Alimentos remosos

Alimentos Remosos – O Que São, Lista, Cuidados e Dicas

Os processos inflamatórios são uma parte normal e necessária no combate contra doenças e na cicatrização de feridas. Sem uma resposta inflamatória, dificilmente seríamos capazes de proteger o corpo contra danos.

No entanto, inflamações prolongadas podem indicar graves problemas de saúde e precisam ser analisadas com mais cuidado. Vários estudos têm associado altos níveis de inflamação com o desenvolvimento de doenças como problemas cardiovasculares e inclusive alguns tipos de câncer. Assim, é importante identificar esses processos inflamatórios e evitar que eles se prolonguem por muito tempo.

Uma maneira de evitar a inflamação é evitando o consumo de alimentos remosos, que são alimentos que podem causar ou piorar um processo inflamatório em curso. Aqui, vamos dar dicas de como identificar esses alimentos e evitar que eles causem problemas.

Alimentos remosos – O que São?

Por não ser um termo muito comum, muita gente ainda se pergunta o que é remoso. Alimentos remosos são qualquer tipo de alimento que prejudica o organismo facilitando uma inflamação ou piorando um processo inflamatório já existente.

É bem comum que alimentos remosos sejam associados a problemas de cicatrização de feridas. Na hora de se recuperar após fazer uma tatuagem ou colocar um piercing, por exemplo, é de praxe o profissional que executou o trabalho recomendar que o cliente fique longe de alimentos remosos.

Essa recomendação é feita porque, após uma tatuagem ou um piercing, um processo inflamatório é desencadeado para que ocorra a cicatrização. Porém, se essa inflamação for muito grave ou duradoura, a cicatrização pode demorar mais tempo do que o necessário, deixando a ferida exposta por mais tempo.

O mesmo ocorre na recuperação após uma cirurgia. Uma leve inflamação é normal para que o corpo se recupere, mas uma inflamação prolongada pode causar complicações.

Assim, é importante evitar consumir alimentos remosos, que são aqueles que causam ainda mais inflamação e que podem trazer problemas.

Em suma, a inflamação tem seus prós e contras no organismo humano. Trata-se de um processo natural para proteger o corpo contra uma doença ou uma ferida através do estímulo à cura. No entanto, inflamações crônicas e prolongadas podem ser muito prejudiciais para a saúde.

Como controlar a inflamação?

Estudos mostram que a inflamação está relacionada a um aumento no risco de doenças como doença cardíacas, obesidade e diabetes, por exemplo.

Durante uma infecção, ferimento ou outra doença, o sistema imunológico envia uma grande quantidade de glóbulos brancos para a área inflamada para que o próprio corpo repare o problema. No entanto, em inflamações muito graves ou no caso de doenças autoimunes como a artrite reumatoide e a psoríase, por exemplo, o sistema imune não é capaz de dar conta do recado e acaba atacando tecidos saudáveis ao redor, piorando ainda mais a inflamação.

Uma medida muito fácil de ser adotada que pode prevenir o aumento da inflamação é a adoção de uma dieta adequada que contenha alimentos anti-inflamatórios e que seja isenta de alimentos remosos.

Lista de alimentos remosos

Para que você saiba quais são os alimentos considerados remosos e os evite para combater inflamações mais rapidamente, preparamos essa lista com alguns alimentos remosos que devem ser evitados para acelerar o processo de cura no organismo

1. Açúcar e xarope de milho

Os açúcares em geral causam a liberação de moléculas pró-inflamatórias no organismo chamadas de citocinas. Assim com o açúcar comum composto de sacarose, o xarope de milho rico em frutose é um açúcar adicionado à dieta que além de não acrescentar nutrientes ao nosso dia a dia, desencadeia processos inflamatórios.

Até mesmo a frutose encontrada naturalmente nas frutas e legumes, se consumida em excesso em uma dieta não balanceada, pode fazer mal.

Em um estudo publicado em 2016 na revista científica Cancer Research, ratos que foram alimentados com uma dieta rica em sacarose desenvolveram câncer de mama que se espalhou também para os pulmões. Parte das razões de isso ter acontecido foi o aumento da resposta inflamatória gerada no organismo devido ao consumo de açúcar em excesso.

Diversas pesquisas indicam que ingerir muita frutose pode aumentar o risco de desenvolver resistência à insulina, obesidade, diabetes, doença renal crônica, doença hepática gordurosa e câncer porque o consumo desse açúcar aumenta vários marcadores inflamatórios no corpo de camundongos e também de seres humanos.

2. Adoçantes artificiais

Engana-se quem pensa que é só trocar o açúcar pelo adoçante que está tudo certo. Segundo pesquisa de 2014 publicada na revista científica Nature, o consumo de adoçantes artificiais aumenta o risco de intolerância à glicose e altera a nossa microflora intestinal. Os cientistas também notaram um aumento no número de bactérias intestinais nocivas à saúde que já foram associadas ao desenvolvimento de diabetes do tipo 2.

Além disso, a alteração na microbiota prejudica a absorção de bactérias boas que ajudam na liberação de compostos anti-inflamatórios que combatem a inflamação.

Os alimentos processados em geral são repletos de aditivos alimentares como corantes, estabilizantes e aromas artificiais. Além de desnecessários, esses aditivos podem prejudicar a saúde.

De acordo com uma análise publicada no periódico Alternative Therapies in Health and Medicine, o nosso sistema imunológico parece tentar defender o corpo contra corantes sintéticos, causando um processo inflamatório. Um outro estudo, desta vez com animais, conduzido por cientistas da Georgia State University mostrou que aditivos que atuam como agentes emulsionantes que deixam os alimentos mais consistentes podem alterar a composição bacteriana do intestino, causando inflamação e podendo levar ao aumento de peso.

O uso de embalagens contendo BPA (bisfenol A) também pode causar muitos problemas de saúde, incluindo obesidade e defeitos congênitos. As pesquisas mais recentes têm constatado que o BPA também pode aumentar a inflamação em mulheres na pós-menopausa.

Assim, a melhor escolha para a sua saúde é reduzir o consumo de produtos industrializados e incluir ao máximo alimentos naturais na sua dieta.

As gorduras trans ou gorduras parcialmente hidrogenadas são gorduras artificiais produzidas a partir da hidrogenação de gorduras insaturadas para dar maior consistência e durabilidade ao alimento.

Vários estudos mostram que, ao contrário das gorduras trans naturalmente encontradas em laticínios e na carne, as gorduras trans artificiais aumentam a inflamação e podem aumentar o risco de algumas doenças como os problemas cardíacos.

O consumo de gorduras trans artificiais tem relação com um aumento nos níveis de marcadores inflamatórios no sangue incluindo a interleucina 6, a proteína C reativa e o fator de necrose tumoral.

Em 2005, o Journal of the Nutrition publicou um estudo em que os níveis de proteína C reativa em mulheres foram 78% maiores para aquelas que ingeriram gordura trans. Já o Journal of Lipid Research mostrou em 2011 que mulheres idosas com excesso de peso que consumiram óleo de soja hidrogenado apresentaram maiores níveis de inflamação do que aquelas que ingeriram óleo de palma ou de girassol.

Pesquisas envolvendo homens com colesterol elevado também mostraram que o consumo de gorduras trans pode elevar os níveis de marcadores inflamatórios.

3. Sementes e óleos vegetais

As sementes e óleos vegetais em geral são alimentos saudáveis. O problema é que eles são ricos em ácidos graxos do tipo ômega 6, que promovem a inflamação quando ingeridos em grandes quantidades.

Desta forma, o consumo desses alimentos não é prejudicial para a saúde, mas seu excesso, sim. Embora nosso corpo precise de ômega 6, a dieta que temos atualmente fornece muito mais ômega 6 do que o nosso organismo precisa. O ideal é que exista um equilíbrio entre o ômega 6 e o ômega 3 (que apresenta atividade anti-inflamatória).

4. Carboidratos refinados

Os carboidratos são macronutrientes essenciais para a manutenção da saúde. No entanto, o consumo exagerado de carboidratos refinados pode causar inflamação e piorar as já existentes.

Isso acontece porque grande parte das fibras são removidas dos carboidratos refinados e as fibras têm um papel muito importante de ajudar a controlar os níveis de açúcar sanguíneo e também para servir de alimentos para bactérias benéficas encontradas no intestino. Sem essas fibras, os carboidratos refinados acabam apenas adicionando açúcar à nossa dieta e desencadeando processos inflamatórios.

O glúten presente em muitos pães também deve ser evitado devido ao seu potencial inflamatório.

Mesmo os carboidratos de alto índice glicêmico devem ser consumidos com moderação em uma dieta equilibrada.

5. Álcool

Conforme pesquisa publicada em 2010 no periódico científico Alcohol and Alcoholism, a presença do marcador inflamatório proteína C reativa parece ser diretamente proporcional à quantidade de álcool ingerida. Quanto maior o consumo de álcool, maiores os níveis de proteína C reativa.

A bebida alcoólica também pode prejudicar as bactérias que vivem naturalmente no intestino e causar a síndrome do intestino permeável, uma inflamação generalizada que pode causar danos em vários outros órgãos. O álcool em excesso também pode causar inflamações no fígado.

6. Carne processada e carne de porco

O consumo de carnes processadas como bacon, presunto, salsicha, carnes defumadas e carnes secas parece estar relacionado ao aumento do risco de doenças como diabetes, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer como o de estômago e o de cólon.

Esses produtos processados podem aumentar a inflamação no organismo devido à presença de produtos finais de glicação avançada, que são substâncias inflamatórias formadas quando a carne é processada em altas temperaturas. Além disso, esse tipo de alimento muitas vezes contém aditivos alimentares como corantes, conservantes e aromas artificiais que podem prejudicar o corpo.

A carne de porco e até mesmo outros tipos de carne vermelha em excesso podem aumentar os níveis de inflamação no organismo. Alguns estudos já relacionam o consumo de carne vermelha com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, por exemplo.

7. Fast food

Os alimentos vendidos em redes de fast food são um dos piores tipos de alimentos remosos. Geralmente, esses alimentos são ricos em gordura, sal e açúcar, que além de piorar a inflamação, são prejudiciais à saúde principalmente quando consumidos em excesso.

Isso inclui pizzas, doces, hambúrgueres e frituras como anéis de cebola, frango e batatas fritas, por exemplo.

8. Laticínios e chocolate

O consumo de leite e seus derivados pode induzir a inflamação. O leite, especialmente o integral, é rico em gorduras que causam a inflamação e também prejudica o microbioma intestinal.

É por conter leite e açúcar, por exemplo, que os chocolates são considerados alimentos remosos. Os chocolates amargos livres de açúcar e com alto teor de cacau não pioram os processos inflamatórios no organismo e podem ser consumidos na hora que bater aquela vontade de comer um chocolate.

Cuidados e dicas

Agora que você já conhece os alimentos remosos, vamos discutir o que é mito ou verdade em relação a esses alimentos e sua influência na inflamação.

Nem sempre consumir esses alimentos resulta em inflamação. Mas, se consumidos em excesso, provavelmente a cicatrização do seu piercing ou da sua tatuagem vai demorar mais. Mesmo que os alimentos remosos não façam mal na mesma intensidade para todas as pessoas, é bom ter precaução e evitar o consumo desses alimentos se estiver se recuperando de qualquer tipo de lesão ou doença.

Quanto ao consumo de alimentos remosos após a cirurgia, é importante tomar mais cuidado, já que em uma cirurgia, a lesão pode ser muito mais grave e pode ser que o corpo precise de mais tempo para se recuperar totalmente. Por isso é tão importante seguir a dieta recomendada pelos médicos após qualquer tipo de operação cirúrgica.

Dicas de dieta anti-inflamatória

Se você tem dúvidas sobre o que comer nessas situações em que o seu corpo precisa de força extra para evitar um processo inflamatório prolongado, separamos algumas dicas de alimentos com propriedades anti-inflamatórias e hábitos saudáveis para você incluir no seu dia a dia.

As dicas são:

  1. Comer mais frutas e legumes;
  2. Eliminar refrigerantes e outras bebidas açucaradas da dieta;
  3. Diminuir o consumo de fast food e frituras;
  4. Planejar suas refeições com antecedência para garantir que você sempre tenha alimentos saudáveis disponíveis na dispensa;
  5. Manter-se hidratado;
  6. Incluir mais alimentos com ômega 3 na dieta;
  7. Exercitar-se com regularidade;
  8. Dormir bem e por tempo suficiente.

Quanto à dieta, o mais importante é escolher alimentos naturais e evitar os processados. Existem muitas opções para que você combata as inflamações no seu corpo com mais eficiência. Você deve ter uma dieta variada que contenha alimentos como frutas, legumes, leguminosas, nozes, peixes gordurosos, cereais integrais, ervas e especiarias e ficar longe dos excessos relacionados à ingestão de sal, açúcar e gorduras trans, por exemplo.

Não só quando nosso corpo está lutando contra uma inflamação, mas também no dia a dia, é importante consumir alimentos que ofereçam bons nutrientes para o nosso organismo, evitando assim o desenvolvimento de várias condições.

Referências adicionais:

Você já tinha ouvido falar de alimentos remosos? Já ingeriu algum destes e teve um problema relacionado à inflamação ou cicatrização? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite


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