identificá-lo e recomendar como tratar a condição em questão.

Além disso, existem algumas estratégias que ajudam a melhorar a saúde do fígado e a evitar que se chegue a esse ponto:

1. Não consumir bebidas alcoólicas

Sim, até mesmo a cervejinha e o vinho prejudicam o funcionamento do fígado. Por isso, especialmente para quem já tem alguma suspeita ou confirmação de problema de saúde relacionado ao fígado, a recomendação é se abster do álcool.

Como o álcool não pode ser armazenado pelo organismo, da mesma forma que acontece com os carboidratos, as proteínas e as gorduras, ao ser ingerido ele passa na frente das outras substâncias para ser metabolizado.

O corpo precisa focar-se nele, o que obriga o organismo a deixar os outros processos de lado, e o fígado é justamente o órgão responsável pelo processo de desintoxicação e por remover o álcool do sangue. Portanto, um consumo excessivo de álcool sobrecarrega o fígado.

É por meio de um processo chamado de oxidação que o fígado remove o álcool do sangue. Quando esse processo é finalizado, o álcool ganha a forma de água e dióxido de carbono. Por outro lado, como a substância tóxica que é, se ficasse acumulado no organismo, o álcool poderia destruir células e, eventualmente, órgãos – é justamente isso que o metabolismo oxidativo impede que aconteça.

No entanto, quando é ingerida uma quantidade muita alta de álcool para o fígado processar em tempo hábil, o metabolismo oxidativo do álcool gera moléculas que inibem a oxidação de gorduras, o que pode resultar no desenvolvimento de fígado gorduroso.

O fígado gorduroso é o estágio inicial da doença hepática alcoólica, ao passo que a ingestão contínua de bebida alcoólica pode provocar a fibrose hepática (formação anormal de tecido cicatricial no fígado) e a cirrose (lesão hepática crônica).

Enquanto o fígado gorduroso pode ser revertido com a abstenção completa de álcool, a cirrose é irreversível e pode resultar em uma insuficiência hepática, mesmo que o paciente abandone as bebidas alcoólicas.

Além disso, o abuso de bebidas alcoólicas pode resultar no crescimento de bactérias no intestino. Eventualmente, essas bactérias podem migrar para o fígado e gerar uma lesão hepática. Isso sem contar que consumir muito álcool está associado ao desenvolvimento de câncer no fígado.

2. Diminuir a quantidade de carboidratos refinados da dieta

O grupo dos carboidratos refinados é composto pelo pão branco, macarrão branco, batata branca, itens de padaria e confeitaria como doces e sobremesas e açúcar de maneira geral

Eles estão associados a uma produção elevada de insulina – ao ter tanto hormônio no organismo, poderá ser desenvolvida uma resistência periférica a essa insulina e uma síndrome metabólica, que pode resultar no acúmulo de gordura no fígado. Trata-se da doença hepática gordurosa não alcoólica.

Isso não significa necessariamente adotar uma dieta low carb, mas sim escolher carboidratos mais saudáveis e de absorção mais lenta para as refeições, como das frutas de baixo índice glicêmico, dos legumes, das verduras, de leguminosas como grão-de-bico, feijão, ervilha e lentilha e dos grãos integrais.

3. Controlar a ingestão de proteínas

As proteínas são importantíssimas para o organismo, entretanto, é necessário tomar cuidado para não exagerar no consumo do nutriente porque o excesso de proteínas também precisa ser metabolizado pelo fígado, o que pode sobrecarregar o órgão.

A ideia não é consumir uma dieta pobre em proteínas, mas sim ingerir a quantidade necessária do nutriente. Consulte o nutricionista para saber exatamente quantos gramas de proteínas você deve ingerir diariamente, de modo que não fique com falta do nutriente, mas também não tenha um excesso que prejudique o seu fígado. Esse valor recomendado pode variar de pessoa para pessoa.

4. Ser consciente em relação às gorduras

Quem tem fígado gorduroso não pode ingerir gorduras? Na realidade, o principal cuidado em termos de dieta para controlar o problema é evitar os carboidratos de alto índice glicêmico, como já explicado no segundo tópica desta lista.

Por outro lado, as gorduras saudáveis – gorduras monoinsaturadas, gorduras polinsaturadas e ômega-3 encontrados no abacate, na linhaça, na chia, nas nozes e nos peixes gordos de águas profundas, por exemplo – podem ser consumidas pelas pessoas que sofrem com o fígado gorduroso, dentro das suas necessidades diárias, logicamente. Já as gorduras ruins devem ser evitadas por qualquer pessoa, independente de ter problemas no fígado ou não.

5. Ter consistência e paciência

É importante ter em mente que a dieta voltada para melhorar a saúde do fígado não vai dar resultados de uma hora para a outra, em poucas semanas. Da mesma forma que a barriga protuberante levou um bom tempo para ser desenvolvida, para recuperar-se do problema também vai demorar certo tempo – o período exato varia de pessoa para pessoa.

Por isso é necessário ter paciência e consistência com esse novo padrão de alimentação, mantendo-se firme a ele e evitando cair na tentação de consumir aquilo que não vai ser bom para o fígado. Para conhecer detalhadamente o padrão de dieta em prol da saúde do fígado ideal para o seu caso, procure a orientação de um nutricionista.

Vídeo:

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Fontes e Referências Adicionais:

Você conhece alguém que tem barriga grande mas não é gordo? Você mesmo é assim? Está preocupado com a saúde do fígado agora? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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