Rivotril Faz Mal? Efeitos Colaterais e Cuidados

Especialista:
atualizado em 20/02/2020

Por se tratar de um remédio para acalmar a atividade cerebral e adotado no tratamento de ansiedade e convulsões, muitos acreditam que o Rivotril faz mal. A seguir, você aprenderá mais sobre esse medicamento, como ele funciona no organismo, seus efeitos colaterais, os cuidados que você deve ter e as restrições de uso deste medicamento.

A principal função do Rivotril é cuidar dos transtornos de ansiedade e de humor, além de surtos psicóticos e distúrbios compulsivos. Os principais sintomas da ansiedade são palpitações, uma sensação de destruição iminente e um sentimento de que tudo dará errado, dificuldade de concentração, tensão muscular, boca seca, hiperventilação e até suor excessivo e desconforto no estômago. Se você sente alguns desses sintomas vai gostar de conhecer os 15 principais remédios para nervosismo e ansiedade mais utilizados.

O efeito sedativo do Rivotril é, de longe, o motivo pelo qual ele é mais utilizado. Em dias de crise, ansiedade e stress, dormir está cada dia mais difícil e alguns remédios podem contribuir para que você consiga uma boa noite de sono. Você vai gostar de conhecer os 11 remédios para dormir mais utilizados do mercado brasileiro e como seus princípios ativos funcionam no seu organismo.

Uma das maiores perguntas antes do consumo deste medicamento é se o Rivotril engorda. A substância clonazepam não tem efeito nenhum sobre o apetite, mas como ela age bloqueando a ansiedade, seus efeitos vão depender de cada organismo. O comum é que o paciente que faz uso do medicamento volte a se alimentar normalmente como fazia antes de sofrer de ansiedade. Você pode querer saber mais sobre se o rivotril engorda ou emagrece.

Vamos mostrar os principais efeitos colaterais relacionados ao uso do remédio, além de fornecer informações que permitem concluir se o Rivotril faz mal ou não e quais são os cuidados que devem ser tomados para usá-lo com segurança.

Rivotril

O Rivotril é um medicamento cujo princípio ativo é o clonazepam. O clonazepam é uma substância da classe dos benzodiazepínicos que afeta substâncias específicas no cérebro que podem estar fora do equilíbrio natural. É um medicamento usado principalmente para tratar distúrbios convulsivos, transtornos de ansiedade e de humor e surtos psicóticos.

O clonazepam também pode ser usado em alguns casos específicos como, por exemplo, para ajudar no tratamento da abstinência alcoólica em dependentes químicos ou para reduzir a dificuldade para dormir causada pelo uso de outros medicamentos prescritos para a ansiedade ou transtornos de humor. Nesse último caso, o Rivotril faz parte de uma terapia combinada por tempo limitado pelo médico.

Como funciona

Basicamente, medicamentos da classe dos benzodiazepínicos atuam diminuindo a atividade cerebral através de um efeito sedativo induzido no sistema nervoso central.

Os cientistas ainda não sabem exatamente como o medicamento atua no organismo, mas de acordo com um estudo publicado em 2013 no The Ochsner Journal, os benzodiazepínicos como o Rivotril ajudam a aumentar os níveis de GABA. Os especialistas da saúde acreditam que o clonazepam atua através da ligação ao complexo receptor GABA-benzodiazepínico (ácido gama-aminobutírico-benzodiazepínico) presente no cérebro, aumentando as concentrações de GABA, um neurotransmissor que age regulando impulsos entre células nervosas no cérebro. 

Evidências científicas indicam que baixos níveis de GABA no organismo estão associados à ansiedade, transtornos de humor, transtornos convulsivos e dores. Com uma maior concentração de GABA no cérebro, crises de ansiedade e episódios de convulsão, por exemplo, podem ser mais facilmente controlados.

Rivotril faz mal?

Apesar de causar efeitos benéficos no cérebro e ser muito usado para controlar convulsões em pessoas que sofrem de epilepsia, por exemplo, o Rivotril deve ser usado com cautela devido ao risco de muitos efeitos colaterais que podem fazer muito mal ao corpo, principalmente quando usado continuamente.

Quando prescrito por um médico em doses adequadas por curtos espaços de tempo, o Rivotril pode ser um bom aliado para o controle de crises de ansiedade ou outros transtornos psiquiátricos. Segundo dados publicados em 2016 no periódico Clinical Psychopharmacology and Neuroscience, o uso de benzodiazepínicos como o Rivotril durante 6 semanas é considerado seguro e causa apenas efeitos colaterais considerados leves.

Mas mesmo a curto prazo, o uso do medicamento deve ser monitorado de perto por um médico já que o Rivotril altera a concentração de substâncias no cérebro e pode interferir em atividades cognitivas e alterar seu pensamento, tempo de reação e bom senso. Um estudo de caso publicado em 2018 na revista científica Medicine (Baltimore) mostra que, quando usado por longos períodos e em doses altas, o Rivotril pode causar dependência.

Dessa forma, é preciso fazer um diagnóstico sério com um médico e avaliar os prós e contras de usar o medicamento. Conheça os efeitos colaterais relacionados ao uso de Rivotril.

Efeitos colaterais

Os efeitos adversos mais comuns relacionados ao uso de Rivotril incluem:

  • Fraqueza muscular ou fadiga;
  • Depressão leve;
  • Tontura;
  • Sonolência;
  • Alterações na fala como uma fala arrastada;
  • Problemas com a memória;
  • Problemas de equilíbrio e coordenação motora.

Existem também outros efeitos colaterais menos comuns mas que quando observados devem ser imediatamente relatados ao médico. Esses efeitos são:

  • Dor no corpo ou arrepios;
  • Tosse,
  • Dificuldade para respirar ou respiração fraca ou superficial;
  • Desânimo e fadiga;
  • Dor de cabeça;
  • Febre;
  • Falta de apetite;
  • Alteração de humor;
  • Fadiga;
  • Irritabilidade;
  • Agitação;
  • Alteração de comportamento como comportamentos agressivos;
  • Ansiedade;
  • Distúrbios no sono como dificuldade para dormir ou sonolência;
  • Hiperatividade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Sintomas depressivos;
  • Pensamentos suicidas ou intenção de se machucar;
  • Convulsões;
  • Confusão mental;
  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Tremores;
  • Problemas de memória;
  • Movimentos oculares involuntários.

Também preste atenção aos sintomas de reação alérgica como urticária, dificuldade de respirar, inchaço no rosto, lábios, língua ou garganta.

Danos causados pelo uso contínuo de Rivotril

Para aqueles que usam Rivotril com frequência podem sofrer efeitos adversos muito prejudiciais à saúde, que podem causar problemas em vários órgãos no corpo.

Além disso, o Rivotril é usado como um redutor de sintomas e não é capaz de curar nenhuma condição de saúde. Dessa forma, seu uso a longo prazo é totalmente desnecessário e pode acabar viciando o seu sistema nervoso no princípio ativo clonazepam.

Devido ao uso por períodos prolongados, o remédio para de fazer efeito, fazendo com que você precise de uma dose cada vez maior para observar os resultados desejados. Isso pode ser muito perigoso e causar até uma overdose do medicamento.

Outro problema quanto ao uso prolongado tem a ver com a interrupção do uso do medicamento. Por ser uma substância que pode causar dependência química, o corpo pode responder muito mal à falta do remédio no organismo. Assim, se esse é o seu caso, procure um médico para reduzir a dosagem aos poucos evitando, sintomas de abstinência que podem causar euforia extrema, ansiedade, insônia e até convulsões.

O uso prolongado de Rivotril também pode causar alterações no humor como comportamentos agressivos mesmo em pessoas que nunca apresentaram esse tipo de comportamento. Isso pode colocar em risco à sua integridade física e de pessoas ao seu redor.

Cuidados

– Restrições

O uso de Rivotril não é indicado se você tiver glaucoma ou for alérgico aos componentes da fórmula ou a algum outro bendiazepínico como o diazepam, o alprazolam, o lorazepam, o clordiazepóxido ou o flurazepam, por exemplo. Ao observar sintomas de reação alérgica como dificuldades respiratórias e inchaço na garganta, na língua e na face, é indispensável buscar auxílio médico imediato.

Quem sofre de problemas hepáticos deve usar o remédio com cautela porque o fígado pode não ser capaz de processar o medicamento, aumentando o risco de efeitos adversos. Da mesma forma, as pessoas que tem problemas renais também devem ter cuidado ao usar o Rivotril. 

Como não foram feitos estudos sobre o uso de Rivotril em crianças, o remédio não é recomendado para crianças e adolescentes que sofrem de síndrome do pânico ou outros transtornos de ansiedade.

– Observe mudanças de comportamento e sensações

Além disso, se houver agravamento ou surgimento de sintomas depressivos, alterações de comportamento e pensamentos suicidas, é necessário procurar ajuda médica.

Principalmente quem já sofre de depressão, pode apresentar uma piora nos sintomas depressivos no início do tratamento com Rivotril. Assim, o acompanhamento médico é crucial para que o quadro possa ser controlado.

– Não use psicoativos

Nunca use álcool ou outras substâncias psicoativas junto com esse medicamento. Ao consumir bebidas alcoólicas junto com o Rivotril, o risco de efeitos sedativos aumenta. Isso significa que a mistura das duas substâncias pode causar sonolência excessiva, lentidão nos reflexos e dificuldade na tomada de decisões.

 – Não pare de tomar sem orientação médica

Nunca interrompa o uso do medicamento sem orientação médica. 

A interrupção do uso pode causar sintomas de abstinência devido ao risco de dependência química ao princípio ativo, principalmente se usado por período prolongado.

Ao parar de usar o remédio de modo repentino ou sem orientação médica pode ter uma piora nos sintomas ou sinais de abstinência como irritabilidade, ansiedade e dificuldades para dormir.

Mas ao esquecer de tomar uma dose, não tome uma dose dupla pois isso pode causar efeitos colaterais graves. Apenas retome o uso assim que se lembrar, mas nunca dobre a dose. 

– Evite o uso prolongado

Além do que já foi discutido acima, o uso prolongado de clonazepam também pode resultar em aumento do risco de depressão ou até mesmo mascarar sintomas depressivos já presentes antes do início do tratamento.

O clonazepam é feito para uso a curto prazo, tomar demais ou por muito tempo pode causar dependência ou sintomas de overdose como confusão mental, inconsciência, reflexos lentos ou problemas de coordenação motora. 

– Converse com o profissional de saúde sobre o seu histórico médico

Não se esqueça de avisar seu médico se você apresenta alguns dos problemas de saúde abaixo para evitar efeitos indesejados e complicações de saúde.

  • Glaucoma;
  • Doença renal ou hepática;
  • Porfiria, um distúrbio genético que causa sintomas que afetam a saúde da pele e o sistema nervoso;
  • Doenças respiratórias como asma, enfisema, bronquite ou distúrbio pulmonar obstrutivo crônico;
  • Doenças mentais, psicose ou dependência química de drogas ou álcool;
  • Depressão ou pensamentos suicidas;
  • Condições tratadas com uso de medicamentos narcóticos.

– Gravidez e lactação

Se estiver grávida ou amamentando, não use Rivotril devido ao risco de causar danos ao feto ou bebê.

O clonazepam é considerado um medicamento de categoria D para as grávidas. Isso quer dizer que o Rivotril só deve ser usado durante a gestação se for extremamente necessário. As mulheres que amamentam também devem evitar o uso do medicamento pois ele passa para o leite materno e pode prejudicar o bebê.

– Não dirija

Não é indicado que o paciente em uso de Rivotril dirija ou opere máquinas devido ao risco de tontura, sonolência e reação mais lenta que o usual aos acontecimentos, podendo causar acidentes.

O efeito sedativo do medicamento pode prejudicar o estado de alerta no trânsito e o reflexo. Assim, é melhor evitar qualquer tipo de atividade que precise de muita atenção e que possa colocar a sua segurança em risco. 

– Interações medicamentosas

Muitos medicamentos podem interagir de forma negativa com o Rivotril. Uma classe de remédios com os quais o Rivotril faz mal são os opióides como a hidrocodona, a codeína e o tramadol. A interação medicamentosa entre esses compostos pode resultar em sonolência extrema, respiração lenta e levar a pessoa a um coma e risco de morte.

Outros medicamentos que interagem com o clonazepam incluem: remédios para dormir como zolpidem e zaleplon, medicamentos para tratamento de transtornos de ansiedade como a buspirona e a hidroxizina, antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina e a nortriptila e medicamentos para tratamento de convulsões como gabapentina e pregabalina. A combinação desses medicamentos pode causar um efeito sedativo e causar sonolência por períodos prolongados.

Sempre avise seu médico sobre quaisquer outros medicamentos que esteja tomando para evitar complicações.

– Respeite as orientações médicas

O uso do medicamento deve ser feito de acordo com a dosagem e frequência indicada pelo médico para evitar efeitos colaterais e dependência química.

Apesar de ser um medicamento prescrito de uso controlado, se tiver o medicamento ao seu alcance mesmo sem prescrição, não use por conta própria pois isso pode colocar em risco à sua saúde.

É importante ressaltar que apesar de apresentar muitos efeitos colaterais, a maioria deles ocorre e se agrava quando o uso é feito sem acompanhamento médico e por períodos prolongados. Existem condições de saúde como surtos psicóticos, surtos convulsivos e outros transtornos mentais que necessitam do Rivotril, mas em um tratamento a curto prazo que logo é substituído por outros medicamentos mais leves.

Considerações finais

O Rivotril é um remédio que pode ser muito benéfico e necessário para o controle de crises de ansiedade e de outros transtornos psiquiátricos, desde que seja indicado e monitorado por um médico.

O uso do Rivotril deve ser feito apenas durante curtos períodos de tempo para minimizar o risco de dependência e também para evitar danos em órgãos importantes como os rins. Durante o tratamento com o remédio, é importante usar doses moderadas orientadas por um médico e fazer exames de sangue para avaliar a função renal.

Ao notar qualquer mudança de humor ou de comportamento, é recomendado avisar o seu médico pois pode ser que a dose tenha que ser ajustada ou até mesmo que tenha que ser feita a substituição do medicamento para evitar efeitos adversos graves. 

Vale ressaltar que problemas de saúde mental são muito sérios e precisam ser tratados com o acompanhamento de um psiquiatra e de um terapeuta e que nenhum medicamento deve ser utilizado sem prescrição médica. 

Fontes consultadas:

Você já imaginava que em certas condições o Rivotril faz mal? Conhece alguém que tenha apresentado efeitos colaterais ao tomar este medicamento? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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