Queijo Prende ou Solta o Intestino?

Especialista:
atualizado em 20/12/2019

Quem não aprecia um bom queijo? Derretido ou fresco, ele pode aparecer em diversas receitas culinárias como tortas, lasanhas, pizzas, esfirras, sanduíches, fondue e carnes que podem ser saboreadas em diversos momentos do dia.

Entretanto, você já parou para pensar em como é que o ingrediente e o seu consumo exagerado podem afetar a saúde do nosso organismo, especialmente em relação aos efeitos que o nosso intestino pode sofrer?

O queijo prende ou solta o intestino? 

Vamos começar a entender se o queijo prende ou solta o intestino, pensando sobre o primeiro ponto – a prisão de ventre. Uma das causas para o surgimento do intestino preso é a insuficiência da ingestão de fibras e líquidos.

Além disso, a falta de exercício físico e ignorar os chamados do organismo para ir ao banheiro e evacuar também podem estar por trás do problema.

Pessoas que têm o hábito de se alimentar com comidas pobres em fibras como carnes, grãos refinados e produtos laticínios como leite e queijo são mais propensas a sofrerem com a prisão de ventre do que aquelas que costumam comer alimentos ricos no nutriente.

Isso porque as fibras beneficiam a saúde do sistema digestivo e auxiliam a combater a prisão de ventre. No entanto, isso não significa que o queijo seja necessariamente o responsável por prender o intestino.

Consumir altas quantidades de queijo na dieta pode deslocar os alimentos ricos em fibras e fazer com que a prisão de ventre seja mais fácil de ser desenvolvida. Entretanto, ele não é apontado como um causador do intestino preso.

Uma evidência disso é uma pesquisa do ano de 1994, publicado no Scandinavian Journal of Gastroenterology. O estudo identificou que não existiu diferença alguma na quantidade de prisão de ventre experimentada pelos participantes do experimento que seguiram uma dieta com uma quantia maior de queijo em comparação aos que tiveram uma dieta normal e aqueles que comeram nada de queijo.

As gorduras e o intestino 

Por outro lado, uma dieta rica em gorduras pode ser apontada como a culpada da prisão de ventre. Como o queijo apresenta um teor significativo da substância, a ingestão do alimento está associada ao aumento das chances de sofrer com o intestino preso.

Para você ter uma ideia, uma fatia de queijo minas pode apresentar 7,83 g de gorduras. Já uma fatia de queijo mussarela pode conter 6,3 g da substância, enquanto uma fatia de queijo prato pode trazer 9,5 g de gorduras e uma fatia de queijo provolone pode fornecer 7,45 g do nutriente.

Isso significa que eu devo ficar sem comer queijo para não sofrer com a prisão de ventre? Não necessariamente. Se você gosta do alimento, mas não quer ficar com o intestino preso, é importante consumir porções moderadas do ingrediente. Outra saída é escolher queijos com teor reduzido ou livres de gordura.

Você ainda pode utilizar o queijo em receitas ou refeições acompanhadas de alimentos ricos em fibras para amenizar as chances de ficar com prisão de ventre. Uma alternativa é preparar uma salada com vegetais, que costumam apresentar boas doses do nutriente, e acrescentar o seu queijinho no topo.

Além disso, não é todo tipo de queijo que está associado ao intestino preso. Por exemplo, o queijo cottage, que é conhecido como um dos mais leves, pode ajudar a aumentar a frequência da movimentação intestinal.

Outros dois tipos de queijo que provavelmente não estimularão a prisão de ventre são o queijo de soja e o queijo de cabra. Por outro lado, pessoas que já encontram-se com a prisão de ventre devem evitar o consumo do queijo.

O queijo e o intestino solto 

Continuando a entender se o queijo prende ou solta o intestino, vamos conhecer o outro lado da moeda e ver se o alimento pode ser associado ao intestino solto.

Por conter lactose, é possível que alguns tipos de queijo soltem o intestino de pessoas que sofrem com intolerância à lactose. Isso porque um dos sintomas apresentados pelas pessoas que possuem a condição é justamente a diarreia.

Entretanto, todos os queijos produzidos com leite de origem animal (vaca, búfala, cabra ou ovelha) passam por uma diminuição em relação ao seu teor de lactose durante o processo de fabricação.

Com isso, a variação da quantidade do composto nos queijos fica entre 0,06 g e 3 g a cada 100 g do alimento. A redução parece ainda mais significativa se levarmos em conta que dificilmente uma pessoa come 100 g de queijo em uma única refeição.

Os queijos maturados costumam apresentar uma quantidade de lactose mais baixa que os queijos frescos. Durante o processo de maturação, as bactérias utilizadas na fermentação consomem a lactose.

Por outro lado, os queijos processados (aqueles que geralmente aparecem embalados em fatias individuais) costumam apresentar um teor de lactose mais alto que o encontrado nos queijos tradicionais.

Síndrome do Intestino Irritável (SII) 

Trata-se de uma condição caracterizada por contrações mais fortes e que duram mais tempo dos músculos que revestem as paredes dos intestinos. Além de dores estomacais e cólicas, a doença pode trazer como sintomas tanto a prisão de ventre como a diarreia.

E como é que o queijo entra nessa história? Alimentos ricos em gorduras, como é o caso de alguns tipos de queijo, podem agravar a SII. Ou seja, ao comer um queijo gorduroso, a pessoa que já tem a doença pode sofrer um agravamento tanto do intestino preso quanto do intestino solto que surgem como sintomas da condição.

Por outro lado, a ingestão de produtos do leite com baixo teor de gordura e fermentados, como é o caso do queijo cottage, pode causar menos problemas e inclusive aliviar o problema. Tudo é uma questão de conversar com o médico para saber que tipos de queijo são indicados para não prejudicar o quadro de SII.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já imaginava que, dependendo da forma que é produzido e consumido, o queijo prende ou solta o intestino? Como você costuma comer queijo em sua dieta? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (6 votos, média: 3,33 de 5)
Loading...
Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

Deixe um comentário