Sensibilidade à insulina – O que é, sintomas e como tratar

Especialista:
atualizado em 31/12/2020

A sensibilidade à insulina é a sensibilidade do corpo aos efeitos deste hormônio. Ela é produzida pelo pâncreas e essencial para o organismo, sendo responsável por transportar o açúcar (glicose) para dentro das células, controlando assim o seu nível no sangue.

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A insulina também é importante para que o organismo consiga processar corretamente as gorduras e proteínas. O corpo obtém energia por meio da queima de gordura e de glicose, alternando quando necessário as fontes de combustível.

O que é sensibilidade à insulina

pessoa medindo a taxa de glicose
Medir a taxa de glicose no sangue é uma forma de verificar a ação da insulina

A sensibilidade à insulina é a forma que o corpo responde aos efeitos desse hormônio. Uma pessoa que é muito sensível à insulina precisará de quantidades menores desse hormônio para conseguir baixar os níveis de glicose no sangue.

Por outro lado, ser resistente à insulina é um sinal de que o corpo está tendo dificuldade em metabolizar a glicose, que é um problema oposto à alta sensibilidade ao hormônio.

A resistência à insulina pode indicar outros problemas de saúde, como altos níveis de colesterol e pressão alta, além de causar problemas para pessoas com diabetes tipo 1, principalmente em crianças pequenas.

A sensibilidade à insulina é uma condição que varia de pessoa para pessoa, sendo diagnosticada por exames médicos.

Por que a sensibilidade à insulina é importante?

Baixa sensibilidade à insulina pode levar a uma variedade de problemas de saúde, pois o corpo tentará compensar essa sensibilidade produzindo mais insulina. Um alto nível de insulina (hiperinsulinemia) pode levar a:

  • Danos nos vasos sanguíneos;
  • Doenças cardíacas;
  • Pressão alta;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Osteoporose;
  • Obesidade;
  • Câncer.

Períodos de estresse e doenças podem induzir a redução dessa sensibilidade. Na maioria dos casos, a pessoa se recupera assim que a doença ou estresse tenha passado. Para pessoas com diabetes tipo 1, ter alta sensibilidade pode aumentar o risco de hipoglicemia.

A hipoglicemia ocorre quando há muita insulina na corrente sanguínea e pouca glicose, e seus principais sintomas são: tontura, confusão mental e náuseas.

Tipos de sensibilidade à insulina

Existem três diferentes tipos de sensibilidade à insulina, são eles:

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  1. Sensibilidade periférica à insulina: é a maneira como as células do corpo absorvem a glicose quando estimuladas pela insulina. Essa é a condição mais comum de resistência a esse hormônio;
  2. Sensibilidade à insulina hepática: está ligada ao processo de gliconeogênese (produção de novo açúcar no sangue);
  3. Sensibilidade à insulina pancreática: está relacionada ao funcionamento das células que produzem a insulina, as células-beta. Se elas não estiverem funcionando direito, pode-se desenvolver a resistência.

Sintomas da baixa sensibilidade à insulina

A sensibilidade à insulina não apresenta nenhum sintoma. Eles apenas aparecem quando essa condição leva a efeitos secundários, como por exemplo níveis mais elevados de açúcar no sangue, que é a hiperglicemia, indicando uma possível resistência ao hormônio.

Os sintomas da hiperglicemia são:

  • Cansaço;
  • Fome;
  • Dificuldade de se concentrar;
  • Ganho de peso, principalmente na área abdominal;
  • Pressão alta;
  • Níveis elevados de colesterol.

Como aumentar a sensibilidade à insulina

mulher correndo
Praticar atividades físicas é uma excelente maneira de aumentar a sensibilidade à insulina

Para aumentar a sensibilidade à insulina, você pode fazer algumas mudanças no seu estilo de vida, como:

1. Dormir mais

Em um estudo publicado em 2015 no periódico Sleep foi feito com 16 pessoas saudáveis que não dormiam o suficiente. Nele, os participantes tiveram que dormir uma hora a mais por dia durante seis semanas. Essa hora extra de sono levou ao aumento da sensibilidade à insulina.

2. Praticar mais exercícios físicos

Um estudo publicado em 2009 na revista científica Diabetologia, feito com 55 adultos saudáveis que tiveram que participar de um programa de exercícios físicos por 16 semanas.

Nele os pesquisadores descobriram uma associação entre o aumento dos níveis de atividade física e a melhora da sensibilidade à insulina.

3. Combinar diferentes tipos de exercícios

Pesquisas sugerem que alguns tipos de exercícios físicos podem aumentar a sensibilidade à insulina mais do que outros.

Os autores descobriram que a combinação de exercícios aeróbicos com treinamento de força (musculação) foi muito eficaz tanto para pessoas com e sem diabetes e, por isso, os autores da pesquisa recomendam:

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  • Pessoas sem diabetes devem praticar pelo menos 30 minutos de atividades físicas cinco vezes por semana. Esses exercícios devem incluir aeróbicos de alta intensidade, três vezes por semana, e treinamento de força em todos os principais grupos musculares, duas vezes por semana;
  • As pessoas com diabetes tipo 2 devem fazer pelo menos 30 minutos de exercícios, cinco vezes por semana, que devem ser aeróbicos de intensidade moderada e de longa duração, três vezes por semana, e treinamento de resistência de alta repetição em todos os principais grupos musculares, duas vezes por semana;
  • Pessoas com diabetes tipo 2 e com mobilidade limitada devem fazer o máximo de exercício que conseguirem, incluindo exercícios aeróbicos e treinamento de resistência de baixa intensidade em todos os principais grupos musculares, três vezes por semana.

4. Ingerir mais fibras solúveis

A fibra solúvel é um tipo de fibra alimentar que vem das plantas. Embora essa fibra seja um tipo de carboidrato, o corpo não consegue digeri-lo muito bem, e dessa forma elas não geraram picos de glicose no sangue.

Além disso, a fibra solúvel também retarda o esvaziamento gástrico, que é o tempo em que uma refeição demora para sair do estômago e entrar no intestino delgado.

Estudos sugerem que esse atraso pode ajudar a reduzir os níveis de glicose no sangue em pessoas com diabetes tipos 2, após as refeições.

Portanto conclui-se que ingerir mais fibras solúveis pode ajudar a reduzir a resistência à insulina.

5. Menos carboidratos, mais gorduras insaturadas

Pesquisas recentes sugerem que a substituição de carboidratos por gorduras insaturadas pode melhorar a sensibilidade à insulina em algumas pessoas.

Um estudo investigou os efeitos de diferentes dietas sobre a sensibilidade à insulina em adultos com pressão alta, o que é um fator de risco para diabetes tipo 2.

Os pesquisadores concluíram que manter uma dieta pobre em carboidratos e rica em gorduras insaturadas por 6 semanas pode melhorar a sensibilidade à insulina.

Já uma revisão de 102 estudos concluiu que a substituição de carboidratos e gorduras saturadas por gordura poli-insaturada pode melhorar a regulação do açúcar no sague.

Benefícios de aumentar a sensibilidade à insulina

Ao aumentar a sensibilidade à insulina, você sentirá uma grande diferença em seu corpo, por exemplo:

  • Para quem aplica insulina diariamente, aumentar a sensibilidade à insulina pode ajudar a pessoa a diminuir as doses.
  • Além disso, muitas pessoas com diabetes tipo 2 foram capazes de reduzir e até mesmo abandonar a medicação que tomavam. Além disso, perderam de peso.

É sempre bom lembrar que, se você sentir qualquer sintoma incomum é preciso procurar um médico para ter um diagnóstico e também para ter um acompanhamento especializado.

Fontes e Referências Adicionais

Você tem ou conhece alguém que tenha baixa sensibilidade à insulina? Como o médico recomendou tratar esta condição? Comente abaixo.

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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