Como as Músicas para Academia Afetam Seu Desempenho

Especialista:
atualizado em 16/01/2020

Todos nós usamos a música em uma variedade de formas, para relaxar, celebrar ou mesmo para se concentrar. Se você gosta de correr, provavelmente não é nenhuma surpresa que ouvir música durante os exercícios pode melhorar o seu desempenho. Mas há comprovações científicas e resultados concretos de melhora de performance com as músicas para academia? Há algum tipo de música especial para tal? Os atletas a têm usado como estratégia para alcançar melhores objetivos?

Estudo sobre a psicologia do esporte

O Dr. Costas Karageorghis é um pesquisador da Universidade Brunel (Inglaterra) que tem dedicado suas análises para entender melhor os efeitos psicofísicos e ergogênicos da música no esporte e na prática de exercícios em geral. Para tal, ele lidera a equipe da instituição de ensino onde leciona em Londres. O grupo também realiza a coordenação de música ao vivo em eventos de participação em massa, a exemplo da “Run to the Beat”, meia maratona de Londres. A partir de sua investigação, ele concluiu os seguintes aspectos sobre a relevância da prática esportiva ao som musical:

  • A música reduz a percepção de esforço: Ela pode enganar sua mente para se sentir menos cansado durante um treino, e também, estimular pensamentos positivos. O desempenho de corredores enquanto se exercitam ouvindo música pode ser até 15% melhor. Assim, por exemplo, em um ciclo de 66 minutos, o atleta pode se sentir em um ciclo de 56 minutos com a música. Embora ela não reduza a percepção do esforço durante o exercício muito difícil, pode fazer você se sentir mais positivo em uma alta carga de trabalho, mesmo até o ponto de exaustão.
  • Ela também pode atuar como um sedativo ou um estimulante: Músicas para academia, com um ritmo rápido, podem ser usadas para bombear-nos antes da competição, ou a música mais lenta pode ser usado para acalmar seus nervos e ajudá-lo a se concentrar.
  • O som pode gerar a sensação como se estivesse funcionando no piloto automático: A música ajuda a induzir a atividade das ondas cerebrais alfa, que são responsáveis por nossos sonhos e descansos. Isto leva a um estado conhecido como “fluxo”, que é um estado motivacional máximo em que os desportistas são completamente imersos no que eles estão fazendo.
  • A música é uma ótima maneira de regular ou modular o seu humor: Ela pode melhorar sentimentos positivos, como vigor, felicidade e emoção, ao mesmo tempo em que reduz os sentimentos negativos, tais como tensão, depressão, raiva e fadiga. O pesquisador cita o exemplo de um de seus ex-alunos, o medalhista de ouro olímpico de boxe superpesado Audley Harrison. Ele estava extremamente nervoso e sofria com a ansiedade pré-competição antes dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Ele ouviu uma suave música clássica japonesa. O resultado foi mais tranquilidade no período pré-luta que permitiu-lhe funcionar no seu melhor.
  • As letras também podem contribuir para o seu desemprenho: A música pode nos ajudar a desbloquear imagens de memórias, incluindo imagens heróicas na superação de adversidades. Isto pode ser feito através das letras. O ex-campeão mundial de boxe, Chris Eubank, costumava usar a música de Tina Turner, Simply the Best, devido à mensagem inspirada nas letras. Outro exemplo de atletas que utilizaram o poder de letras para facilitar o seu desempenho foi a maratonista recordista mundial, Paula Radcliffe, que particularmente gosta de ouvir Stronger, de Kanye West. Já em preparação para a Olimpíada de 2004, Dame Kelly Holmes ouviu repetidamente músicas como Fallin’e Killing Me Softly, de Alicia Keys. Essas faixas resumiram o jeito que ela estava sentindo. Elas a ajudaram a bloquear os nervos pré-corrida, o que a levou a alcançar um feito inesperado de ganhar duas medalhas de ouro olímpicas.

Mas é relevante citar que o pesquisador identifica dois tipos de atletas: os de elite, que buscam o estímulo para correr dentro de si mesmos, através da concentração; e os demais atletas, que tendem a buscar estímulo e distração em algo que esteja ocorrendo ao seu redor. Karageorghis acredita que o segundo tipo de atleta é o que mais se beneficiaria do estímulo oferecido pela música por necessitarem de mais estímulo além de sua rotina diária.

A seleção musical científica inglesa

Uma parceria desses cientistas da Universidade Brunel e o serviço de música-streaming Spotify resultou em uma lista de reprodução de músicas para academia para os interessados. Após estudar mais de 6,7 milhões de compilações de fitness, o grupo descobriu quais músicas estão motivando o mundo nesta área.

A lista baseia-se na popularidade global de faixas junto com uma música que se prove a fazer você trabalhar mais com base em seu ritmo (bpm), estilo e conteúdo lírico.

Ela apresenta faixas de Lady Gaga, Katy Perry e Daft Punk. Começa com um aquecimento e leva a uma seção de treinamento de alta intensidade e força, e termina com um baixo quente.

Can’t Hold Us, de Macklemore & Ryan Lewis feat. Ray Dalton, foi a faixa mais frequentemente caracterizada em playlists de treino, seguido de Wake Me Up de Avicii, e ‘Till I Collapse, de Eminem. A lista completa de músicas para academia está no link: https://play.spotify.com/user/spotify/playlist/6iJ9O8TnK67NKl3W6BWLT4 

Ou monte sua seleção com um repertório diverso

Se você quer aderir também à sonoridade brasileira ou variada, e busca mais estímulos para alcançar suas metas e quebrar a rotina dos exercícios, crie uma lista personalizada com as suas músicas para academia favoritas e tire proveito do seu ritmo para chegar cada vez mais longe. Mas, para tal, siga as dicas do Professor Costas Karageorghis ao separar as três formas principais em que você pode usar a música:

1) Pré-tarefa: Escolha a música com um ritmo relativamente lento, de modo que você não queime muita energia psicológica. Ela também precisa ser inspiradora ao optar por um artista associado com a música, a composição da música ou nas letras.

Exemplos:

  • Search For The Hero, de M People – bpm 100
  • Gonna Fly Now (Theme from Rocky) – bpm 97
  • Chariot of Fire, de Vangelis – bpm 70

Tipos de música:

  • Música assíncrona – a música que toca ao fundo enquanto você treina;
  • Música síncrona – combinando o ritmo da música com o andamento do exercício. Esta técnica pode regular o seu movimento e até mesmo reduzir o oxigênio necessário durante o exercício. Isto significa que você utiliza menos energia para a mesma quantidade de trabalho.

2) De forma assíncrona: Nos estágios iniciais de seus exercício, coincida o ritmo da música com a sua frequência cardíaca. Os ideais de bpm são cerca de 5% acima de sua freqüência cardíaca da atividade.

Exemplos:

  • Mercy, de Duffy – bpm 127
  • Don’t Stop the Music, de Rihanna – bpm 123
  • Put Your Hands Up for Detroit, de Fedde Le Grande – 129 bpm

3) Síncrona – Exercite seu ritmo por um minuto. Uma maneira de fazer isso é pedir a um amigo para filmar você. Em seguida, encontre a música que coincida com o ritmo do seu movimento. Você precisa de uma batida muito firme.

Exemplos:

  • Pump It Up, de Danzel – bpm 128
  • I See You Baby, de Groove Armada – bpm 128
  • Don’t Stop Movin’, de S Club 7 – bpm 117

Assim, lembre-se que, para alguns atletas, as músicas para academia são consideradas uma droga legal, sem efeitos colaterais indesejados! Isso significa que, no momento em que seu corpo está gritando ‘PARE’, a música terá o poder de levantar o seu humor e acenar para você. Corra, crie sua seleção e inicie a malhação!

Que músicas para academia são as suas preferidas? Você tem sua playlist criada para os exercícios? Seus estilos musicais preferidos mudam durante os exercícios? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (3 votos, média: 5,00 de 5)
Loading...
Sobre Francisco Santana

Francisco José Santana é Personal Trainer - CREF 1859 G/SE. Formado pela Univer Cidade RJ 2007, com certificação CORE360º treinamento funcional, Certificação Internacional FNS I e II em avaliação funcional, especializações em suplementação nutricional esportiva, Crosstraining - Scientific Sport, Cineantropometria aplicada, Primeiras ações em emergência, Prevenção de Doenças Laborais, Musculação, Ginástica Corretiva, Spinning (Johnny G), Técnica de Tecidos Moles - Miofacial, e Inteligência Emocional - ASICC

Deixe um comentário