Crise de Ansiedade – 14 Sintomas e O Que Fazer

Especialista:
atualizado em 20/05/2020

Ter uma crise de ansiedade é mais comum do que se pensa. Veja quais são os sintomas e o que fazer quando você apresentar uma.

Pesquisas mostram que quase todas as pessoas passam por uma crise de ansiedade ao menos uma vez na vida e, em alguns casos, a situação pode se agravar e virar um transtorno psicológico persistente que atrapalha a qualidade de vida.

Segundo a American Psychiatric Association, transtornos de ansiedade são os transtornos mentais mais comuns, que afetam até 30% dos adultos, e é preciso estar bem atento aos seus sintomas e à frequência de crises que podem indicar problemas mais graves.

Aproveite para conferir os principais sintomas da ansiedade e conheça desde já algumas dicas para aliviar a ansiedade comprovadas pela ciência.

Se você acha que está tendo uma crise de ansiedade, confira abaixo uma lista dos principais sintomas de uma crise e veja as dicas dicas acerca do que fazer para se acalmar.

Ansiedade

Você se acha muito ansioso? Pois saiba que você não está sozinho. O estilo de vida que a maioria das pessoas leva atualmente faz com que os níveis de ansiedade e estresse sejam mais altos do que nunca foram antes. Não é à toa que só aumenta o número de pessoas ansiosas e com transtornos psicológicos que afetam o humor e diversos aspectos de suas vidas.

A ansiedade ocorre quando o organismo entra em um estado de apreensão, incerteza e medo. Essas sensações podem ocorrer devido a uma situação real de ameaça, a uma situação imaginária ou como resultado de uma antecipação a um problema.

Ou seja, a ansiedade muitas vezes é uma sensação normal que todos sentimos quando nos sentimos ameaçados ou muito preocupados com algo. Esse mecanismo é muito importante para ativar a resposta do nosso corpo ao estresse, o que faz com que o organismo libere diversos hormônios na corrente sanguínea como a adrenalina, por exemplo, que ajuda a lidar com essa possível situação de ameaça.

Essa resposta ao estresse permite que o corpo poupe energia de outros órgãos menos importantes para disponibilizar uma fonte rápida de energia para que você consiga “lutar ou fugir” da ameaça iminente.

Assim, a ansiedade e o estresse não são emoções ruins, mas extremamente necessárias para a sobrevivência.

Crise de ansiedade

O que acontece quando estamos extremamente ansiosos é que o corpo ativa o mecanismo de sobrevivência descrito acima mesmo quando não há uma situação de perigo real. Essa ansiedade em excesso pode causar sintomas físicos que podem ser assustadores para quem nunca teve uma crise de ansiedade antes.

Assim, uma crise de ansiedade, mencionada também como ataque de pânico, é uma reação de grande estresse que é desencadeada por uma preocupação exagerada, por estresse acumulado ou por medo extremo.

O que deixa muitas pessoas assustadas com uma crise de ansiedade é que essa crise pode ser voluntária ou não.

  1. Crise de ansiedade voluntária: nessa crise, a ansiedade ocorre por causa de uma ameaça real. Geralmente, a crise acontece quando estamos muito preocupados com alguma coisa ou estamos com muito medo de uma situação de risco real. A crise de ansiedade voluntária representa cerca de 98% dos casos de crises.
  2. Crise de ansiedade involuntária: a crise involuntária pode atingir o corpo mesmo sem que a pessoa perceba que está ansiosa. Esse tipo de crise costuma ser causado por um acúmulo de estresse ou de traumas emocionais, por exemplo.

Tanto uma crise voluntária quanto uma involuntária desencadeiam alterações psicológicas, fisiológicas e emocionais no corpo que são as responsáveis pelos sintomas observados durante uma crise de ansiedade.

Sintomas

Uma crise de ansiedade é caracterizada por vários dos seguintes sintomas:

1. Medo

É comum que pessoas que estão passando por uma crise de ansiedade sintam medo, principalmente se essa for a primeira crise.

Algumas pessoas sentem como se estivessem em um perigo muito grande, outras ficam em pânico ou paralisadas, enquanto outras tentam fugir daquele lugar ou situação. Há ainda aquelas que, em meio a tantos sintomas físicos e emocionais, ficam com medo de enlouquecer ou de perder o controle da situação.

Em qualquer um desses cenários, é preciso tentar manter a calma e buscar meios de vencer o medo. Daremos algumas dicas de como fazer isso ainda neste artigo.

2. Tontura

Durante uma crise de ansiedade, muitas pessoas sentem tontura ou dificuldades de equilíbrio.

Nesses casos, é importante ficar longe de escadas e evitar realizar atividades que podem ser perigosas como dirigir, por exemplo.

3. Palpitações cardíacas

O ritmo cardíaco costuma acelerar durante uma crise de ansiedade. As pessoas podem sentir sintomas como palpitações, pontadas no peito e taquicardia por vários minutos, inclusive depois do fim da crise.

4. Tremores

A ocorrência de tremores no corpo é um sintoma bem comum em crises de ansiedade. Qualquer parte do corpo – frequentemente as mãos, os braços ou as pernas – pode começar a tremer durante uma crise. Geralmente, o tremor dura poucos segundos ou minutos e cessa.

5. Suor frio

Quando estamos nervosos, é normal que suemos frio. Em uma crise de ansiedade não é diferente – o estresse no organismo pode fazer com que nossas mãos e outras partes do corpo fiquem suadas sem motivo aparente.

6. Pressão ou dor no peito

Além da taquicardia, algumas pessoas podem sentir uma pressão ou uma dor no peito. Na maioria dos casos, essa dor é sentida no peito esquerdo e por esse motivo muitos confundem uma crise de ansiedade com um ataque cardíaco.

7. Palidez

Em uma crise de ansiedade, a circulação do sangue pode ser afetada e resultar em palidez, especialmente nas extremidades do corpo como no rosto, nos pés e nas mãos.

8. Falta de ar

O estresse intenso pode resultar em sensação de falta de ar ou de asfixia, como se houvesse um nó na garganta ou como se ela estivesse se fechando e impedindo a entrada do ar. É essencial manter a tranquilidade e respirar bem fundo pelo nariz até que o sintoma vá desaparecendo.

Vale a pena, inclusive, conhecer esses exercícios de respiração para retomar a tranquilidade.

9. Sensação de desmaio

Uma leve confusão mental e uma sensação de que está prestes a desmaiar podem ocorrer durante uma crise.

10. Fraqueza nas pernas

Além dos tremores, uma sensação de fraqueza nas pernas também pode percorrer o seu corpo durante uma crise devido as alterações no fluxo sanguíneo.

11. Dormência ou sensação de formigamento

O sintoma campeão em levar as pessoas até o pronto socorro é a dormência ou formigamento no corpo. Ao sentir um formigamento ou dormência – que geralmente ocorre no lado esquerdo do corpo – o indivíduo pensa que está tendo um ataque cardíaco e muitas vezes corre para o hospital. No entanto, é apenas mais um sintoma extremamente desagradável de ansiedade.

12. Dor no estômago ou náusea

Um dos sintomas mais recorrentes em crises de ansiedade é a dor no estômago, como uma espécie de frio na barriga. Algumas vezes, é possível sentir náusea e vomitar. Em outras situações, a pessoa sente vontade súbita de ir ao banheiro para urinar ou defecar, resultando em diarreia em alguns casos.

13. Sensibilidade emocional

Na crise de ansiedade, as pessoas tendem a ficar com muito medo, o que gera vários sintomas emocionais que podem incluir: incapacidade de se acalmar, perda de motivação, sofrimento, insegurança e preocupação excessiva.

14. Problemas para dormir

Dificuldades para dormir também podem ser observadas durante ou após uma crise de ansiedade. Os principais problemas relatados são sono de baixa qualidade ou pouco revigorante, cansaço constante e dificuldade para dormir ou para manter o sono. Veja algumas dicas de como lidar com a ansiedade antes de dormir que podem ajudar.

O que fazer

A presença de apenas um sintoma não caracteriza uma crise de ansiedade. Além disso, cada crise de ansiedade é única: existem pessoas que apresentam mais de um ou todos os sintomas de uma só vez.

Qualquer que seja o caso, quando uma crise de ansiedade acontece, o indivíduo tem a sensação de que não tem absolutamente nenhum controle sobre o seu corpo. Essa sensação é mais comum nos casos de crises involuntárias em que somos pegos de surpresa pelos sintomas.

O grande problema é que nessas situações, a pessoa em crise tende a ficar ainda mais assustada e com medo, o que ativa outras reações ao estresse e prolongam a crise.

É muito comum, por exemplo, uma pessoa que nunca teve uma crise de ansiedade achar que está tendo um ataque cardíaco. Isso eleva ainda mais os níveis de estresse e ansiedade, o que dificulta a lidar com os sintomas de uma maneira mais tranquila.

Então, como controlar uma crise de ansiedade?

Considerando que quanto mais nervoso você ficar, pior será, a dica mais valiosa durante uma crise de ansiedade é tentar manter a calma.

Embora isso pareça praticamente impossível, ajuda muito você pensar que são apenas sintomas desencadeados por um alto nível de hormônios de estresse na sua corrente sanguínea e que em pouco tempo eles irão cessar desde que você se esforce para se acalmar e não deixe o estresse tomar conta.

Existem vários jeitos de reagir bem a uma crise de ansiedade. As dicas a seguir com certeza vão te ajudar a passar por essa situação e sair dela o mais rápido possível:

1. Compreender o que é uma crise de ansiedade e não ter medo

O primeiro passo, como já mencionado, é entender o que está acontecendo no seu corpo. Quando você entende que a ansiedade é um mecanismo natural do organismo, fica mais fácil “aceitar” a crise e saber que ela vai passar assim que os níveis hormonais voltarem ao normal e que para isso basta aguardar alguns momentos e tentar não ter medo.

A ideia aqui é não ficar preocupado em tentar controlar os sintomas e sim entender que eles são apenas temporários e que irão embora naturalmente.

Uma dica é, ao invés de se desesperar com um ataque de pânico, reconhecer que os sintomas são desagradáveis, mas que eles são resultado de um mecanismo natural essencial para a sobrevivência e que logo eles irão embora. Pensar assim pode te ajudar a sair mais rápido das crises e inclusive evitar que novas crises ocorram.

Se achar útil, anote em um caderno ou em uma folha fácil de achar o que é uma crise de ansiedade e que tudo vai ficar bem em pouco tempo. Assim, se for difícil se concentrar em lembrar, basta ler o que você escreveu para ficar mais calmo.

2. Respirar

Aprenda a respirar com o seu diafragma. Isso significa respirar profundamente de forma lenta e relaxada para que o corpo e a mente se tranquilizem. O ato de respirar calmamente faz com que o organismo entenda que você não está em perigo e que ele já pode parar de liberar hormônios do estresse.

Preste atenção apenas na sua respiração e sinta o diafragma se movimentar durante a respiração. Isso não só ajuda a acalmar, mas também pode ser um aliado em práticas relaxantes como a meditação, por exemplo.

Existem vários tipos de respirações diafragmáticas. Uma delas consiste em inspirar o ar profundamente durante 4 segundos, segurar a respiração por 2 a 3 segundos e em seguida soltar o ar pela boca por 5 a 6 segundos. É importante sentir o abdômen trabalhar durante a respiração.

3. Relaxar o corpo

Deixar o corpo relaxado também ajuda a eliminar a resposta ao estresse. Se você apresentar problemas para dormir, por exemplo, coloque fones de ouvido e escolha uma meditação guiada longa para que você relaxe e possa, inclusive, dormir no meio do processo. Além disso, tente criar uma rotina relaxante na hora de dormir que pode incluir tomar um leite morno e tomar um banho quente, por exemplo.

Outra dica para relaxar mesmo que você não esteja em casa consiste em visualizar uma imagem de um lugar em que você se sente seguro. Também vale imaginar que você está em um lugar bonito e tranquilo em meio a natureza. Feche os olhos, visualize seu “porto seguro” e se lembre que os sintomas vão passar e que você está seguro. Isso vai te ajudar a relaxar e se sentir mais seguro e confiante até a crise acabar.

4. Distrair-se

Grande parte das crises de ansiedade se prolongam justamente porque aquele pensamento de medo e de ansiedade continua atormentando nossa mente. Assim, pode ser uma boa estratégia se distrair nesses momentos.

Você pode procurar alguém para conversar sobre outro assunto, assistir a um desenho animado ou algo divertido, ler um livro, desenhar, brincar com um animal de estimação, sair para caminhar ou dar um passeio, por exemplo.

Escutar música também pode ajudar, desde que você selecione ou tenha uma playlist pronta de músicas relaxantes ou que sejam animadas. Nada de ouvir músicas tristes ou com letras agressivas neste momento. Uma boa dica é buscar uma playlist calma de música clássica ou instrumental.

5. Escrever

Escrever sobre seus sentimentos naquele momento pode te ajudar a expressá-los e a fugir um pouco de pensamentos ansiosos.

Anotar nem que sejam alguns tópicos sobre os sintomas que está sentindo e a intensidade deles, além de escrever sobre o que você está sentindo ou sobre o que está te afligindo ou te deixando ansioso, pode não só ajudar a processar melhor seus pensamentos como também servir de referência futura para lidar melhor com a sua crise de ansiedade.

Isso pode até te ajudar a identificar gatilhos que estão gerando suas crises para que você possa lidar de um modo melhor com eles na próxima vez. Você também pode usar essas anotações nas consultas com seu psicólogo para que ambos conversem sobre os possíveis gatilhos e discutam maneiras de evitar crises futuras.

Dicas para evitar outras crises

– Fazer exercícios físicos

Talvez não seja possível realizar uma atividade física durante uma crise de ansiedade, mas esse hábito com certeza ajuda a evitar crises futuras. Praticar exercícios aeróbicos como corrida, caminhadas rápidas ou ciclismo, por exemplo, ajudam o corpo a liberar substâncias que promovem o bem-estar como a endorfina. Isso ajuda a reduzir o estresse e a melhorar o humor em geral.

Ao fazer exercícios regularmente, você pode evitar picos de estresse que podem resultar em um ataque de pânico. Veja uma lista dos melhores exercícios para ansiedade e experimente praticá-los.

– Alimentar-se bem

A alimentação também tem um papel crucial na regulação dos hormônios no nosso organismo e no funcionamento geral do corpo.

Além de optar por alimentos nutritivos que fazem bem para o cérebro, como boas fontes de gordura como as nozes e peixes gordurosos como o salmão, por exemplo, pode ser útil evitar o consumo de bebidas e alimentos estimulantes como aqueles que contêm cafeína. Isso inclui o café, alguns chás, refrigerantes, chocolate e bebidas energéticas.

Evite também consumir ervas e suplementos nutricionais sem consultar um médico pois algumas dessas substâncias podem piorar a ansiedade. Confira em mais detalhes como funciona uma dieta para ansiedade.

– Verificar o uso de medicamentos

Alguns remédios podem apresentar como efeito colateral a ansiedade. Assim, vale a pena verificar na bula e com a ajuda do seu médico se o medicamento que você está tomando pode ser o responsável pelos seus sintomas.

Se esse for o caso, é indicado reduzir a dose ou buscar um tratamento alternativo com um remédio que não cause esses efeitos adversos.

Cuide da sua saúde mental

Uma crise de ansiedade pode durar alguns minutos. Depois do alto pico de estresse, que dura cerca de 10 minutos na maioria das pessoas, mas que pode durar mais tempo em pessoas muito ansiosas, os sintomas tendem a diminuir aos poucos até que você não sinta mais nenhum deles.

Algumas pessoas podem sentir resquícios dos sintomas por alguns dias após o ocorrido. Isso significa que os níveis de estresse ainda estão altos e a recuperação vai ocorrendo aos poucos.

É importante procurar um terapeuta para te ajudar a entender quais são os gatilhos para a sua ansiedade, para que você possa reduzir a ansiedade e o estresse diário e saiba lidar melhor com os sintomas se uma crise acontecer novamente.

Além disso, se suas crises forem frequentes e os sintomas forem muito difíceis de controlar, é essencial buscar ajuda profissional, pois além de impactar diretamente na sua produtividade e no seu bem-estar diário, a ansiedade constante pode evoluir para um transtorno psicológico que deve ser tratado adequadamente – com medicamentos quando necessário e se prescritos por um médico.

Mesmo se o seu problema for pontual, procurar um psicólogo é muito interessante para trabalhar qualquer tipo de trauma ou hábitos inadequados que estão servindo como gatilho para a sua ansiedade. Sem dúvidas, o psicólogo é o profissional certo que irá te ajudar a se conhecer melhor e a evitar novas crises de ansiedade além de obter um grande ganho em relação à qualidade de vida.

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Fontes e Referências Adicionais:

Você já sofreu uma crise de ansiedade alguma vez? Tem ocorrido com frequência? Como lida com elas? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Rafael Ferreira de Moraes

Dr. Rafael Moraes formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy em 2013. Pós-graduado em Psiquiatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde atuou nos atendimentos ambulatoriais da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e Casa de Medicina da PUC-Rio. Atualmente, exerce sua especialidade em três municípios do estado do Rio de Janeiro: Teresópolis, Magé e Rio de Janeiro, capital. Dr. Rafael é a promessa da Psiquiatria atual, jovem, que preza pelo acolhimento ao paciente unido ao que há de mais recente nesta área em constante evolução. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@rafafmoraes)

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