Diabético Pode Comer Ovo?

Especialista:
atualizado em 20/12/2019

Um dia os ovos já foram considerados vilões da saúde. Entretanto, com o avanço da medicina, o alimento foi inocentado do título e passou a ser associado a muitos benefícios à saúde. Entre eles, está a melhoria dos níveis de HDL – o colesterol do bem – em pessoas com risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Os ovos também são fontes dos antioxidantes luteína e zeaxantina, que são importantes para a saúde dos olhos e previnem problemas como a degeneração macular e a catarata, fornecem todos os aminoácidos essenciais em proporções ideais para o corpo humano e promovem a sensação de saciedade no organismo.

Isso sem contar que o alimento é fonte de diversos nutrientes como carboidratos, proteínas, potássio, gorduras, vitamina A, vitamina B2, vitamina B5, vitamina B6, vitamina B9, vitamina B12, vitamina D, vitamina E, vitamina K, ferro, cálcio, fósforo, selênio, zinco e magnésio.

Mas será que é todo mundo que pode consumi-lo tranquilamente? Podemos garantir, por exemplo, que o diabético pode comer ovo? Saberemos tudo isso agora.

Diabético pode comer ovo? 

Pesquisas indicaram que o consumo de ovo deve ser feito com precaução por pessoas diagnosticadas com diabetes. Segundo informou o Authority Nutrition, esses estudos apontaram que o consumo do alimento pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças no coração em diabéticos.

Entretanto, tais pesquisas mostram somente uma associação estatística entre o alimento e o risco e não provam que os ovos sejam realmente a causa do problema. Logo, o que temos aqui é uma possibilidade e não uma certeza.

A questão dos carboidratos

A alimentação é uma parte importante no tratamento da diabetes. A dieta de quem sofre com a condição é voltada para o controle dos níveis de glicose no sangue, ou seja, as refeições devem ser compostas por pratos que favoreçam esse controle.

Na hora de escolher os alimentos, as fontes de carboidratos exigem um cuidado especial. Isso porque, pelo fato de serem formados por pequenos blocos de moléculas de açúcar, os carboidratos são quebrados pelo sistema digestivo e adquirem a forma de açúcar para, então, serem utilizados como fonte de energia.

A dieta recomendada pelo médico certamente trará um limite de carboidratos a ser ingerido no dia. Essa quantidade indicada varia de paciente para paciente, conforme a resposta do seu organismo em relação aos níveis de açúcar no sangue.

A boa notícia em relação aos ovos é que eles não possuem uma quantidade exagerada de carboidratos: uma unidade grande do alimento é composta por aproximadamente 0,4 g do nutriente.

O colesterol 

Pessoas diagnosticadas com diabetes devem monitorar os seus níveis de colesterol porque a diabetes, em si, já é um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O excesso de colesterol também favorece o aparecimento de problemas no coração.

Um ovo grande apresenta 210 mg de colesterol. Entretanto, ele não causa diretamente o aumento dos níveis da molécula no organismo.

De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Estadual de Kansas, nos Estados Unidos, um componente chamado fosfolipídeo ou lectina interfere na absorção do colesterol e impede que ele seja captado pelo intestino, de onde a substância partiria para a corrente sanguínea.

No entanto, isso não significa que você deva exagerar no consumo dos ovos, especialmente se além da diabetes, tiver o colesterol alto. A nutricionista Margareth Brown, da Mayo Clinic, afirmou que para as pessoas que já sofrem com níveis elevados de colesterol sanguíneo, o ideal é limitar o consumo de ovo para dois ou três dias por semana.

Além disso, a orientação para os diabéticos é de não consumir mais de 200 mg de colesterol diariamente.

Fique somente com a clara

Uma maneira de responder positivamente ao questionamento se o diabético pode comer ovo, sem ultrapassar o limite de ingestão diário recomendado para os diagnosticados com a doença, é livrar-se da gema e consumir somente a clara.

A justificativa para isso é que toda a quantidade de colesterol encontrada nos ovos está concentrada somente na gema. Logo, ao descartá-la, você se livra também do colesterol do ovo.

Prevenção da doença 

Para quem ainda não possui a condição, os ovos podem contribuir com a prevenção, conforme indicou uma pesquisa publicada no The American Journal of Clinical Nutrition (O Jornal Americano de Nutrição Clínica).

O experimento avaliou mais de 2,3 mil homens finlandeses com idade entre 42 e 60 anos e identificou que aqueles que consumiam mais ovos apresentaram uma propensão 38% mais baixa de desenvolver diabetes do que aqueles que comiam menos ovos.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que o benefício foi observado por conta dos nutrientes presentes nos ovos que afetam o metabolismo da glicose e a inflamação de baixo grau.

Entretanto, de acordo com os próprios, o resultado não significa que as pessoas já diagnosticadas com diabetes devem aumentar o consumo de ovos.

Cuidados

Para saber como integrar o ovo ao seu cardápio e a quantidade certa que um diabético pode comer ovo, não deixe de consultar o seu médico e nutricionista. Eles saberão indicar o que é melhor para o seu caso específico, tendo em vista como o seu organismo responde em relação às taxas de açúcar de sangue ao entrar em contato com o alimento.

Isso é importante para garantir que o tratamento da diabetes não seja prejudicado. Até porque quando não controlada, a doença pode resultar em complicações como danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

Mais sobre a diabetes

A diabetes é uma condição em que o organismo não é capaz de produzir insulina ou não consegue utilizar adequadamente o hormônio produzido pelo corpo. A insulina trabalha no controle da quantidade de glicose (açúcar) encontrada no sangue.

Alguns dos sinais da condição são: sede excessiva, fome excessiva, infecções frequentes nos rins, na pele e na bexiga, demora na cicatrização de feridas, alterações na visão, formigamento nos pés, furúnculos, vontade frequente de urinar, emagrecimento, fraqueza, fadiga, nervosismo, mudança de humor, náusea e vômito.

Ao experimentar esses sintomas, é de fundamental importância consultar um médico para verificar se sofre com diabetes ou não e dar início ao tratamento, caso seja necessário.

Além do controle da alimentação, a prática de atividades físicas, da checagem da glicemia, a aplicação de insulina, o uso de medicamentos, o cuidado com a saúde bucal, o controle do estresse, da eliminação do cigarro e a diminuição do consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas que podem ser adotadas no tratamento da doença.

Vídeo:

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Você já sabia se o diabético pode comer ovo ou não? Seu médico já te diagnosticou com a doença? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é Nutricionista - CRN-RJ 0510146-5. Ela é uma das mais conceituadas profissionais do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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4 comentários em “Diabético Pode Comer Ovo?”

  1. Boa noite, o mais difícil para mim é abrir mão dos lanches. Salgadinhos, pizzas e etc… Mas estou conseguindo ficar sem eles.

  2. Precisava me inteirar sobre o assunto Diabetes , ja que meu marido foi diagnosticado com a doença, Adorei , me ajudou muito.