Glicemia Acima de 300 é Perigoso? O Que Fazer?

Especialista:
atualizado em 03/10/2018

Popularmente, o termo “glicemia” é muito conhecido. Embora esteja associado a números e exames de sangue, muitas pessoas têm apenas uma noção vaga do seu significado.

Tudo começa com a ingestão dos alimentos. Seja um lanche, um almoço ou um jantar, é comum que a maioria das pessoas faça consumo regular de frutas, cereais (aveia, arroz, etc), verduras, legumes e até mesmo produtos industrializados ricos em açúcar.

Depois de ingerido, esse açúcar é metabolizado e quebrado no que se conhece por glicose. Essa substância é uma das principais fontes de energia para a manutenção e o bom funcionamento do organismo.

Uma vez que o carboidrato (açúcar) se transforma em glicose, o sangue se encarrega de encaminhá-lo para os demais órgãos no corpo, visando energizá-lo. Mas, por esse ser um trabalho difícil e maçante, já que ele circula muito rápido para nutrir, o organismo produz um hormônio chamado de “insulina” para facilitar o trabalho.

Os números do teste da glicemia são resultado da quantidade de açúcar que ainda está circulando no sangue. Os valores padrões são:

  • Glicemia em jejum (de 8 a 10 horas):
    • Normal: de 70mg/dl a 99mg/dl.
    • Pré-diabetes: de 100mg/dl a 125mg/dl.
    • Diabetes: acima de 126mg/dl.
  • Glicemia capilar (qualquer hora do dia):
    • Normal: de 70mg/dl a 110mg/dl (se acabou de comer, até 140mg/dl).
    • Pré-diabetes: de 160mg/dl a 180mg/dl.
    • Diabetes: acima de 200mg/dl.

Glicemia acima de 300 é perigoso?

Em 2010, 7,8% da população brasileira encontrava-se num estado de “pré-diabetes”. A faixa etária variava de 30 a 69 anos, mas, todos tinham o mesmo problema: descaso.

Assim como a hipertensão arterial, a diabetes só começa a mostrar a mostrar sinais de instalação depois de muito grave. Geralmente ela leva 20, 25 ou até 30 anos para se manifestar em algo realmente grave.

Infelizmente, pela falta de entendimento, a maioria das pessoas a ignoram e não procuram por tratamento. Muitas vezes, ainda agravam mais o caso com a ingestão descontrolada de doces, encontrando outro problema: resistência à insulina.

Esse é um problema muito sério. A insulina é um hormônio fundamental para que a glicose seja absorvida pelo organismo. Tudo o que não é, acaba sendo filtrado pelos rins e excretado através da urina ou demais fluidos (embora não seja possível remover tudo) ou, ainda, acumulado em depósitos de gordura.

O estado de hiperglicemia é o resultado do excesso da glicose que não foi eliminada, “guardada” no organismo ou sequer utilizada e, geralmente, está associada ao diagnóstico claro de diabetes e, com ela, seus sintomas:

  • Sede excessiva: na tentativa de eliminar a glicose, os rins trabalham para excreta-la pela urina. Como não conseguem um resultado satisfatório, continuam tentando e desidratando, sem resolver o quadro.
  • Urina em excesso: decorrente do trabalho de funcionamento dos rins.
  • Coceira excessiva: estima-se que 11,3% das pessoas com diabetes têm esse sintoma em comum. Pode parecer bobo, mas, a coceira é intensa e pode levar a arranhões e ulcerações desconfortáveis. Pode estar associada à danificação de fibras nervosas nas camadas externas da pele, polineuropatia diabética ou, ainda, neuropatia periférica.
  • Cansaço rápido e fraqueza: já que não há consumo ideal de glicose.
  • Aumento do apetite: na tentativa de “ingestão” da glicose, que pode resultar em sobrepeso ou obesidade, se houver compulsividade ou favorecimento por parte hereditária.
  • Emagrecimento sem causa aparente: a depender do tipo da diabetes (se I, II ou gestacional), é possível, uma vez que haja diferença significativa na absorção da glicose.
  • Visão turva ou embaçada: o problema também pode ser chamado de retinopatia diabética e começa com alterações na visão e pode levar à cegueira. Geralmente se manifesta dessa maneira ou através de edemas, exsudatos, hemorragias e microaneurismas, podendo sofrer danos permanentes e irreversíveis.
  • Cicatrização lenta: o excesso de glicose pode alterar o fluxo sanguíneo e inibir parcialmente o funcionamento do sistema de cicatrização desempenhado pelas plaquetas. Além disso, também é capaz de diminuir a atuação do sistema imunológico e tornar sua resposta menos eficaz.
  • Infecções frequentes: uma vez que o sistema imunológico encontre-se debilitado, as intercorrências acabam se tornando cada vez mais frequentes, sem tempo hábil de reação e cicatrização, principalmente na presença de feridas de pequeno ou grande porte (o que contraindica procedimentos cirúrgicos em diabéticos e indivíduos com hiperglicemia).

De fato, apresentar a glicemia acima de 300 é perigoso, uma vez que a partir dos 200mg/dl já existam intercorrências associadas ao desenvolvimento de diabetes. Além disso, quanto mais altas as concentrações de glicose, mais rápido desenvolvem-se os sintomas e, com eles, a instalação e a predisposição do desenvolvimento de diversas outras doenças.

O que fazer?

Dificilmente a diabetes é uma doença diagnosticável com apenas um exame rápido de glicemia capilar. Existem vários motivos para que a glicemia aumente e, como cada indivíduo difere de outro pelas suas individualidades, é possível que o resultado se altere depois de certa investigação.

Assim sendo, se ter a glicemia acima de 300 é perigoso para alguns, pode já não ser para outros, dependendo até do que se ingira e há quanto tempo antes do exame propriamente dito. 

O que fazer se o teste de glicemia é acima de 300mg/dl

Inicialmente, se você realizou um exame de glicemia capilar em um posto, unidade de saúde da família ou em uma campanha do governo e viu que sua glicemia foi medida acima de 300mg/dl, o primeiro passo é procurar um médico. Este, por sua vez, solicitará exames de sangue distintos para o diagnóstico de diabetes. São eles:

– Glicose em Jejum

Realizado em jejum para confirmar o diagnóstico alguns dias depois. Esse jejum deve ser de 8 a 12 horas, a depender do laboratório e, geralmente, é realizado pela manhã bem cedo.

É um exame realizado para diagnosticar a diabetes e, ainda, auxiliar em seu controle. Por ele, também é possível saber se o diabético “exagerou” e escondeu fatos de seu médico durante determinado mês ou semana, principalmente antes de uma cirurgia (seja médica ou odontológica).

– Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) ou Curva Glicêmica

Outro exame bem comum é o teste oral de tolerância à glicose (também conhecido como TOTG ou curva glicêmica), onde é necessário também colher sangue em um jejum de 8 a 16 horas, a depender do laboratório, com 2 a 3 horas de duração. Este, por outro lado, precisa ser agendado na clínica de escolha.

Consiste em beber uma solução adocicada (solução de glicose) e diversas coletas de sangue no decorrer dessas 2 a 3 horas. A primeira pode ser feita em jejum e as demais em um intervalo de 30 em 30 minutos ou de hora em hora.

– Hemoglobina Glicada

Também conhecido por exame da hemoglobina glicosilada (HbA1c), ele visa dar uma ideia do registro da glicemia do paciente em determinado momento: geralmente em concordância com o tempo de vida das células do sangue.

É um exame que objetiva não só o diagnóstico da diabetes – sendo padrão ouro nesse caso – como também seu controle. Ele é capaz de registrar a glicemia nos últimos 2 ou 3 meses e, exatamente por isso, é o mais utilizado para diagnóstico definitivo da diabetes.

Quanto maior a quantidade de glicose no sangue, maior a taxa da hemoglobina glicada. O resultado vem em porcentagem e é indicado, no caso de diabetes, que seja repetido periodicamente de 3 a 4 vezes no ano. Assim, temos:

  • Normal: entre 4,5% e 5,6%;
  • Pré-diabetes: entre 5,7% e 6,4%;
  • Diabetes: qualquer valor igual ou superior a 6,5% (nesse caso, sugere-se a repetição do exame e consulta médica regular para controle).

Através desses exames e com a ajuda do seu histórico familiar, o médico é capaz de designar o tipo da diabetes e o que fazer depois do resultado. Na maioria dos casos, são receitados hipoglicemiantes orais, mas, em outros mais graves, doses de insulina podem ser a melhor escolha.

Hiperglicemia ou Diabetes?

Necessariamente, estar com hiperglicemia não significa que você é diabético. Isso só quer dizer que você precisa realizar exames periódicos para avaliação do caso e, se constatado dessa forma, realizar o tratamento.

Na maioria dos casos, a hiperglicemia só significa que você não tem insulina o suficiente para metabolizar todo o açúcar naquele momento (principalmente se a medição foi realizada através do exame de glicemia capilar na unidade básica de saúde). Mas, atente, se for constatada por algum exame de sangue (principalmente o da hemoglobina glicada), a possibilidade é muito alta de você estar com diabetes.

Se essa não é a primeira vez que sua glicemia está alta, cuidado. Glicemia acima de 300 é perigoso e é preciso ser avaliada e consequentemente tratada com a ajuda de um médico.

Como eu reduzo esses valores?

Além do tratamento vide consulta médica e exames periódicos, o que você pode fazer são alterações diversas no seu estilo de vida a fim de reduzir a chance de problemas decorrentes da condição e melhorar sua qualidade de vida, como:

1. Exercitar-se

É comprovado cientificamente que a prática regular de exercícios pode diminuir os níveis de pressão arterial e de açúcar no sangue. Começar com uma caminhada de 30 minutos diária (o recomendado pela Organização Mundial de Saúde) pode ajudar bastante, principalmente se você estiver num quadro de pré-diabetes.

2. Comer de maneira saudável

Evite embutidos e industrializados. O que sobra? Um mundo inteiro de alternativas saudáveis sem níveis exagerados de sal e açúcar, além de uma oportunidade de aventura na cozinha. Evite pães, farinha branca e doces propriamente ditos.

3. Evite se estressar

Além de ser um sentimento ruim, o estresse estimula a liberação de hormônios estimulantes para lidar com a situação. Eles são capazes de modificar o nível da glicemia e até mesmo desencadear uma crise hiperglicêmica.

4. Medique-se corretamente

Coloque um despertador ou um lembrete na porta da geladeira, não esqueça seus horários. Os medicamentos par diabetes têm um tempo determinado de ação e, esquecer de tomar um deles pode acabar com toda uma rotina para manter os níveis da glicemia estáveis. Se o medicamento for desconfortável ou, depois do exame de controle não se mostrar tão eficaz, converse sobre a troca.

5. Verifique seus níveis de glicemia pessoalmente

Compre a máquina de medição, siga as instruções e realize medições periódicas, a fim de encontrar um meio termo do que comer ou não e, em caso de picos de aumento de glicose, procurar ajuda o mais rápido possível. Por ser uma doença silenciosa, seu excesso também pode levar a óbito.

6. Carregue hidratos de carbono

Se o medicamento for muito forte – o que pode acontecer, a depender de como seu organismo reage – tratar a hipoglicemia (pouco açúcar no sangue – abaixo de 60mg/dl na medição) também é muito importante, já que também leva ao mal-estar. Em seguida, comunique seu médico.

Você já imaginava que apresentar a glicemia acima de 300 é perigoso? O seu teste deu esse valor? O que o médico recomendou fazer? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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25 comentários em “Glicemia Acima de 300 é Perigoso? O Que Fazer?”

  1. esqueci de tomar meus medicamentos para a glicemia fui medir estão em 360 mas comi há menos de meia hora
    Tomei o comprimido habitual Glucovance

  2. Tenho 23 Anos Estava Com Tonturas Daí Verifique Minha Pressão e Estava 66/72 Foi Ao Posto e a Enfermeira Fez o HGT Em Mim e Minha Glicose Deu 374 Tomei Soro Na Veia e Agora Minha Glicose Não Não Passa Dos 90 Será Que Tenho Diabetes??

  3. Minha mãe toma 8 comprimidos e começou tomar chá supervite pesquisem site muito bom baixou de 380 para 180 e espero baixar mais

  4. Meu marido está de manhã medindo a glicemia com o aparelho e marca 350 ,só duas horas depois do almoço aumenta para 470 .Que horas medir.

  5. Minha mãe esta apresentando picos elevados de gricemia muito alto de 400 pra cima nao sabemos mais o q fazer pois nao estamos encontrando médico, me dê uma orientação por favor.Obrigada

  6. Minha glicose esta a 360 as vezes 385 a dias e o médico me receitou 2 comprimidos de glifagem de 500 no café da manhã, 2 no almoço e 2 no jantar, não adiantou nada, e não consigo vaga com ele para uma nova consulta 🙁🙁🙁🙁🙁

  7. Bom dia acabei de fazer o teste em casa deu 320. Minha médica me receitou metformina de 500mg e glibenclamida duas vezes ao dia. Não sei o que fazer para abaixar.

    • Tente tomar o chá da folha de graviola. Faz o chá e coloca na geladeira e fica bebendo como água durante o dia normalmente. Baixou de 298 para 89 em uma semana de uso! espero que ajude! Abraços.

  8. boa tarde! fui fazer o exame de curva glicêmica mas não foi possivel fazer. pois a basal estava muito altao niivel de glicose estava a 340 . Minha medica receitou metiformina 500 para tomar na hora das refeicoes, e mais um medicamento para os tecidos periféricos . minha diabetes a 340 em jejum é grave? Quais são as possiveis sequelas?

  9. boa tarde! fui fazer o exame de curva glicêmica mas não foi possivel fazer. pois a basal estava muito altao niivel de glicose estava a 340 . Minha medica receitou metiformina 500 para tomar na hora das refeicoes, e mais um medicamento para os tecidos periféricos . minha diabetes a 340 em jejum é grave? Quais são as possiveis sequelas?

  10. Minha sobrinha tem 7 anos e está com 400 de glicemia! estou triste, a mãe nos estados unidos curtindo e o pai com ela em SP, e ela não nasceu com isso!