Nefropatia Diabética – O Que é, Sintomas, Dieta e Tratamento

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atualizado em 04/08/2020

Nem todos sabem, mas a nefropatia diabética é uma das complicações mais graves que pode acometer pessoas portadoras de diabetes mellitus.

Neste artigo, você irá saber o que é, quais são os principais sintomas, os tipos de tratamento e qual a dieta ideal para quem é acometido por esse quadro.

Também conhecida como ND, a nefropatia diabética normalmente se manifesta de maneira gradual e silenciosa. Dessa maneira, muitas pessoas não são capazes de identificá-la no início, já que os primeiros sinais capazes de ser identificados por exames laboratoriais podem aparecer após 10 anos do estado glicêmico.

Saiba mais sobre a doença e quais são os principais sintomas:

O Que é Nefropatia Diabética?

Essa é uma doença que pode se manifestar nos rins de quem possui diabetes mellitus tipo 1 e 2, e seus sintomas são semelhantes em ambos os casos. Além disso, os tratamentos e a evolução da doença também são os mesmos.

As estatísticas sugeriram que a doença renal é incomum em pessoas com diabetes há menos de 10 anos. Além disso, se uma pessoa não apresenta sinais clínicos de nefropatia 20 a 25 anos após o início do diabetes, ela tem poucas chances de desenvolvê-lo posteriormente a esse período.

Além disso, as chances de se desenvolver nefropatia diabética são muito menores quando uma pessoa com diabetes administra seus níveis de glicose de maneira eficaz.

A ND pode ser classificada, conforme revisão literária, em cinco fases. Cada uma dessas fases possui sintomas e quadros histológicos diferentes. Além disso, as chances de reversibilidade entre essas três fases também são distintas. Conheça-as:

Hiperfiltração

A hiperfiltração glomerular é uma fase da nefropatia diabética que se manifesta, principalmente, nos pacientes jovens portadores do diabetes mellitus tipo1.

Quando esse estágio se instaura em um paciente diabético, a frequência de filtração glomerular aumenta. Em decorrência disso, os rins podem aumentar de tamanho. Este é um quadro identificado como inicial no envolvimento do rim associado ao diabetes.

Dessa maneira, o diagnóstico da nefropatia diabética neste estágio é importante, sobretudo, pois é o estágio com maior nível de reversibilidade, que pode ser alcançada, sobretudo, por meio do controle glicêmico.

Para que a hiperfiltração se desenvolva, é necessária a ação concomitante de vários fatores patogenéticos, incluindo aumento do índice de massa corporal, hiperinsulinemia, ativação do sistema nervoso simpático, hiperleptinemia, estresse oxidativo aumentado, citocinas inflamatórias etc.

Hiperglicemia e pressão alta em pessoas com hiperfiltração devem ser tratadas mais cedo e com ainda mais rigor para evitar a progressão da disfunção renal para doença renal crônica.

Lesões Morfológicas

O segundo estágio da doença se desenvolve silenciosamente e sua principal característica são as lesões morfológicas sem sinais de doença clínica.

No entanto, testes de função renal e morfometria em amostras de biópsia são capazes de apontar possíveis alterações. Nesse estágio há o aumento da taxa de filtração glomerular. Enquanto há o controle do diabetes, a excreção de albumina é normal. Vários pacientes continuam no estágio 2 ao longo da vida.

Microalbuminúria

Também conhecido como nefropatia incipiente, quando esse está se instaura em uma pessoa diabética, o ritmo de filtração glomerular tende a estar elevado, a princípio, e diminuir quando albuminúria atinge valor maiores do que 70mg/min.

Essa condição atinge, sobretudo, pessoas com diabetes mellitus do tipo 2 e quando não é tratada adequadamente ou quando não é diagnosticada a tempo, pode evoluir a um quadro de insuficiência renal crônica , sendo um fator de risco para a apresentação de doenças e complicações cardiovasculares.

Proteinúria

Proteinúria é identificado como o terceiro estágio da nefropatia diabética. Esse estágio também pode ser identificado como nefropatia clínica.

Identifica-se esse quadro quando a excreção urinária de albumina supera 200µg/min, ou, então, 300mg/24h.

Quando o 3º estágio acomete um diabético com nefropatia, o rim está inapropriadamente grande, pode ocorrer hipertensão e a função renal diminuir sua capacidade de maneira irreversível, podendo evoluir para a condição renal em estágio terminal.

Esse é um quadro que acomete principalmente pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2 que são idosos, obesos e/ou hipertensos.

Nefropatia Terminal

Esse é o quarto e último estágio da nefropatia diabético. Trata-se do estágio mais grave da doença e é irreversível, mesmo sob medicação e rigoroso controle glicêmico.

Quando uma pessoa é identificar com nefropatia terminal, o único tratamento possível é o transplante de rim ou hemodiálise, pois, caso ao contrário, poderá incidir em falência renal.

Fatores de Risco

Dentre os principais fatores de risco para que um quadro diabético evolua a uma nefropatia diabética estão:

  • Negligência com o controle glicêmico, via alimentação ou medicamentos;
  • Hipertensão arterial não controlada;
  • Tabagismo;
  • Idade – maiores chances em pacientes acima de 65 anos de idade;
  • Sexo – essa condição acomete mais homens do que mulheres;
  • Obesidade;
  • Inflamação crônica;
  • Elevados números de gordura no sangue.

Complicações da Nefropatia Diabética

A principal complicação da doença renal diabética está relacionada ao desenvolvimento da insuficiência renal, que pode ocorrer quando o controle glicêmico não é rigoroso ou quando os sintomas e os cuidados necessários são negligenciados.

Pessoas com insuficiência renal precisam de tratamento com diálise ou transplante de rim.

Todas as pessoas com diabetes possuem mais riscos de apresentarem quadros de pressão arterial alta e doenças cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral etc.

Além disso, a presença de doenças renais também aumentas as chances de se desenvolver complicações cardiovasculares. Nessa soma, uma pessoa com diabetes e com problemas renais possuem um risco ainda mais potencializado de se desenvolver esse tipo de complicação.

Sintomas

Um dos problemas que permitem o fácil avanço da nefropatia diabética, é que durante os primeiros estágios, os sintomas são silenciosos e, portanto, praticamente imperceptíveis.

Esses sinais são imperceptíveis até mesmo em exames clínicos e laboratoriais, pois podem levar entre 10 a 15 anos para que sejam identificados após o diabetes ser diagnosticado.

No entanto, nos últimos estágios os sintomas podem ser percebidos mais facilmente e incluem:

Inchaço

Devido à retenção de líquido à qual o paciente é submetido, a sensação de inchaço, sobretudo nos pés, pernas, tornozelos e mãos, são um indicativo de nefropatia.

Se o inchaço persiste nessas áreas, você deve procurar um médico para que os exames sejam feitos adequadamente e o quadro possa ser diagnosticados, para, dessa forma, iniciar o tratamento recomendado.

Edemas também podem atingir essas regiões em decorrência da retenção de líquido.

Urina Escura

Devido às complicações renais que acometem uma pessoa com nefropatia diabética, a cor da urina pode estar mais escura, turva ou até mesmo com a presença de sangue.

Além disso, a presença de espuma também pode ocorrer, principalmente, na primeira urina do dia.

Isso se deve, sobretudo, à perda de proteínas que ocorre diretamente por meio da micção.

Fadiga e Cansaço

Outro sintoma comum em diabéticos com nefropatia, é a fadiga e o cansaço, que se manifestam devido à falta de quantidade adequada de oxigênio na corrente sanguínea.

Outros sintomas que se manifestam em diabéticos com nefropatia são falta de apetite, pele e boca seca, bolsa ao redor dos olhos e gosto metálico na boca.

Como é Feito o Diagnóstico?

Se você tem diabetes, então você deve passar por acompanhamento médico regular para acompanhar a evolução da doença e receber o tratamento adequado.

Normalmente certos exames são solicitados para verificar os níveis de glicose na corrente sanguínea, além de outras possíveis complicações que podem se manifestar em decorrência do diabetes.

Além disso, os médicos aptos a lidarem com diabetes mellitus buscam fazer exames físicos, ou seja, irá perguntar sobre certos sintomas buscando averiguar possíveis complicações do diabetes.

Exames clínicos e laboratoriais também são solicitados para identificar a presença de nefropatia diabética e o desempenho dos rins do paciente. São eles:

Exame de Urina

As amostras de urina são coletadas e analisadas buscando identificar a presença de uma proteína chamada albumina. A quantidade de albumina encontrada na urina indica a quantidade de dano aos seus rins e o estágio em que a nefropatia pode se encontrar.

Quando há microalbuminúria (pequenas quantidades de albumina na urina), há indícios que o paciente pode correr o risco de desenvolver nefropatia diabética ou pode ter nefropatia diabética em estágio inicial, ou seja, ainda no estágio assintomático.

Já a presença de proteinúria, ou macroalbuminúria, (quantidades maiores de albumina na urina) na urina, é indicativo de que o paciente possui nefropatia diabética mais avançada que pode estar afetando a capacidade de seus rins de filtrar certos resíduos.

Exames de Sangue

Além dos testes de urina, o exame de sangue também é solicitado para verificar a função renal do paciente.

Nesses exames, analisa-se o nível de creatinina. Isso é utilizado para calcular a taxa estimada de filtração glomerular (TFGe), que, por sua vez, indica a potência de trabalho dos rins e sua capacidade de filtrar os resíduos presentes na corrente sanguínea.

Geralmente, é recomendado que pessoas com diabetes realizem exames de sangue e urina pelo menos uma vez por ano para verificar a função renal e a possível presença de complicações como a nefropatia diabética.

Tratamentos

Alguns dos principais tratamentos para reverter ou estabilizar a nefropatia diabética incluem:

Controle da glicose no sangue: o tratamento primário e um dos mais importantes é buscar formas de conter os níveis de glicose no sangue, pois, embora isso não seja capaz de retardar a evolução da doença, ajuda a reduzir a microalbuminúria.

– Controle da pressão: medir a pressão regularmente é especialmente importante nos pacientes que estão excretando mais de 1g de proteínas ao dia. A hipertensão não controlada nesses casos pode estar associada à insuficiência cardíaca.

– Bloqueadores de angiotensina: Os anti-hipertensivos mais utilizados para tratar casos de nefropatia diabética são os bloqueadores do receptor de angiotensina II, pois são capazes não apenas de diminuir a proteinúria, mas também de retardar a evolução da doença. Normalmente os médicos prescrevem a administração de medicamentos diuréticos paralelamente a esse tipo de remédio.

– Bloqueadores de canais de cálcio: Alguns pacientes podem ter contraindicações quanto ao uso de bloqueadoresde angiotensina. Nesses casos, bloquear os canais de cálcio pode ser um tratamento adequado, pois são antiproteinúricos.

No entanto, é imprescindível passar por correto diagnóstico e acompanhamento médico antes de se submeter a qualquer tratamento. Dessa maneira, somente mediante prescrição médica os medicamentos devem ser administrados, se necessário.

Referências adicionais:

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