O Adoçante Acessulfame K Faz Mal?

Especialista:
atualizado em 12/12/2019

O adoçante Acessulfame K é um adoçante poderoso, que adoça 200 vezes mais que o açúcar e é usado há mais de 15 anos em diversos alimentos. Ele começou a ser usado nos Estados Unidos em 1988, principalmente em doces, bolos, sobremesas congeladas, bebidas, misturas para sobremesas e adoçantes de mesa.

A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos considera o adoçante como seguro para todos os grupos de pessoas, contando com a validação de mais de noventa estudos. Hoje em dia, é usado em mais de quatro mil produtos em mais de noventa países no mundo. Mas será que o adoçante Acessulfame K faz mal ou é seguro?

Segundo a FDA, o acessulfame K é um adoçante seguro, podendo ser usado por todas as parcelas da população. Além disso, a Organização Mundial da Saúde também o considera seguro. O acessulfame K não é metabolizado ou armazenado no corpo. Após seu consumo, ele é imediatamente absorvido e eliminado.

A FDA estabelece uma quantidade diária para consumo que, preferencialmente, não deve ser ultrapassada. No caso do acessulfame K, esse limite é de 15 mg por quilo por dia do ingrediente. Isso quer dizer que uma pessoa de 60 kg pode consumir 900 mg do ingrediente. Vale lembrar que, no caso de adoçantes de mesa ou uso culinário, o acessulfame K não é o único ingrediente, portanto essas 900 mg não representam o peso real que pode ser consumido desses produtos, e sim do ingrediente acessulfame K.

Mesmo com essa quantidade estabelecida, não há riscos se uma pessoa consumir mais do que isso algumas vezes, já que a quantidade do ingrediente que uma pessoa pode consumir sem sofrer qualquer efeito é 100 vezes maior que a quantidade preferencial de consumo.

Além disso, o acessulfame de potássio não contribui para a ocorrência de cáries nos dentes, não há registros de reações alérgicas com seu uso e o metabolismo dele não produz quaisquer ingredientes nocivos no corpo humano.

Controvérsias

Adoçantes em geral começaram a ser escrutinizados após a proibição do uso do ciclamato em 1969, que pensavam ser seguro, mas mais tarde se descobriu que causava câncer na bexiga em ratos. Embora estudos posteriores tenham mostrado que o ciclamato não era uma substância carcinogênica, a suspeita com os adoçantes continua a pairar no ar.

Apesar de a FDA não considerar que o adoçante acessulfame K faz mal, o Center for Science in the Public Interest (Centro de Ciência de Interesse Público) desaconselha o uso desse adoçante, devido principalmente às alegações de especialistas em câncer sobre os testes de segurança, que poderiam conter falhas.

Além das possíveis falhas nos testes, incluindo deficiências metodológicas, tempo insuficiente de testes, falta de exames mais esclarecedores, entre outros, o Center for Science in the Public Interest também alega que a falta de testes de longo prazo fazem com que a segurança do adoçante não possa ser comprovada, já que não se sabe que tipos de efeitos ele poderia ter após anos de uso.

Uma das questões mais levantadas, entretanto, é a da presença de diclorometano, um líquido utilizado na fabricação do adoçante. O diclorometano é utilizado em vários setores da indústria, mas seu uso em alimentos é proibido. Existe a possibilidade de que esse produto químico seja um cancerígeno, embora não se saiba se ele realmente tem esse efeito no corpo humano. Essa possibilidade, entretanto, é apoiada pela Organização Mundial da Saúde e pela Agência de Proteção Ambiental Americana.

A exposição a curto prazo ao diclorometano pode causar problemas na visão, problemas auditórios e motores. A exposição a longo prazo pode causar dores de cabeça, depressão, náuseas, confusão mental, efeitos hepáticos e renais. Embora o efeito prejudicial desse produto ainda não tenha sido comprovado em conjunto com o acessulfame K, ele não deve ser ignorado, assim como não devem ser ignorados os possíveis riscos do acessulfame de potássio.

Outro problema seria a acetoacetamida, um subproduto do acessulfame de potássio que, de acordo com o Center for Science in the Public Interest, causa problemas na tireoide em ratos, coelhos e cachorros.

Considerações Finais

O adoçante acessulfame K faz mal? Essa é uma pergunta que ainda pode levar algum tempo para ser respondida, certamente. Diante de opiniões e resultados de testes diferentes, é difícil saber o que é realmente verdade e o que é especulação. Fica claro que mais estudos sobre a segurança desse adoçante extremamente potente devem ser realizados para que sua segurança fique determinada por fim ou para que ele seja removido das prateleiras e dos mais de 4000 produtos em que está presente em mais de 90 países do mundo.

Se você o usa como adoçante, se deve continuar a usá-lo ou não, fica a seu critério, já que não existe a comprovação científica de que o adoçante acessulfame K faz mal, e o seu uso limitado não deve fazer mal. Se você prefere não correr o risco, há outras opções de adoçantes no mercado, ou mesmo a opção de consumir seus alimentos sem qualquer tipo de adoçante, natural ou artificial. Entretanto, se você escolher eliminar o acessulfame K da sua dieta, fique atento: como dito antes, ele está presente em uma grande variedade de produtos, muitos deles que você nem imaginaria.

Você já conhecia o adoçante Acessulfame K? Acredita que pode estar consumindo diversos alimentos no seu dia a dia sem dar conta da sua presença? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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