Grávida pode tomar paracetamol?

Especialista da área:
atualizado em 02/05/2022

O paracetamol sempre foi visto como um remédio seguro para as grávidas, mas um novo consenso científico chamou atenção para os perigos oferecidos ao desenvolvimento do bebê, se ele não for administrado com cautela e sob prescrição médica.  

A Agência Europeia de Medicamentos (European Medicines Agency – EMA) aconselha o uso da menor dose efetiva, pelo menor tempo possível, para o alívio das dores e da febre na gestação. 

  Continua Depois da Publicidade  

Dentre os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroidais, o paracetamol é, com certeza, a medicação mais segura. O problema é que a maior parte das pessoas negligenciam os riscos da medicação, tratando-os como insignificantes e acabam abusando do medicamento. 

Veja mais detalhes sobre o uso do paracetamol pelas grávidas e entenda sobre os riscos envolvidos. 

Possíveis riscos do paracetamol às grávidas

O paracetamol (acetaminofeno, N-acetil-p-aminofenol) é um remédio muito usado para tratar dores leves a moderadas e febre. 

Um novo artigo científico publicado em uma conceituada revista internacional, a Nature Reviews Endocrinology, fez uma revisão de pesquisas epidemiológicas e de estudos feitos em laboratório com células e modelos animais, publicados nos últimos 25 anos, e encontrou os seguintes efeitos adversos associados ao uso da medicação na gravidez:

  • Alteração do desenvolvimento fetal
  • Aumento dos riscos de distúrbios no desenvolvimento do sistema nervoso: principalmente transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e problemas na aquisição da linguagem. 
  • Riscos ao desenvolvimento reprodutivo e urogenital: os estudos mostraram maiores riscos de criptorquidia (testículos não descidos), distância anogenital reduzida e infertilidade na idade adulta.

Então, grávida não pode tomar paracetamol?

Grávida tomando remédio
É importante a grávida não tomar nenhum medicamento sem antes consultar seu obstetra

Isso não quer dizer que as gestantes não devem ter suas dores agudas e persistentes tratadas com medicamentos, muito menos deixá-las com febre. Até porque a exposição do útero à febre também é prejudicial à gravidez, podendo resultar em danos ao tubo neural do bebê e problemas cardiovasculares futuros. 

  Continua Depois da Publicidade  

O médico ou médica obstetra é quem avaliará os riscos de se administrar o paracetamol para tratar episódios de dor e febre. A recomendação mais atual é de que seja usada a dose efetiva mais baixa, pelo menor tempo possível

Por isso, é muito importante que as grávidas não se automediquem, pois somente o profissional que acompanha a gestação é capaz de indicar a dosagem e seu tempo de uso, de modo a evitar riscos ao desenvolvimento do bebê.  

Como todo estudo científico, este também possui suas limitações, e os autores relatam a necessidade de se fazer estudos mais robustos envolvendo humanos, além dos modelos animais e estudos em laboratórios com células. 

De qualquer forma, os dados são estatisticamente significativos e apontam para os riscos relatados. Por isso, vale o alerta às gestantes e, também, aos profissionais de saúde para se atentarem às dosagens e ao tempo de uso prescritos às pacientes. 

É válido o alerta dos riscos do paracetamol?

Paracetamol
É importante que todas as grávidas saibam dos possíveis riscos do uso

Esse alerta é válido principalmente porque o medicamento é barato, de venda livre e sempre foi considerado inofensivo às gestantes e aos bebês. 

Então, para qualquer sintoma leve, que poderia ser administrado de forma não medicamentosa, se faz o uso do paracetamol, deliberadamente. 

  Continua Depois da Publicidade  

Outra razão do alerta é que muitos dos efeitos adversos aparecem anos após o nascimento da criança e não se faz a associação do problema ao uso do paracetamol durante a gravidez. 

Por exemplo, um adulto infértil pode passar anos tentando encontrar a causa do seu problema, sem desconfiar dos efeitos do paracetamol usado pela mãe durante sua gestação. 

Da mesma forma, o TDAH e as dificuldades na aquisição da linguagem durante a infância não são associados ao uso da medicação pela mãe, quando estava grávida. 

Alívio das dores comuns na gravidez sem usar paracetamol

Existem muitas formas de aliviar as dores comuns na gravidez sem usar remédios, como o paracetamol. 

No primeiro trimestre da gravidez, é comum a gestante sentir dores nos seios, sofrer com muito inchaço, enjoo e dor de cabeça ou enxaqueca.

Para as dores nos seios, recomenda-se o uso de sutiãs com alças largas e apoio nas costas. Eles dão mais sustentação, diminuindo bastante o desconforto e a dor. 

  Continua Depois da Publicidade  

Uma recomendação preventiva que, muitas vezes é negligenciada, é o cuidado com a alimentação. Se você fizer refeições com menos sal, menos gordura e ingerir bastante água e sucos de frutas sem adicionar açúcar, seu corpo não vai reter tanto líquido. 

Ao evitar a retenção de líquidos, você diminui as chances de sentir dores nas pernas, nos pés e na cabeça. Veja outras dicas de como aliviar a dor de cabeça na gravidez.

Outra dica é se alimentar de pequenas porções a cada 3 horas, evitando que seu estômago fique vazio ou que você coma grandes quantidades de uma vez. Fazendo isso, você terá menos enjoos

Uma opção terapêutica bastante relaxante e que pode te ajudar com dores de cabeça e nos pés é o escalda-pés, veja como fazer

Com o crescimento do bebê, é natural sentir dor no “pé da barriga“, parecida com uma cólica menstrual. Para aliviar essa dor, você pode usar bolsas térmicas no local. 

As dores nas costas e na virilha podem ser aliviadas com alongamentos e a hidroginástica

Fontes e referências adicionais

Você sabia que o paracetamol poderia trazer riscos ao bebê? Quais dos riscos mais te surpreendeu? Conhece alguma dica para aliviar as dores da gravidez? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (1 votos, média 5,00)
Loading...
Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

Deixe um comentário