Pílulas anticoncepcionais

Anticoncepcional Faz Mal? Efeitos Colaterais e Dicas

O anticoncepcional é uma maneira das mais eficazes de evitar a gravidez indesejada. Nos últimos 50 anos, o número de métodos aumentou drasticamente e eles geralmente são diferenciados de acordo com o seu funcionamento.

Embora existam diversos produtos, métodos hormonais como a pílula são os mais comuns e os hormônios presentes na composição podem interagir com o organismo de maneira positiva e negativa. Ainda que eles tenham passado por muitas melhorias nos últimos anos, incluindo a diminuição da quantidade de hormônios, a concentração, tipo e mistura hormonal podem provocar reações no corpo, e essa questão tem sido motivo de preocupação para muitas pessoas.

Por isso, abaixo vamos entender se o anticoncepcional faz mal, quais são os seus efeitos colaterais e mais dicas de consumo desse método contraceptivo.

Anticoncepcional

Inúmeros produtos e marcas estão disponíveis no mercado, mas quando pensamos em anticoncepcional, o que rapidamente vem à mente? Sim, a pílula.

Essa referência é feita porque ela é o anticoncepcional mais utilizado. Historicamente falando, a pílula anticoncepcional foi inventada em 1960 e ainda que muitas outras versões já tenham chegado ao mercado, a pílula continua sendo o anticoncepcional mais popular.

Elas são um medicamento tomado diariamente por mulheres, a fim de evitar a gravidez indesejada. Embora esse seja o principal motivo, uma pequena porcentagem também as toma para regular ou interromper temporariamente os ciclos menstruais ou reduzir os sintomas associados à TPM e desequilíbrios hormonais.

Quando o assunto é a gravidez, sua eficácia se aproxima de 99% de proteção se for tomada da maneira correta. Existem diferentes tipos, mas todas elas contêm formas sintéticas dos hormônios estrogênio, progesterona ou ambos. Confira abaixo:

Tipos de pílulas anticoncepcionais

– Combinados pílulas anticoncepcionais

Combinados contêm mais de um tipo de hormônio feminino. Eles são feitos com hormônios químicos que imitam os efeitos do estrogênio e progesterona, que impedem a gravidez, interrompendo a ovulação. Além de impedir a ovulação, as fórmulas combinadas das pílulas causam outras alterações no sistema reprodutivo da mulher que impedem a fertilização do óvulo, incluindo a redução do revestimento do útero e o espessamento do muco cervical.

Comprimidos combinados são tomados em um ciclo a cada mês, geralmente de 21 a 24 dias ativos, seguidos por cerca de 4 a 7 dias de folga. O sangramento menstrual geralmente ocorre nos dias em que as pílulas não são tomadas e mesmo nos dias em que nenhuma pílula é tomada, a mulher está protegida.

Existem outras versões sem interrupção, nas quais os comprimidos são tomados diariamente, sem intervalo. As pílulas anticoncepcionais combinadas que contêm menos de 50 microgramas de etinilestradiol (um tipo de estrogênio) são consideradas “pílulas de baixa dosagem”, que geralmente são recomendadas para mulheres que são sensíveis a doses mais altas.

– Pílulas anticoncepcionais de progestogênio

Essas pílulas contêm apenas progestina (sem estrogênio). Elas são normalmente recomendadas para mulheres que não podem tomar pílulas combinadas devido a efeitos colaterais ou interações. As minipílulas, como são conhecidas, geralmente não impedem a ovulação, mas causam espessamento do muco cervical e enfraquecimento do revestimento do útero.

Benefícios do anticoncepcional para a saúde

  1. Reduz o risco de anemia: Um grande estudo no Reino Unido forneceu evidências claras de que o uso de pílula anticoncepcional reduz o risco de anemia por deficiência de ferro. O efeito é provavelmente provocado pela diminuição do fluxo menstrual e consequente aumento das reservas de ferro.
  2. Diminui o risco de cistos ovarianos e miomas: Vários estudos descobriram que o uso de anticoncepcional diminui o risco de cistos ovarianos funcionais. Este efeito é possível por causa da supressão da ovulação. Evidências também sugerem que protegem contra miomas uterinos. Embora ainda haja especulação sobre o mecanismo, o efeito protetor contra os miomas pode estar relacionado ao efeito dos estrogênios circulantes, que é modificado pelas progestinas nos anticoncepcionais.
  3. Reduz o risco de doença inflamatória pélvica: Vários estudos descobriram que o uso da pílula anticoncepcional reduz o risco de doença inflamatória pélvica em cerca de 40%. Isso acontece porque os hormônios podem alterar a mucosa cervical, impedindo que os patogênicos subam para o aparelho genital. Os hormônios também reduzem o fluxo sanguíneo menstrual, diminuindo assim o crescimento bacteriano.
  4. Reduz o risco de câncer endometrial e ovariano: Outro benefício importante do uso é a redução do risco de câncer endometrial e ovariano. Vários estudos, particularmente um realizado nos Estados Unidos, evidenciou uma redução de 40% no risco de câncer endometrial. Além disso, uma redução de 40% no risco de câncer de ovário também foi percebida e a supressão da ovulação e a da secreção do hormônio gonadotrofina podem ser os responsáveis por essa proteção.

Além disso, existem relatos que o uso de anticoncepcional diminui a acne e ajuda a controlar as oscilações hormonais que provocam as alterações de humor ligadas à TPM.

Efeitos colaterais – Como o anticoncepcional faz mal?

Efeitos colaterais comuns dos contraceptivos orais incluem:

  1. Sangramento vaginal: O sangramento vaginal avançado é comum nos primeiros 3 meses após começar a tomar a pílula. Esse sangramento pode acontecer porque o útero está se ajustando para ter um revestimento endometrial mais fino ou porque o corpo está se ajustando a níveis diferentes de hormônios.
  2. Náusea: Algumas mulheres experimentam uma náusea leve quando tomam a pílula pela primeira vez, mas os sintomas geralmente desaparecem depois de um tempo. Tomar a pílula na hora da refeição ou antes de ir dormir pode ajudar. Se a náusea for grave ou persistir por mais de 3 meses, você deve procurar orientação médica.
  3. Sensibilidade nos seios: As pílulas anticoncepcionais podem aumentar a sensibilidade nos seios, mas normalmente se resolve algumas semanas após o início da pílula. Qualquer pessoa que encontre um nódulo no seio ou que tenha dor ou sensibilidade persistente ou dor mamária grave deve procurar ajuda médica.
  4. Dores de cabeça e enxaqueca: Os hormônios presentes nas pílulas anticoncepcionais podem aumentar a chance de dores de cabeça e enxaqueca. Comprimidos com diferentes tipos e doses de hormônio podem desencadear sintomas diferentes, por exemplo, uma pílula de baixa dosagem pode reduzir a incidência de dores de cabeça.
  5. Ganho de peso: Os estudos clínicos não encontraram uma ligação consistente entre o uso de pílulas anticoncepcionais e as flutuações de peso. No entanto, a retenção de líquidos pode ocorrer, especialmente em torno dos seios e quadris. A maioria dos estudos mostra um ganho de peso médio de menos de 2 kg no período de 6 ou 12 ingerindo só progestina. Estudos de outros métodos mostraram o mesmo ganho e alguns tipos de contraceptivos hormonais têm sido associados a uma diminuição na massa corporal magra.
  6. Mudanças de humor: Estudos sugerem que os contraceptivos orais podem afetar o humor e aumentar o risco de depressão ou outras alterações emocionais.
  7. Ausência de menstruação: Fatores como o estresse, doença, viagens e anormalidades hormonais ou tireoidianas podem impedir que você fique menstruada durante a pausa do remédio. Caso isso aconteça, recomenda-se que seja feito um teste de gravidez antes de iniciar a próxima cartela, mas não é incomum que o fluxo seja muito leve ou que não apareça de vez em quando.
  8. Diminuição da libido: Os hormônios usados na pílula anticoncepcional podem afetar a libido em algumas pessoas. Porém, em outras, a pílula anticoncepcional pode aumentar a libido, pelo simples fato de eliminar preocupações com a gravidez, reduzindo os sintomas de cólicas menstruais, síndrome pré-menstrual, endometriose e miomas uterinos. Mas se não é esse o caso e se a diminuição da libido persistir e for incômoda, converse com um médico.
  9. Corrimento vaginal: Esse é um problema que pode acontecer quando se toma a pílula. Esse pode ser um resultado do aumento ou uma diminuição na lubrificação vaginal. Essas alterações geralmente não são prejudiciais, mas as alternâncias de cor ou odor podem indicar uma infecção.
  10. Alterações oculares: Alterações hormonais causadas pela pílula anticoncepcional têm sido associadas a um espessamento da córnea nos olhos. O uso de contraceptivos orais não foi associado a um risco maior de doença ocular, mas pode significar que as lentes de contato não se encaixam mais confortavelmente.

Efeitos em longo prazo

O uso de pílulas anticoncepcionais pode aumentar o risco de problemas de saúde em longo prazo.

  1. Problemas cardiovasculares: Pessoas com histórico de coágulos sanguíneos, ataques cardíacos ou derrames são aconselhadas a não tomar a pílula anticoncepcional combinada. Isso porque as pílulas combinadas podem aumentar ligeiramente o risco de efeitos colaterais cardiovasculares como ataque cardíaco, derrame e coágulos sanguíneos e eles podem ser fatais.
  2. Risco de câncer: Os hormônios femininos que ocorrem naturalmente, como o estrogênio, afetam as chances de uma mulher desenvolver alguns tipos de câncer. Portanto, é possível que o uso de um método baseado em hormônios possa ter um efeito similar. O câncer de mama é o mais comum, especialmente se as mulheres começaram a usar a pílula ainda na adolescência. Entretanto, os contraceptivos orais também têm sido associados a uma maior chance de desenvolver tumores benignos do fígado, mas estes raramente se tornam cancerosos.
  3. Riscos relacionados: A pílula anticoncepcional pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como coágulos sanguíneos, trombose venosa profunda, coágulos no pulmão, derrame ou ataque cardíaco. Elas também foram associadas a um aumento da pressão arterial, tumores benignos do fígado e alguns tipos de câncer.

A pílula não deve ser tomada por:

  • Mulheres que estão grávida;
  • Fumantes com idade superior a 35 anos, ou qualquer pessoa que parou de fumar no último ano e tem mais de 35 anos de idade;
  • Obesas;
  • Pessoas que tomam certos medicamentos;
  • Têm ou teve trombose, derrame ou problema cardíaco;
  • Histórico familiar de coágulo antes dos 45 anos de idade;
  • Pessoas com enxaquecas severas;
  • Mulheres que têm ou tiveram câncer de mama, doença do fígado ou da vesícula biliar;
  • Mulheres com diabetes há pelo menos 20 anos ou com complicações.

Outros anticoncepcionais hormonais

Existem outros métodos anticoncepcionais hormonais e esses costumam apresentar os mesmos efeitos colaterais da pílula. Então, se você toma pílula e quer trocar, essas alternativas podem não ser as melhores.

– Implante contraceptivo

O implante contraceptivo é uma opção entre os tipos de contraceptivos que oferecem proteção em longo prazo. Dura cerca de três anos em média. Ele contém progesterona, o mesmo hormônio da pílula, e é liberado em um ritmo lento e constante por três anos, produzindo os mesmos efeitos da pílula. O implante é inserido no braço por um especialista de saúde e deve ser removido após três anos.

– Injeções Contraceptivas

A injeção é uma espécie de “tiro” de hormônios que é aplicada uma única vez, mas que pode durar de 8 a 12 semanas e tem o mesmo efeito da pílula. Devendo ser renovada após esse período.

– Anel vaginal

O anel contraceptivo vaginal é um pequeno anel de plástico transparente que é inserido na vagina e mantido por três semanas. Você deve então removê-lo durante suas menstruações e substituí-lo por um novo depois disso. O anel contém os mesmos hormônios que a pílula contraceptiva (progesterona e estrogênio), fornecendo, portanto, o mesmo tipo de proteção efetiva e efeitos colaterais.

– Adesivo contraceptivo

O adesivo anticoncepcional é exatamente a mesma coisa que a pílula, mas na forma de um adesivo. Ele fornece a mesma proteção e tem os efeitos colaterais positivos e negativos. O uso é feito por três semanas, então uma semana de pausa deve ser feita para começar um novo ciclo com um novo adesivo. O patch é uma opção interessante, pois você não precisar se preocupar todos os dias.

– Dispositivo intra-uterino (DIU)

Dois tipos de DIUs são comercializados, os hormonais ou baseados em cobre. DIUs hormonais e de cobre fazem parte das poucas soluções de longo prazo, o que significa que você pode mantê-los por cinco ou dez anos, respectivamente.

Dicas:

Se a pílula não é uma indicação para você devido à sua sensibilidade aos efeitos colaterais ou até mesmo pela contraindicação por causa de seu histórico médico, existem opções de contracepção sem a presença de hormônios que podem ser utilizadas. Confira as dicas:

– Esponja contraceptiva

A esponja é uma espuma pequena e redonda (poliuretano) colocada dentro da vagina. Contém espermicida para que o esperma não passe da espuma.

– Espermicida

O espermicida é um “ingrediente” recorrente na contracepção, porque se mostra muito eficaz quando usado em combinação com outros métodos (por exemplo, diafragma, esponja). Em si, o espermicida nem sempre oferece a melhor proteção contra a gravidez, embora isso também seja devido ao uso inconsistente do produto.

– O diafragma

O diafragma é um método de barreira que é colocado dentro da vagina de modo que impede que o esperma entre no útero. O diafragma deve ser revestido com espermicida e inserido pelo menos seis horas antes da relação sexual e precisa ser removido após 24 horas para a limpeza. Dependendo do material e do tipo do diafragma, ele pode ser reutilizado muitas vezes.

– O gorro cervical – Femcap

O capuz cervical é vendido como Femcap. Ele é um copo de látex em forma de dedal, basicamente como um diafragma, mas menor. Também precisa ser usado com um espermicida e deve permanecer na vagina pelo menos 6 horas após a relação sexual. Como algumas mulheres contraem cistite pelo uso de um diafragma, o capuz cervical é um substituto útil porque tem menos contato com a vagina.

– O preservativo masculino

Entre os diferentes tipos de contraceptivos, o preservativo masculino (a famosa camisinha) é um forte candidato ao título de método contraceptivo mais comum. É fácil de usar, acessível e oferece a melhor proteção contra DSTs .

– O preservativo feminino

Foi introduzido no mercado pela primeira vez há 20 anos e oferece 95% de proteção eficaz contra a gravidez, bem como alguma proteção contra DSTs. Os preservativos femininos são geralmente mais caros que os masculinos, mas são menos propensos a estourar. Eles podem ser inseridos até oito horas antes de uma relação sexual.

Anticoncepcional faz mal?

Responder se o anticoncepcional faz mal é uma tarefa delicada, pois dependerá de muitas condições relacionadas à saúde e sensibilidade de cada mulher. É fato que o anticoncepcional apresenta benefícios e efeitos colaterais, e apesar das evidências que sugerem que existem muitos perigos possíveis, existem diferentes pontos de vista, pois milhões de mulheres optam por esse método todos os anos, por entender que ele é benéfico e a melhor opção.

Estatísticas mostram que aproximadamente 67% de todas as mulheres que praticam contracepção usam principalmente anticoncepcional hormonal.

Muitas mulheres se adaptam facilmente às pílulas anticoncepcionais e levam uma vida normal, sem a presença de nenhum efeito colateral, e isso é possível principalmente para aquelas que estão saudáveis. Porém, para algumas mulheres o anticoncepcional faz mal sim, pois a atuação e interação dos hormônios presentes na composição com o organismo pode provocar ou agravar condições de saúde.

Fatores como seu histórico de ciclo menstrual, idade, saúde geral, histórico médico e uso de medicamentos podem determinar se você definitivamente deve evitar os anticoncepcionais hormonais, até os mais fracos, e usar outros métodos.

Existem dois outros pontos que jogam contra o uso da pílula e esses não estão relacionados aos efeitos colaterais. Quando usada corretamente, a pílula é altamente eficaz para evitar a gravidez, mas quando acontece um esquecimento da tomada diária, uma gravidez indesejada pode acontecer e é exatamente por esse motivo que algumas mulheres buscam alternativas como as injeções ou adesivos. Outra questão preocupante é que as pílulas anticoncepcionais não previnem as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), pois apenas um preservativo pode evitar esse tipo de infecção.

Finalizando, escolher o melhor anticoncepcional é uma decisão pessoal, e como na vida, é tudo uma questão de perspectiva. Se o anticoncepcional faz mal para você por conta dos riscos para a saúde, seja porque você é fumante, ou tem pressão alta ou um histórico de câncer de mama, há muitas outras opções que podem ser mais adequados.

O seu médico é a melhor pessoa para ajudar a decidir se essa é uma opção arriscada ou ruim para você, pois um anticoncepcional adequado é aquele que traz confiança, conforto e segurança, porque assim ele será capaz de evitar uma gravidez sem provocar outras condições e problemas.

Referências adicionais:

Você já tinha ouvido falar que anticoncepcional faz mal? Tem esse receio de tomar pílula por conta desses efeitos colaterais? Qual método é o seu preferido? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite - (no G+)


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