Estudo Aponta o Exercício que Pode Ajudar a Combater o Envelhecimento

Especialista:
atualizado em 01/06/2020

Os benefícios que a prática regular de exercícios físicos pode trazer não são poucos e nem desconhecidos. Além de contribuir com a perda de peso, eles diminuem o risco de desenvolver doenças cardíacas, ajudam a regular os níveis de glicose (açúcar) no sangue e insulina, fortalecem os ossos e músculos, reduzem o risco de alguns tipos de câncer e diminuem as chances de sofrer quedas.

Entretanto, não é somente isso: a prática de atividades físicas também está associada à melhoria da saúde mental, do humor, do sono e da saúde sexual, além de poder aumentar as chances de viver mais.

Já sabia-se que os exercícios ajudam a manter as habilidades de pensamento, julgamento e aprendizado afiadas conforme uma pessoa envelhece. Isso é creditado ao fato dos exercícios estimularem o organismo a liberar proteínas e outras substâncias químicas que melhoram a estrutura e a função cerebrais.

Uma mostra de que começar a praticar atividades físicas desde jovem e continuar a treinar enquanto envelhece é algo bem importante para a saúde. Até porque com o passar dos anos e o avanço da idade, o ser humano perde massa muscular e ganha mais chances de sofrer com doença cardíaca, demência e baixa no sistema imunológico.

Mas é possível que uma modalidade de atividade física em particular – os exercícios aeróbicos – possam trazer mais vantagens no que se refere ao envelhecimento. É que uma pesquisa conduzida em ratos, que foi publicada no periódico online Nature Metabolism (Metabolismo da Natureza, tradução livre), apontou que os exercícios aeróbicos podem reverter o efeito de envelhecimento em células-tronco musculares essenciais, envolvidas com a regeneração de tecido.

Segundo um dos autores do estudo, o pesquisador de neurologia da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, Thomas Rando, os apontamentos da pesquisa são muito diferentes de outros estudos que já tinham indicado que os exercícios trazem mais anos de vida longes de doenças.

A sugestão da pesquisa de Rando é que os exercícios aeróbicos podem fazer com que as células envelhecidas se comportem mais como células jovens e que ganhem características de células jovens.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores selecionaram ratos jovens e ratos velhos e disponibilizaram rodas giratórias, onde os bichinhos podiam correr, para alguns deles. Os animais jovens e velhos que tiveram acesso às rodas giratórias estabeleceram uma rotina e correram aproximadamente 10 km e 4,9 km respectivamente por noite.

Então, os cientistas conduziram uma série de testes para analisar como as células-tronco musculares dos animais tinham respondido ao estímulo. Após três semanas correndo nas rodas giratórias, os ratinhos foram transferidos para gaiolas sem o equipamento. Feito isso, os pesquisadores lesionaram certos músculos dos animais para verificar como seria a reconstrução do tecido afetado.

Os cientistas também transplantaram células-tronco musculares dos ratinhos idosos em outros lesionados. Eles identificaram que em comparação às células-tronco musculares dos doadores jovens, as doadas pelos ratos velhos formaram menos e menores fibras nos ratos lesionados. Entretanto, as células-tronco velhas agiram como células-tronco jovens, formando mais fibras que as células-tronco musculares velhas não exercitadas.

Assim, de maneira geral, a conclusão foi que os bichinhos mais velhos que praticaram exercícios registraram uma melhoria na função das células-tronco musculares e uma aceleração na reparação do tecido muscular.

De acordo com o estudo, os efeitos observados do exercício em relação às células-tronco musculares e à reparação de tecido estavam associados a uma pequena proteína conhecida pelo nome de ciclina D1. Acredita-se que o exercício aeróbico voluntário praticado pelos ratinhos tenha restaurado os níveis de ciclina D1 das células-tronco dormentes em níveis jovens, acelerando assim a regeneração das células-tronco musculares.

Para os cientistas, descobrir o papel crítico da proteína em questão traz a possibilidade de atingir a ciclina D1 terapeuticamente ou desenvolver um medicamento que promova esses efeitos anti-envelhecimento.

Entretanto, os efeitos desapareceram uma semana depois que os ratinhos pararam de correr. Além disso, os ratos mais novos que correram na roda giratória não apresentaram melhoria da reparação muscular, algo que intrigou o pesquisador da Universidade de Stanford e seus colegas.

No casos de seres humanos, o equivalente ao treino de corrida dos ratinhos nas rodas giratórias seriam exercícios aeróbicos como nadar, andar de bicicleta ou correr, afirmou o pesquisador de neurologia.

Mas atenção: as sugestões apontadas pelo estudo ainda não garantem que é só praticar exercícios aeróbicos para obter esses benefícios em relação ao combate ao envelhecimento das células-tronco musculares. É necessário ressaltar que a pesquisa foi conduzida em ratos, não em seres humanos. Portanto, não temos como dizer com certeza se o mesmo de repete nas pessoas ou não.

Antes que algum tipo de programa de exercícios ou pílula anti-envelhecimento sejam desenvolvido,s é necessária a realização de estudos subsequentes acerca do tema em seres humanos.

Mas enquanto os resultados das pesquisas em seres humanos não chegam, você pode dar uma chance aos exercícios aeróbicos – a não ser que tenha uma contraindicação a eles, obviamente. Conheça opções de treinos aeróbicos que você pode fazer em casa durante a quarentena do coronavírus.

Fontes e Referências Adicionais:

Você costuma praticar exercícios aeróbicos com frequência em sua rotina? Acredita que eles podem mesmo ajudar a retardar o envelhecimento? Comente abaixo!

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Sobre Francisco Santana

Francisco José Santana é personal trainer, formado pela Univer Cidade RJ 2007, com certificação CORE360º treinamento funcional, Certificação Internacional FNS I e II em avaliação funcional, especializações em suplementação nutricional esportiva, Crosstraining - Scientific Sport, Cineantropometria aplicada, Primeiras ações em emergência, Prevenção de Doenças Laborais, Musculação, Ginástica Corretiva, Spinning (Johnny G), Técnica de Tecidos Moles - Miofacial, e Inteligência Emocional - ASICC

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