Dietilpropiona – Anfepramona Emagrece Mesmo?

Especialista:
atualizado em 21/07/2017

O tratamento da obesidade com medicamentos pode ser uma boa opção quando combinado com mudanças de dieta, padrões de atividade física e hábitos de vida.

No entanto, o papel das drogas para perda de peso é bastante questionado devido a preocupações quanto à eficácia, à segurança e à observação de que a maioria dos pacientes eventualmente recupera o peso ao parar o tratamento.

Todos os pacientes com excesso de peso devem, antes de iniciar o tratamento com drogas, estabelecer uma dieta adequada, um programa de exercício e mudanças no estilo de vida. Se você comer mais calorias do que gasta, não há tratamento que faça você perder peso.

Não há cura milagrosa e não há perda de peso sem esforço. Assim, devido aos potenciais riscos de supressores de apetite, esse tratamento só é indicado para pessoas obesas que apresentam problemas de saúde como diabetes, hipertensão e colesterol ou que estão em alto risco de desenvolver tais doenças.

Quanto a esses supressores de apetite, vamos conferir abaixo a eficácia de um deles. A anfepramona emagrece mesmo? Vale a pena utilizar a dietilpropriona, como também é chamada, para emagrecer?

Obesidade

Alcançar o peso corporal ideal não é realista na maioria dos casos. Em um estudo, por exemplo, os indivíduos obesos foram perguntados antes do início do tratamento quantos quilos perderiam. Meses depois, quando o objetivo inicial foi comparado com a perda de peso real, nenhum dos participantes do estudo atingiu o peso idealizado e poucos ficaram satisfeitos com a perda de peso alcançada. Portanto, o médico e o paciente devem chegar a uma compreensão mútua sobre as possibilidades reais de perda de peso para que não haja frustração após alguns meses de tratamento.

No tratamento médico da obesidade, a perda de 10 a 15% do peso corporal é considerada um excelente resultado, mesmo quando o paciente deseja perder mais peso. De fato, mais de 5% de perda de peso corporal é suficiente para reduzir substancialmente o risco de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares.

Dietilpropiona ou anfepramona

A dietilpropiona ou anfepramona é um supressor de apetite disponível sob receita médica, embora haja poucos médicos que estejam dispostos a prescrevê-la devido aos riscos associados que superam os benefícios.

A dietilpropiona, assim como outros inibidores de apetite, já foi retirada e recolocada no mercado diversas vezes devido aos seus potenciais efeitos colaterais.

Essa substância é prescrita para perda de peso desde a década de 1950, com um uso atual sob diferentes nomes. Anfepramona é o nome genérico para este medicamento estimulante que reduz o apetite, sendo considerado apenas uma solução de curto prazo.

Em alguns países como EUA e Canadá, o consumo desse medicamento não é aprovado pelos órgãos de saúde. No Brasil, a droga também já foi proibida, mas atualmente é possível encontrar o medicamento nas farmácias vendido apenas sob prescrição médica. Devido ao risco de dependência, só deve ser prescrito por períodos curtos de tempo por um médico de confiança.

Como funciona

Um estudo de Reinholz de 2008 fornece evidências de que níveis geneticamente diminuídos de dopamina levam a comer demais e, portanto, a problemas como obesidade. A droga funciona influenciando a norepinefrina, que é responsável por motivar o cérebro e o corpo a realizarem certas ações. Ela afeta o sistema nervoso central, particularmente o hipotálamo, reduzindo a fome.

É dessa forma que o uso da anfepramona emagrece: basicamente, a droga atua estimulando a liberação de dopamina e serotonina, bem como a noradrenalina. Esses hormônios causam uma diminuição no apetite, portanto você sentirá menos fome e consequentemente irá ingerir menos alimentos. Ao experimentar um déficit de calorias, seu organismo começará a perder peso, pois terá menos calorias disponíveis do que necessita.

A dosagem precisa deste produto depende de cada caso e deve ser recomendada por um profissional. Se alguém tiver um IMC de 30 ou acima, ou até mesmo acima de 27 com uma doença relacionada à obesidade, o uso pode ser recomendado. No entanto, é indispensável a realização de exames médicos regulares para garantir que os efeitos colaterais não estão causando danos no organismo do indivíduo.

Efeitos colaterais

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão a boca seca, insônia, dores de cabeça, constipação, tremores, náuseas, vômitos, fadiga, diarréia e irritabilidade. Os derivados de anfetamina também causam aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos rápidos (palpitações).

Há evidências substanciais de que a anfepramona pode levar a problemas graves de pulmão e coração, como acontece com muitos outros supressores de apetite similares. Além de algunscasos relatados de surtos de psicose.

Os piores efeitos colaterais potenciais do uso da anfepramona para emagrecer são: alucinações, batimentos cardíacos acelerados, mudanças de humor incontroláveis, convulsões, visão turva, espasmos musculares descontrolados, problemas pulmonares e cardíacos e insuficiência cardíaca.

Além disso, há uma série completa de possíveis interações medicamentosas negativas que incluem uma longa lista. É preciso levar em conta que esta droga não se mistura bem com outros medicamentos, incluindo condições médicas ou alimentos.

Portanto, a supervisão de um médico não é apenas obrigatória em certos países, mas é a única maneira de ter uma chance de prever todas os efeitos negativos associados ao uso de anfepramona. Assim, todo paciente submetido a tratamentos para emagrecer com a anfepramona ou outros supressores de apetite deve ser orientado por um médico.

Anfepramona emagrece mesmo?

As pesquisa clínicas em torno da dietilpropiona indicam que ela é eficaz a curto prazo para a obesidade, mas vem com riscos extremos que superam os benefícios alcançados.

Sem dúvidas a dietilpropiona é uma droga cujos efeitos levam à perda de peso e produzem uma taxa de supressão do apetite nos pacientes. Porém, é preciso levar em consideração os riscos associados ao consumo desse medicamento.

O produto dá às pessoas a sensação a curto prazo de não sentir fome, ou seja, ela sentirá a sensação de apetite reduzido apenas durante o tratamento. Depois que a droga perde sua potência ou seu uso é descontinuado, tal efeito não é mais observado.

A anfepramona não foi criada como uma solução de longo prazo, principalmente devido aos efeitos colaterais potenciais e ao risco de dependência química associadas ao seu uso. Portanto, não se pode esperar que haja uma mudança real no corpo, a menos que se pense a longo prazo, isto é, pensar em como será sua vida após o uso do medicamento. De nada adianta emagrecer durante o tratamento sem alterar hábitos diários relacionados à alimentação e à prática de exercícios físicos, já que ao fim do tratamento, você voltará a sentir mais fome e o autocontrole será a palavra-chave para manter o peso.

Mesmo que um médico indique o medicamento para a perda de peso, é necessário adotar uma dieta mais equilibrada e saudável além de incluir atividades físicas na rotina. Assim, após o fim do tratamento, não haverá aquela decepção de ver todo o peso perdido retornar devido aos seus maus hábitos.

Além disso, é preciso ter em mente que o produto já foi proibido na maioria dos países em parte devido à segurança quanto ao seu consumo. Em uma pessoa com obesidade mórbida que não consegue emagrecer, o produto pode ser uma maneira de forçar o corpo a sentir menos fome e ver como ele reage com a ingestão de menos calorias.

Depois disso, a tarefa é que a pessoa realmente altere seu estilo de vida. Assim, o tratamento com medicamentos para perda de peso deve ser feito somente com supervisão médica e nunca sem um programa nutricional e exercício associado a ele.

Se o paciente não está disposto a controlar a ingestão de calorias e incluir a prática de atividades físicas em sua vida, a taxa de sucesso na perda de peso a longo prazo será muito baixa.

Você conhece alguém que tenha utilizado e afirme que a Anfepramona emagrece mesmo? Tem curiosidade de experimentar esse tratamento para emagrecer? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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