O Poder dos Exercícios Físicos Contra a Inflamação Crônica e a Doença Cardiovascular

Especialista:
atualizado em 02/03/2020

Provavelmente o benefício mais conhecido da prática regular de atividades físicas é a contribuição com o emagrecimento ou a manutenção de um peso saudável, uma vez que os exercícios maximizam a quantidade de calorias queimadas pelo corpo.

Entretanto, essas não são as únicas vantagens que as atividades físicas proporcionam: elas também estão associadas à diminuição do risco do desenvolvimento de alguns tipos de câncer, à contribuição com o controle dos níveis de açúcar no sangue e de insulina, ao fortalecimento dos ossos e músculos, à redução do risco de quedas, ao aumento das chances de viver mais e à melhoria do humor, da saúde mental, do sono e da vida sexual. A propósito, veja quais são os tipos de exercícios que podem melhorar sua vida sexual.

Além disso, a prática frequente de atividades físicas também é conhecida por beneficiar a saúde do sistema cardiovascular, através da diminuição de fatores de risco como o colesterol elevado e a pressão alta.

Mas qual seria o mecanismo pelo qual os exercícios contribuem neste sentido com o organismo? Bem, pesquisadores alocados no Massachusetts General Hospital (Hospital Geral de Massachusetts, tradução livre) identificaram uma via biológica, ainda não conhecida, que promove a inflamação crônica.

E é bem essa descoberta que pode explicar os motivos pelos quais as pessoas que seguem um estilo de vida sedentário apresentam riscos mais elevados de desenvolver doenças no coração e acidente vascular cerebral (AVC).

Inflamação aguda x Inflamação crônica

Antes de seguirmos em frente, é necessário ficarmos mais familiarizados com o que é a inflamação e fazer uma diferenciacação entre a inflamação aguda e a inflamação crônica.

Pois bem, a inflamação é uma resposta natural do organismo humano, em uma tentativa de curar a si mesmo. É o processo do corpo para combater alguma coisa que possa prejudicá-lo como infecções, lesões e toxinas.

Quando algo provoca danos às células do organismo, o corpo libera substâncias químicas que disparam uma resposta do sistema imunológico. Por sua vez, essa resposta do sistema imunológico envolve a liberação de anticorpos e proteínas, além de aumentar o fluxo sanguíneo à área danificada. Todo esse processo dura algumas horas ou dias e caracteriza à inflamação aguda.

Mas e quanto à inflamação crônica? Bem, ela acontece quando essa resposta do organismo se prolonga, deixando o corpo em um constante estado de alerta. O problema é que com o passar do tempo a inflamação crônica pode fazer mal para os tecidos e órgãos.

E então, como os exercícios auxiliam em relação à saúde cardiovascular e à inflamação crônica?

O professor de radiologia do Centro de Biologia Sistêmica do Massachusetts General Hospital Matthew Nahrendorf e sua equipe queriam entender melhor o papel da inflamação crônica, que colabora com a formação de placas ou bloqueios que obstruem as artérias.

Eles avaliaram como os exercícios físicos afetam a atividade da medula óssea, especificamente as chamadas células-tronco progenitoras hematopoiéticas (CTPHs), que podem se transformar em qualquer tipo de célula sanguínea, como os leucócitos, que promovem inflamação, defendem o organismo contra infecções e eliminam corpos estranhos.

O professor do Massachusetts General Hospital explicou que quando essas células se tornam excessivamente zelosas com o seu trabalho, elas desencadeiam a inflamação em locais onde não deveriam.

Para fazer essa análise, os pesquisadores separaram ratinhos de laboratório em dois grupos. O primeiro grupo ficou preso em gaiolas com esteiras e alguns deles correram aproximadamente 9,6 km por noite. Já o segundo grupo foi confinado em gaiolas sem esteiras.

Passadas seis semanas, os cientistas perceberam que a atividade de CTPH dos ratinhos corredores tinha sido expressivamente diminuída e que eles apresentavam níveis mais reduzidos de leucócitos inflamatórios, em comparação aos ratinhos da gaiola sem esteira.

Nahrendorf explicou que o exercício fez com que os ratos que correram produzissem um teor mais baixo de leptina, um hormônio produzido no tecido adiposo, que auxilia a controlar o apetite, sinaliza aos CTPHs para que se tornem mais ativos e aumenta a produção de leucócitos.

Em dois estudos de grande porte, já havia sido apontado que níveis elevados de leptina e leucócitos em pessoas sedentárias diagnosticadas com doença cardiovascular estava associado à inflamação crônica.

A pesquisa de Nahrendorf e sua equipe observou ainda que a diminuição dos níveis de leucócitos trazida pela prática dos exercícios físicos não fez com que os ratinhos corredores se tornassem mais vulneráveis às infecções.

Para o professor de radiologia, a expectativa é que a pesquisa dê origem a novas abordagens em relação à doença cardiovascular, a partir de um ângulo totalmente novo. Acredita-se ainda que as descobertas do estudo de Nahrendorf e sua equipe reforçam a importância da prática frequente de atividades físicas.

Para a PhD em biologia molecular Michelle Olive, que atua na Divisão de Ciências Cardiovasculares do Instituto Nacional do Coração, Pulmões e Sangue dos Estados Unidos, a pesquisa demonstra uma nova conexão molecular entre os exercícios e a inflamação que ocorre na medula óssea e ressalta um papel anteriormente não reconhecido do hormônio leptina na proteção cardiovascular intermediada pela prática de atividades físicas.

Olive também acredita que o experimento contribui com a demonstração de como os estilos de vida sedentários interferem em relação à saúde cardiovascular e salienta a importância de obedecer às diretrizes da prática de exercícios físicos.

Embora a pesquisa tenha sido conduzida em ratinhos – e não em seres humanos – os seus apontamentos servem como mais uma motivação acerca da necessidade de se esforçar e se dedicar à prática frequente de atividades físicas.

Para quem segue um estilo de vida sedentário, especialmente se isso ocorrer há um bom tempo, já passou da hora de começar a ser mais ativo e algo que pode ajudar bastante neste sentido são as dicas para começar um programa de exercícios.

As informações são da Escola Médica da Universidade de Harvard nos Estados Unidos, do Massachusetts General Hospital, do MedlinePlus, portal dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, e do site Healthline.

Referências adicionais:

Você já imaginava o poder dos exercícios físicos contra a inflamação crônica e doença cardiovascular? Pretende aumentar a frequência agora? Comente abaixo!

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Sobre Francisco Santana

Francisco José Santana é personal trainer, formado pela Univer Cidade RJ 2007, com certificação CORE360º treinamento funcional, Certificação Internacional FNS I e II em avaliação funcional, especializações em suplementação nutricional esportiva, Crosstraining - Scientific Sport, Cineantropometria aplicada, Primeiras ações em emergência, Prevenção de Doenças Laborais, Musculação, Ginástica Corretiva, Spinning (Johnny G), Técnica de Tecidos Moles - Miofacial, e Inteligência Emocional - ASICC

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