Mel antes do treino é uma boa? É um bom alimento pré-treino?

publicado em

Você já usou mel antes do treino e ficou em dúvida se fez a coisa certa? Ou talvez você tenha visto alguém postar nas redes sociais que usou mel no pré-treino e ficou se perguntando se essa é uma boa ideia.

O mel é um alimento muito tradicional, usado não apenas para adoçar as preparações, mas também como um remédio caseiro para acalmar a tosse, por exemplo. Além disso, há quem defenda que ela pode ser um aliado no rendimento esportivo.

Isso porque além de ser nutritivo, o mel é rico em carboidratos e é considerado uma fonte rápida de energia, uma vez que é facilmente absorvido pelo organismo. 

Entretanto, é importante saber que enquanto alguns defendem o uso do mel antes do treino, outros não são tão fãs do uso do alimento nesse período. Portanto, vamos conhecer argumentos de ambos os lados.

Carboidratos e glicose

O perfil nutricional do mel varia conforme o tipo, porém, geralmente uma colher de sopa ou 21 gramas de mel geralmente tem 64 calorias e 17 gramas de carboidratos, com nada ou bem pouco de gorduras, fibras e proteínas. Boa parte dos carboidratos do mel são açúcar, então ele também é rico em açúcar.

  Continua Depois da Publicidade  

Quando uma pessoa consome um alimento que contém carboidratos, como é o caso do mel, o seu sistema digestivo quebra os carboidratos digeríveis em moléculas de açúcar chamadas de glicose, que então partem para o sangue.

Conforme os níveis de açúcar ou glicose no sangue aumentam, o pâncreas produz a insulina, um hormônio que tem a função de incitar as células a absorverem o açúcar do sangue para usar como energia ou para ser armazenado.

Em outras palavras, os açúcares são decompostos no organismo para conceder às células a energia que elas precisam não somente para funcionar durante um dia normal, mas também enfrentar treinos intensos. Assim, o mel é considerado um açúcar natural que pode fornecer um disparo de energia.

Nesse sentido, a nutricionista da Flormel, Amanda Matos, explicou ao Terra que quando a glicose se torna disponível, ela participa de processos metabólicos que fornecem energia para o funcionamento do organismo.

  Continua Depois da Publicidade  

Ela ainda defendeu que o mel mantém um nível de glicose alto para permitir que se obtenha um bom rendimento.

Treino
O mel pode ajudar a gerar energia extra para o treino se combinado com proteínas e fibras

Quanto ao uso do mel antes do treino, a nutricionista lembrou que a refeição pré-treino é importante para fornecer a energia que será gasta durante a prática de exercícios. Ela acredita que incluir o mel em iogurtes, frutas, panquecas e até na tapioca pode gerar uma energia extra para o treinamento.

Outra recomendação de Amanda é combinar o mel com alimentos ricos em proteínas ou cheios de fibras, para que haja uma diminuição na sua carga glicêmica e os picos de glicose e insulina sejam evitados. 

Quando há picos nos níveis de açúcar no sangue, o pâncreas produz insulina para manter esses níveis em taxas ideais. O problema é que quanto mais insulina há no sangue, mais o organismo converte carboidratos em gordura que será armazenada no corpo. Afinal, é preciso fazer algo com o excedente que não será usado como energia no momento.

Portanto, a quantidade de carboidratos usados antes, durante e depois do treino deve sempre ser avaliada conforme as necessidades de energia de cada pessoa, para que não sejam cometidos excessos que possam se transformar em gordura armazenada.

  Continua Depois da Publicidade  

Segundo a especialista, recomenda-se que a refeição ocorra de 30 a 60 minutos antes do início das atividades físicas. No entanto, a nutricionista alertou que o ideal é recorrer a um mel 100% orgânico, que seja livre de componentes químicos.

Treino mais longo e pós-treino

Outra das vantagens do mel no pré- treino é o fato dele não pesar no estômago, o que poderia trazer um baita incômodo durante a prática dos exercícios. Por outro lado, o fato de liberar energia no organismo quase que instantaneamente após o seu consumo pode prejudicar um treino mais longo.

Os carboidratos do mel são classificados como carboidratos simples, que são decompostos bem rapidamente pelo organismo na forma de glicose. Mas, segundo a nutricionista Amanda Beaver, isso pode resultar em um pico de glicose no sangue.

Ela explicou ainda que a liberação de insulina que acontece após o consumo desse carboidrato ajuda essa glicose a entrar nas células e, então, o açúcar no sangue cai novamente. Depois disso, a pessoa pode se sentir cansada e até mesmo faminta, completou.

Assim, um argumento contra o uso do mel antes do treino é que embora o alimento possa fornecer um impulso para quem vai levantar pesos ou fazer cardio, ele é uma combinação de frutose (açúcar das frutas) e glicose (açúcar simples).

  Continua Depois da Publicidade  

A glicose tem um índice glicêmico muito elevado, o que significa que ele é absorvido diretamente na corrente sanguínea. Portanto, a energia aumenta e, então, some, podendo haver uma queda no meio de treino.

Além disso, há quem defenda o uso do mel para o período pós-treino, que é quando o corpo precisa de glicose para recuperar os músculos e, portanto, nessa fase o alimento ofereceria menos riscos de engordar. 

Uma sugestão para o pós-treino é adicionar uma colher de sopa de mel em um shake de proteínas após fazer um treinamento extenuante, para repor os níveis de energia rapidamente. Saiba mais sobre a alimentação pré-treino e a alimentação pós-treino

O que dizem os estudos?

Uma pesquisa de 2007 da Baylor University apontou que consumir mel antes de uma sessão de 30 a 40 minutos de levantamento de peso ajudou a manter os níveis de glicose no sangue melhor que outras fontes de carboidratos, sugerindo que o mel pode ser uma fonte de energia relativamente mais duradoura para o corpo.

Além disso, um estudo publicado no Strength and Conditioning Journal indicou que a ingestão de mel antes e durante exercícios de resistência podem fornecer tanta energia extra quanto os géis esportivos/de carboidrato feitos de glicose.

Já outro estudo, que saiu no International Journal of Agricultural Sciences and Natural Resources, sugeriu que o mel sozinho não aumenta tanto os níveis glicêmicos, em comparação a apenas a glicose ou sacarose (açúcar de mesa).

A pesquisa também apontou que, se ingerido a longo prazo, ele pode diminuir o nível de glicose em jejum. Isso pode se traduzir em um sistema de fornecimento de energia mais saudável e mais responsivo.

Usar ou não usar?

A resposta para esta pergunta depende de uma série de fatores, que incluem a sua dieta, o tipo de treinamento que você realiza e a duração desse treino. Portanto, vale a pena consultar o seu nutricionista antes de tomar uma decisão.

Entretanto, de modo geral, o mel é considerado uma boa alternativa de pré-treino em relação à água com açúcar ou ao gel esportivo, para quem precisa de uma explosão rápida de energia. Por outro lado, é importante saber que ainda existe o risco de uma queda de energia.

Assim, a recomendação é consumir um pouco de mel a cada 30 minutos mais ou menos durante sessões de treinamento mais pesadas. 

No entanto, é importante ficar de olho na quantidade de mel consumida ao longo do treino e avaliar esse teor em relação aos seus objetivos. Se a meta for emagrecer, pode não ser tão interessante ingerir tanto mel, devido ao seu teor elevado de carboidratos e açúcar.

Já antes de levantar pesos, uma sugestão é misturar o mel com um carboidrato complexo como a aveia ou regar um pouco do ingrediente em uma porção de fruta para ter um efeito de maior duração. 

Mel
É importante ficar de olho na quantidade de mel consumida ao longo do treino, já que ele é um alimento calórico

Cuidados 

Quando falamos do uso do mel por parte de quem treina é importante ressaltar a necessidade de não exagerar no consumo do alimento, uma vez que ele é rico em carboidratos ou açúcar, cujo excesso pode favorecer o ganho de peso.

De acordo com a nutricionista Amanda, o consumo de mel pode ser de cerca de uma a duas colheres de sopa, no entanto, ela ressaltou que o ideal é respeitar a prescrição do médico ou nutricionista.

A especialista também apontou que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para adultos e crianças no geral é reduzir a ingestão de açúcares livres para menos de 10% do seu consumo calórico total.

Portanto, se uma pessoa ingere 2 mil calorias diariamente, menos de 200 calorias da sua dieta devem ser provenientes de açúcares livres.

Além disso, também devido ao fato do mel ser rico em açúcares e carboidratos, as pessoas que têm diabetes precisam tomar cuidado com o consumo do alimento, especialmente sem a prescrição de um médico e nutricionista.

A nutricionista advertiu que os açúcares simples do mel chegam diretamente na corrente sanguínea, aumentando rapidamente a glicemia.

Fontes e referências adicionais

Você tem o costume de comer mel antes do treino? Qual é a sua refeição pré-treino geralmente? Comente abaixo!

Foi útil?
1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas
Loading...
Sobre Dra. Esther Costa

Esther Costa é nutricionista - CRN-8 13209/P. Graduada em nutrição pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), atua na nutrição clínica com ênfase na nutrição funcional, buscando avaliar o indivíduo em sua totalidade. Está sempre em busca do aperfeiçoamento por meio de cursos e congressos na área. É curiosa, criativa e proativa, e faz parte da equipe de especialistas do MundoBoaForma.

Deixe um comentário