Gastrite na Gravidez – O Que Fazer, O Que Comer e Como Tratar

Especialista:
atualizado em 22/01/2020

Sofrer com gastrite na gravidez é um mal que acomete muitas mulheres. Você verá a seguir como tratar a gastrite, os medicamentos que desencadeiam os sintomas e quais alimentos são recomendados para isso.

Além dos alimentos recomendados, é muito importante que você também conheça os alimentos que são ruins para gastrite para que você possa evitá-los, diminuindo assim os seus riscos.

A gastrite é uma doença que causa inflamação na mucosa estomacal, causando dores nesta região. Esta é uma doença que pode ser desencadeada por fatores físicos e emocionais. Normalmente alimentos ácidos são os mais comumente associados aos desconfortos ocasionados em quem sofre com essa condição. No entanto, há ainda outros alimentos e bebidas que podem promover crises gástricas.

Em outros casos, quando o indivíduo é submetido a estresse e ansiedade os sintomas também podem se manifestar.

No período gestacional é ainda mais importante que a mulher se mantenha atenta aos sintomas para poder tratá-lo adequadamente.

O Que Causa Gastrite?

Existem dois tipos catalogados de gastrite: a aguda e a crônica. A presença da doença pode ser identificada pela manifestação dos sintomas e por exames exigidos pelo médico obstetra ou gastroenterologista.

Enquanto a gastrite aguda manifesta seus sintomas rapidamente, podendo ser desencadeada até mesmo por fatores emocionais, como ansiedade e estresse, a gastrite crônica é causada pela bactéria Helicobacter Pylori, comumente encontrada no estômago.

A produção excessiva de bile, líquido expelido pelo fígado, também é uma das causas da gastrite crônica.

Em um estudo divulgado no Louisiana State University Medical Center em 1999, apontou-se que mulheres durante a gravidez têm mais probabilidade de contrair a bactéria Helicobacter pylori, uma das causas da gastrite.

Tabagismo e alcoolismo também são causas que podem levar um indivíduo a desenvolver quadros de gastrite.

Como Tratar a Gastrite na Gravidez?

Tão logo os sintomas da gastrite são identificados, a mulher deve recorrer ao médico para iniciar o tratamento, independentemente de seu tipo.

O médico responsável irá indicar tratamentos responsáveis por diminuir a produção de ácido do aparelho estomacal. Além disso, uma alteração no cardápio certamente será recomendada, pois muitos alimentos pioram o quadro, enquanto outros ajudam a minimizar os desconfortos provenientes da condição gástrica.

Medicamentos que tratam os sintomas só podem ser ingeridos sob orientação médica, uma vez que medicação durante a gestação é um assunto que requer atenção redobrada, pois muitos deles podem afetar a saúde e o desenvolvimento do bebê. Omeprazol é um remédio comumente utilizado para tratar essa condição, mas que não deve ser consumido por mulheres grávidas, a não ser sob recomendação médica.

Há, no entanto, formas auxiliares e naturais que ajudam a reduzir os sintomas e equilibrar a acidez estomacal. Dessa maneira, a sensação de queimação e azia é diminuída e, em contrapartida, o consumo de outros tipos de alimento pode piorar o quadro.

Saber o que comer durante a gravidez é fundamental para que os sintomas se mantenham minimizados.

Alimentos Recomendados Para Gastrite

Muitos alimentos e plantas possuem propriedades que agem beneficamente impedindo ou amenizando os sintomas da gastrite. Conheça alguns:

– Suco de Aloe Vera

A planta popularmente conhecida como babosa tem poder cicatrizante. Hoje em dia, é possível encontrar suco de aloe vera pronto para ser consumido, mas você pode fazer o seu em casa. As propriedades regenerativas da planta contribuem para a cicatrização da ferida estomacal.

– Legumes e Verduras Refogados

Refogar os legumes e verduras antes de ingerir, durante as refeições, é uma forma de evitar que a superfície dura das folhas irrite a parede estomacal.

Sendo assim, o consumo in natura de verduras e legumes como couve, agrião, repolho e couve-flor deve ser evitado, ao menos no início da gestação ou enquanto os sintomas estiverem mais fortes.

– Carnes Brancas

As carnes com pouca gordura devem ser incorporadas na dieta da gestante substituindo as carnes gordurosas.

Carnes brancas possuem menos gordura e, por isso, tendem a não causar azia, queimação ou dores estomacais.

Além disso, não ingerir líquidos durante a refeição é fortemente recomendado para prevenir a ocorrência de mal-estar abdominal.

– Suco Verde

Sucos batidos com folhas verdes, sobretudo salsinha e couve, possuem um alto teor de clorofila que, por sua vez, é lotada de antioxidantes, vitamina C e zinco.

Essas propriedades auxiliam na regeneração estomacal, além de ajudarem a fortalecer a imunidade do organismo.

Alimentos a Serem Evitados

Agora que você sabe o que fazer quando a gastrite ataca, você irá aprender o que não fazer, ou seja, os alimentos que não deve consumir pois pioram a condição estomacal.

Alguns alimentos interferem negativamente nesta condição, acentuando os sintomas e aumentando os desconfortos ocasionados pela produção excessiva de acidez na região.

Sendo assim, esses alimentos devem ser evitados tanto quanto possível a fim de manter o equilíbrio ácido.

– Frituras e gorduras

Comidas com muita gordura e frituras devem ser evitadas pois podem desencadear sintomas, desequilibrando a acidez no organismo.

– Cafeína

Alimentos e bebidas ricos em cafeínas devem ser constantemente evitados quando a gestante sofre de gastrite.

Apenas uma pequena dose pode ser suficiente para desequilibrar a produção ácida no estômago, fazendo com que a membrana estomacal fique inflamada.

Procure substituir café e refrigerante por chá de ervas e águas saborizadas.

– Frutas Cítricas

Laranja, abacaxi, limão, tangerina e kiwi são algumas frutas cítricas e que não devem ser consumidas por pessoas com sintomas de gastrite, bem como seus respectivos sucos.

A acidez dessas frutas pode desencadear surtos de gastrite, levando a membrana do estômago à inflamação e causando desconforto na gestante como dores, queimação e azia.

– Condimentos Excessivos

Alimentos preparados com muitos condimentos, como alho, cebola, limão ou pimentão também devem ser evitado. Esses temperos podem desequilibrar o ácido na região abdominal, podendo levar a mulher a sofrer com os sintomas da gastrite.

Outras Recomendações Para Prevenir a Gastrite na Gravidez

Além das adaptações no cardápio, há algumas dicas efetivas que ajudam a evitar que os sintomas se manifestem.

Evitar comer poucos minutos antes de dormir é uma delas e pode evitar mal-estar de madrugada e sensação de estufamento ao dormir.

Dividir a refeição em pequenas porções é mais inteligente do que comer uma porção inteira de uma vez. Além disso, recomenda-se que o alimento seja bem mastigado para que chegue o mais processado possível ao organismo, evitando desencadear os sintomas.

Destinar um pouco de tempo após as refeições em pequenas caminhadas ajuda no processo de digestão e pode evitar que os sintomas apareçam.

Estresse e ansiedade são situações que devem ser minimizadas tanto quanto possível, já que são suficientes para desencadear crises estomacais.

Como a Gastrite na Gravidez Afeta as Mulheres?

Mulheres que sofrem com gastrite no período gestacional devem ter acompanhamento para que o melhor tratamento possa ser indicado.

Nesses casos, o médico irá recomendar medicamentos que auxiliem na redução da produção de ácido na região estomacal.

Dor abdominal, enjoo, indigestão, perda de apetite e inchaço são alguns sintomas que podem se manifestar durante a gastrite na gravidez.

Existem inúmeros fatores que podem desencadear gastrite gestacional, tais como mudanças hormonais que afetam fatores emocionais, comum na gestação, além do crescimento do útero, pressionando o estômago.

A produção do hormônio progesterona é elevado durante a etapa gestacional. Isso faz com que a musculatura que separa o estômago do esôfago fique mais relaxado. Sendo assim, os ácidos gástricos ficam mais suscetíveis a subirem ao esôfago.

Isso causa a sensação de azia e queimação. Embora possa acontecer durante todo o período de gestação, é mais comum nos últimos meses, quando o estômago está sendo ainda mais pressionado pelo útero se expandindo.

Estudos apontam que o consumo de medicamentos como prednisona, ibuprofeno, aspirina e suplementos de potássio tornam uma pessoa mais suscetível a desenvolver gastrite.

Complicações Gástricas

Além dos sintomas mais comuns da gastrite, nos casos mais raros algumas complicações podem ocorrer.

Úlceras pépticas são as feridas abertas que se formam no estômago e a causa mais comum atribuída ao surgimento de úlceras é o uso frequente de anti-inflamatórios.

Gastrite atrófica é uma condição que faz com que o indivíduo perca parcialmente a membrana estomacal. Esta condição pode se agravar facilmente e resultar em uma gastrite crônica se não tratada adequadamente.

Deficiência de vitamina B-12 é um dos possíveis efeitos causados pela gastrite quando não controlada e tratada. Quando isso ocorre, o organismo diminui sua capacidade de produzir alguns fatores chaves na proteína responsável pela absorção desta vitamina.

Anemia é uma condição que se apresenta em pacientes com produção de glóbulos vermelhos inferior ao ideal. Esse déficit na produção sanguínea ocasiona o quadro de anemia que deve ser tratado para que não se desenvolva. A anemia severa e não tratada pode ocasionar leucemia, um tipo de câncer que se desenvolve no sangue.

Quando Procurar o Médico?

Tão logo os sintomas da gastrite se manifestem a gestante deve procurar seu obstetra ou um gastroenterologista para iniciar o tratamento mais adequado.

O acompanhamento médico em casos de gastrite é fundamental, sobretudo nos casos gestacionais, em que a mulher se encontra mais vulnerável.

A administração autônoma de remédios é contraindicada e pode piorar a saúde da mãe e do bebê. Antes de ingerir qualquer medicação, é fundamental passar pela avaliação do médico responsável pelo tratamento.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já teve gastrite na gravidez? O que fez para amenizar a condição? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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