Peito chiando: 7 principais causas e o que fazer

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atualizado em 30/06/2022

Peito chiando é um sintoma comum de doenças respiratórias, como asma e bronquite. O termo técnico deste sintoma é sibilo, e ele pode estar presente em outras condições de saúde que não envolvem, primariamente, os pulmões. 

Você sabe quando o peito está chiando, por causa do som agudo parecido com o de um assobio, que é emitido quando a pessoa respira. 

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Pelo fato do chiado no peito estar ligado a algum tipo de doença respiratória, ou até cardíaca, é indicado procurar ajuda médica assim que esse sintoma é detectado, para que a causa seja investigada e tratada, evitando consequências graves. 

Veja quais são as principais causas do sintoma de peito chiando e o que fazer. 

Asma

Asma
O peito chiando é um sintoma clássico das crises de asma

A asma brônquica, ou bronquite asmática, é uma doença crônica, caracterizada por uma inflamação no pulmão. 

Como consequência do processo inflamatório, ocorre o estreitamento dos brônquios, dificultando a passagem do ar até os pulmões, resultando em dificuldade para respirar e chiado no peito.

Uma crise aguda de asma pode ser desencadeada por alguma substância alérgica, por exemplo, pelos de animais, temperatura e umidade extremas e esforço físico. 

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Por se tratar de uma doença crônica, a asma alterna entre episódios de crise aguda e períodos assintomáticos. 

Quando a crise de asma está em um estágio grave, o som do chiado no peito fica mais agudo.

O que fazer

Ainda não existe um remédio ou tratamento que cure a asma, mas há medicamentos controladores e de resgate, que previnem as crises agudas e tratam os seus sintomas.

De modo geral, as medicações consistem em combinações de corticosteróides, que previnem o quadro inflamatório, e broncodilatadores de curta ou longa duração, que mantêm as vias dos brônquios abertas, facilitando a passagem do ar. 

Essas medicações inalatórias são comumente chamadas de bombinhas, que é o nome popular do dispositivo onde elas ficam confinadas.

Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

Doença pulmonar obstrutiva crônica, ou simplesmente DPOC, é um termo usado para se referir a todas as doenças crônicas caracterizadas pela obstrução dos brônquios, as vias que levam o ar até os pulmões. 

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A falta de oxigenação nos pulmões pode provocar lesões irreversíveis, que prejudicam significativamente a qualidade de vida das pessoas.  

A bronquite crônica e o enfisema pulmonar são exemplos clássicos de DPOC. 

Muitas das doenças inseridas neste grupo são consequências diretas do tabagismo crônico. Exposições prolongadas a produtos químicos, poeira e poluentes do ar, também são fatores de risco para uma pessoa desenvolver uma DPOC. 

O que fazer 

Se a DPOC tiver sido causada ou agravada pelo cigarro, a pessoa é aconselhada a parar de fumar, para que a sua função respiratória não piore. Existem estratégias, como o uso de adesivos de nicotina, que ajudam no tratamento de dependência do cigarro. Confira algumas dicas que podem ajudar a parar de fumar naturalmente

O tratamento da DPOC é feito com corticoesteroides inalados ou orais, e broncodilatadores. 

Muitos pacientes com DPOC precisam seguir um programa de reabilitação pulmonar, que visa reduzir a falta de ar e melhorar a capacidade de fazer atividades físicas simples, como caminhada. 

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Bronquiolite

A bronquiolite é uma inflamação que afeta os bronquíolos, que são extensões dos brônquios. Essa inflamação é causada por uma infecção viral, sendo o vírus sincicial respiratório (VSR) o principal causador. 

A inflamação causada nos bronquíolos promove o acúmulo de muco nessas estruturas, dificultando a passagem de ar, o que gera grande dificuldade para respirar.

Esta infecção costuma afetar, em especial, crianças abaixo dos 2 anos de idade. A transmissão do vírus causador da bronquiolite ocorre através do ar ou por meio do contato com objetos contaminados pelo microorganismo.

Não é incomum que crianças pequenas sejam infectadas pelo vírus sincicial respiratório, especialmente no inverno, mas a maioria desenvolve apenas uma gripe comum, poucas evoluem para casos de bronquiolite. 

O que fazer

Não há medicações específicas para tratar a causa da bronquiolite, mas o próprio sistema imunológico é capaz de lidar com a infecção viral. 

É importante se certificar de que a criança está hidratada e conseguindo mamar. Você também pode aliviar a congestão nasal do bebê com soluções salinas injetadas no nariz. 

Se ainda assim, você perceber que a criança ou o bebê não apresenta sinais de melhora e está com sintomas graves de falta de ar, é indicado procurar um médico ou médica pediatra. 

Dependendo da gravidade do caso, é administrado um broncodilatador por inalação e medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, para aliviar o desconforto.  

Pneumonia

Pneumonia
A infecção pulmonar provocada pela pneumonia causa o sintoma de peito chiando

A pneumonia é uma infecção pulmonar aguda causada, principalmente, por vírus e bactérias. O processo inflamatório decorrente dessas infecções microbianas afeta, especialmente, os alvéolos pulmonares. 

Essas estruturas são pequenos sacos de ar, semelhantes a um cacho de uva, que ficam na extremidade dos bronquíolos. Num processo inflamatório, essas estruturas ficam cheias de líquido ou pus, o que dificulta a respiração e promove o chiado no peito. 

O que fazer

O ciclo da pneumonia viral dura em torno de 5 dias e não requer um tratamento específico. 

No caso da pneumonia bacteriana, o tratamento é feito com antibióticos de amplo espectro ou específicos, quando se sabe qual é a bactéria causadora da infecção. 

Essa descoberta se dá nos casos em que o médico ou médica solicita um exame de escarro ou de sangue, além da radiografia do tórax no processo diagnóstico.

Se a pessoa apresentar muita dificuldade para respirar, mesmo em repouso, ela pode ser internada para receber uma oxigenoterapia

Se houver líquido acumulado entre as pleuras, tecido que reveste os pulmões e a parte interna do tórax, pode ser necessária a drenagem do líquido. 

Apneia obstrutiva do sono

A apneia obstrutiva do sono é uma condição clínica, que tem como característica principal a parada momentânea da respiração. Essa pausa ocorre enquanto a pessoa está dormindo, por causa do bloqueio da passagem de ar pela faringe.

Esse distúrbio é caracterizado pela apresentação de 5 episódios ou mais de pausas respiratórias, em um período de 1 hora. Essas interrupções da respiração duram em torno de 10 segundos. 

A apneia do sono é a principal causa de chiado no peito durante a noite e, normalmente, evolui para roncos, que cessam durante as pausas respiratórias.

Uma pessoa que sofre de apneia durante a noite se sente muito cansada no dia seguinte, mesmo que tenha dormido a noite inteira. 

O problema é mais comum entre os homens com obesidade e de meia idade. 

O que fazer

O tratamento da apneia obstrutiva do sono varia de acordo com a gravidade de cada caso, que deve ser avaliada por um médico ou médica especialista do sono, otorrinolaringologista, neurologista ou pneumologista.

O tratamento pode ser iniciado com mudanças no estilo de vida, especialmente nos casos em que a obesidade se configura como um importante fator agravante do distúrbio. 

Também pode ser recomendado o uso de uma prótese oral, que evita o recuo da língua para a garganta, ou máscaras especiais que mantêm uma pressão positiva nas vias aéreas (CPAP), impedindo que elas se fechem. 

Em último caso, uma cirurgia corretiva da origem da obstrução no trato respiratório, como tonsilas palatinas (amígdalas) ou adenóides muito grandes, popularmente conhecidas como carne esponjosa

Refluxo gastroesofágico

O refluxo gastroesofágico é caracterizado pelo retorno do conteúdo do estômago ao esôfago, fazendo o caminho contrário de uma digestão normal. 

O conteúdo do estômago é naturalmente ácido e, por isso, pode machucar as vias aéreas, resultando em sintomas como chiado no peito, tosse, rouquidão e falta de ar. 

Pessoas com refluxo vivem com a sensação de queimação no estômago, má digestão e azia, que ficam mais intensas após as refeições. Veja quais são os alimentos ruins para quem tem refluxo

O que fazer

O tratamento do refluxo gastroesofágico inclui mudanças no estilo de vida, com a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e redução de peso. Veja dicas de dieta para refluxo.

O tratamento medicamentoso é feito com fármacos que diminuem a produção de ácido no estômago. Esses medicamentos só devem ser usados com prescrição e orientação médica. 

A cirurgia pode ser indicada para casos que não apresentaram bons resultados com os tratamentos convencionais e quando causam complicações, como a esofagite grave. 

Insuficiência cardíaca

Insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca pode causar um edema pulmonar

A insuficiência cardíaca é o mau funcionamento do coração, que não consegue bombear sangue de forma eficiente, deixando alguns órgãos e tecidos com pouco suprimento sanguíneo. 

Como consequência disso, ocorre o acúmulo de fluidos em algumas partes do corpo, como as pernas, que ficam inchadas, e nos pulmões, causando o edema pulmonar. 

Níveis leves e moderados de insuficiência cardíaca podem causar sintomas pulmonares parecidos com os de asma, como peito chiando e tosse com catarro. Também é comum a sensação de falta de ar ao se deitar ou fazer algum esforço, por mais leve que seja. Veja quais são os sintomas iniciais de insuficiência cardíaca.   

O que fazer

O tratamento da insuficiência cardíaca envolve várias abordagens, desde mudanças nos hábitos diários, com inclusão de exercício físico, reeducação alimentar, restrição de sódio e cessação tabágica, a tratamentos medicamentosos, com anti-hipertensivos e betabloqueadores.

Em alguns casos, pode ser feita uma cirurgia de ponte de safena, para restaurar o fluxo sanguíneo, através de uma veia ou artéria saudável. 

Fontes e referências adicionais

Você já apresentou o sintoma de peito chiando? Qual foi a causa e o que você fez para tratar? Comente abaixo! 

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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