Estudo Mostra Vantagens de Tomar Remédio Para Pressão na Hora de Dormir

Especialista:
atualizado em 28/05/2020

Ao mesmo tempo em que é uma doença silenciosa, que não costuma provocar sintomas, a pressão alta é uma condição de saúde grave, que pode gerar complicações como ataque no coração; acidente vascular cerebral (AVC); aneurisma; insuficiência cardíaca; enfraquecimento e estreitamento dos vasos sanguíneos nos rins; espessamento, estreitamento ou rompimento de vasos sanguíneos nos olhos; síndrome metabólica; dificuldade de memória ou compreensão e demência.

Não é à toa que em cada consulta médica a pressão é verificada e que é tão importante seguir corretamente o tratamento recomendado pelo médico, a partir do momento que um quadro de hipertensão é diagnosticado.

Esse tratamento pode incluir o uso de medicamentos para pressão alta. Mas você já parou para pensar se existe um horário ideal para tomar os remédios para pressão? Pois pesquisadores da Espanha resolveram estudar isso.

O trabalho, que foi publicado em outubro de 2019 no European Heart Journal (Jornal Europeu do Coração, tradução livre), acompanhou mais de 19 mil adultos com pressão arterial elevada e identificou que aqueles que tomavam todos os seus remédios para pressão à noite registraram uma pressão arterial mais baixa ao longo do dia, em comparação com os participantes que eram medicados pela manhã.

A investigação foi feita entre os anos de 2008 a 2018. Os participantes possuíam 18 anos de idade ou mais, tinha sido diagnosticados com a pressão alta previamente ao estudo e foram acompanhados durante pouco mais de seis anos, em média.

O líder da pesquisa e diretor de bioengenharia e cronobiologia da Universidade de Vigo na Espanha, Ramon Hermida, afirmou que os dados apresentados pelo estudo são altamente consistentes, independente de sexo, idade, presença de diabetes ou doença nos rins e outros fatores de risco.

Mais especificamente, o uso dos medicamentos para pressão à noite foi associado pelo estudo a um risco 44% menor de ataque cardíaco, 42% mais baixo para insuficiência cardíaca, 49% mais reduzido para AVC e 40% menor de precisar fazer uma cirurgia para alargar as vias arteriais (revascularização coronária). Houve ainda uma redução geral de 45% no risco de morte associada à problema cardiovascular.

Hermida apontou que embora exista a convenção de tomar medicamentos para pressão na parte da manhã, não há experimentos que apontam que o período matutino seja preferível. Mais do que isso, o diretor de bioengenharia e cronobiologia da Universidade de Vigo, afirmou que atualmente não existem diretrizes que determinem qual o melhor horário para tomar os remédios.

Mas qual seria a diferença entre tomar o remédio pela manhã ou à noite?

Por que o uso dos medicamentos para pressão à noite gerou essas diferenças entre os participantes do estudo? Segundo o líder da pesquisa e diretor de bioengenharia e cronobiologia da Universidade de Vigo, Ramon Hermida, isso está associado a um melhor controle da pressão arterial no período noturno.

Hermida explicou que já tinha sido documentado que a pressão arterial adormecida é o marcador mais significante em termos de risco cardiovascular. As medidas de pressão aferidas ao longo da investigação espanhola mostraram que os pacientes que tomaram os medicamentos à noite tiveram uma diminuição expressiva da pressão arterial enquanto adormecidos, em comparação aos participantes que tomaram os remédios pela manhã.

Entretanto, o estudo não pode ser considerado definitivo, uma vez que carrega algumas ressalvas. Uma delas é que todos os participantes possuíam uma rotina de sono tradicional, na qual dormiam pela noite e se mantinham acordados pelo dia. Portanto, a pesquisa não informa como as rotinas de uso de medicamentos poderiam afetar as pessoas que trabalham no período noturno.

Além disso, todos os participantes do estudo eram brancos. O diretor de bioengenharia e cronobiologia admitiu que são necessárias pesquisas subsequentes conduzidas em pessoas de diferentes etnias. Por exemplo, Hermida citou que os negros americanos tendem a apresentar uma pressão acima da média quando se encontram adormecidos.

Ainda assim, o líder do estudo espera que os apontamentos da pesquisa ofereçam algum tipo de orientação aos médicos para instruir os seus pacientes a respeito das melhoras práticas na administração dos medicamentos para pressão.

Para cardiologista, o essencial é ter consistência

De acordo com o cardiologista Satjit Bhusri, quando se trata do fornecimento de proteção ideal por parte dos medicamentos para a pressão, a palavra-chave é consistência. Ou seja, é essencial ter uma rotina e não perder nenhuma dose diária dos remédios prescritos pelo médico, acrescentou o especialista.

Segundo Bhusri, pior do que uma pressão arterial elevada são as oscilações na pressão arterial, experimentadas devido a uma irregularidade no fornecimento das doses, que pode acontecer quando o paciente esquece de tomar seus medicamentos um dia ou outro.

O cardiologista também destacou que fatores como emoções e o uso de outros remédios também podem afetar a eficiência do medicamento para pressão. Além disso, o especialista advertiu que os pacientes que tomam remédios para pressão precisam conversar com o médico antes de trocar o horário em que tomam os medicamentos.

Portanto, nada de mudar o horário de usar remédios por conta própria. Até porque, como vimos acima, ainda são necessários mais estudos de sequência para confirmar se o período da noite é realmente tão benéfico assim para todos os pacientes tomarem os seus remédios para pressão.

Portanto, independente de tomar os seus medicamentos para pressão de manhã ou no período noturno – o que deve ser definido pelo médico – não deixe de tomá-los. Para não esquecer, anote na agenda ou coloque alarmes para despertar no celular como forma de lembrete.

Fontes e Referências Adicionais:

Você tem a necessidade de tomar medicamentos para pressão arterial diariamente? Em que período do dia costuma tomar? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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