Aradois – Para Que Serve, Posologia, Mecanismo de Ação e Efeitos Colaterais

Especialista:
atualizado em 22/08/2018

Aradois é um dos vários medicamentos que podem ser indicados no tratamento da hipertensão arterial. Milhões de brasileiros sofrem com essa condição devido à dieta inadequada, sedentarismo ou pré-disposição genética.

Vamos dar detalhes sobre o uso de Aradois e sobre sua posologia, além de destacar como é o seu mecanismo de ação no organismo e quais são os efeitos colaterais relacionados ao uso constante desse medicamento.

Aradois – O Que é

O Aradois, conhecido também como Losartan, Losartana potássica e Cozaar é um medicamento de uso oral usado sozinho ou em conjunto com outros remédios para pressão arterial elevada.

Esse remédio pertence à classe de medicamentos conhecida como bloqueadores dos receptores da angiotensina, que são os remédios normalmente indicados pelos especialistas como primeira opção de tratamento de hipertensão arterial de acordo com recomendação das diretrizes do Comitê Nacional Conjunto dos EUA de 2014.

Ao bloquear receptores de angiotensina nos vasos sanguíneos e em outras partes do corpo, o Aradois causa uma redução da pressão arterial. Além disso, ocorre a prevenção do bloqueio de vasos sanguíneos, a diminuição da retenção de água pelos rins e a redução da atividade do sistema nervoso simpático.

Hipertensão

A hipertensão é uma condição de saúde que afeta mais de 2 milhões de brasileiros todos os anos. A hipertensão ou pressão alta faz com que a carga de trabalho do coração e das artérias envolvidas com o bombeamento de sangue até o órgão aumente muito. Se essa carga for alta por muito tempo, o coração e as artérias podem parar de funcionar da maneira adequada, causando danos à saúde e aumentando o risco de desenvolver doenças cardíacas.

A pressão alta não controlada pode, por exemplo, danificar vasos sanguíneos que vão para órgãos como o cérebro, o coração e os rins, podendo resultar em derrame, insuficiência cardíaca e até insuficiência renal. Dessa forma, um bom controle da hipertensão pode reduzir o risco de derrames e ataques cardíacos.

Para que serve

Além de ser usado para tratar a hipertensão, o uso de Aradois também é recomendado para diminuir o risco de acidente vascular cerebral em pacientes com pressão arterial muito alta ou que sofreram um aumento do tamanho do coração, condição chamada de hipertrofia ventricular esquerda.

Além disso, o medicamento também é indicado para tratar problemas renais em indivíduos com diabetes do tipo 2 e com um histórico de hipertensão.

Mecanismo de ação

Como já mencionado, o Aradois é um medicamento que atua como um bloqueador dos receptores da angiotensina II. Ele funciona bloqueando a ação da angiotensina II no organismo, substância que faz com que os vasos sanguíneos sejam contraídos. Em condições normais, isso garante um fluxo sanguíneo normal. Já em pessoas com pressão arterial alta, isso pode não ser tão benéfico assim.

Dessa forma, o Aradois causa um relaxamento dos vasos sanguíneos através do bloqueio dos receptores da angiotensina II, aumentando o seu volume e reduzindo a pressão arterial no sangue.

Esse bloqueio ocorre porque o próprio Aradois foi formulado para se ligar aos receptores da angiotensina II, impedindo que a angiotensina tenha espaço para se ligar, mantendo os vasos sanguíneos sempre relaxados.

Para pessoas com hipertensão, uma pressão arterial mais baixa pode aumentar o suprimento de sangue, levando mais nutrientes e oxigênio até o coração.

O Aradois também bloqueia os receptores de angiotensina nas glândulas suprarrenais que se situam logo acima dos rins. Essas glândulas são responsáveis pela síntese de diversos hormônios, como a aldosterona, que tem sua liberação prejudicada devido ao bloqueio dos receptores da angiotensina. A aldosterona é responsável por estimular os rins a aumentar o teor de água e sódio no organismo. Com sua liberação afetada, a liberação de água e sódio também diminui, o que ajuda na regulação da pressão arterial.

O último mecanismo pelo qual o Aradois atua controlando a pressão arterial sanguínea é através do sistema nervoso simpático. Quando as mensagens enviadas por esse ramo do sistema nervoso central aumentam, a pressão sanguínea também se eleva. Isso acontece porque o aumento da atividade do sistema nervoso simpático faz com que o coração bombeie mais sangue e que ocorra a contração dos vasos sanguíneos. A angiotensina é uma molécula que aumenta a atividade no sistema nervoso simpático. Com a sua inibição, o Aradois acaba bloqueando a atividade do sistema nervosos simpático, impedindo o aumento da pressão arterial.

Posologia

O Aradois é um medicamento que deve ser tomado apenas sob prescrição médica. Ele está disponível na forma de comprimidos.

Esse medicamento pode ser tomado com ou sem alimentos na frequência indicada pelo seu médico. O tratamento mais usual indicado pelos especialistas consiste em uma dose de 50 miligramas uma vez ao dia para pessoas adultas. De acordo com a resposta ao tratamento, o médico pode optar por aumentar a dose ou incluir mais um medicamento para ajudar no controle da pressão arterial. A dose diária não deve ultrapassar 100 miligramas.

Se o paciente for uma criança ou adolescente, a dose inicial é baseada no peso corporal. Assim, deve ser administrada uma dose de 0,7 miligramas por kg de peso corporal diariamente. Tal dosagem pode ser ajustada pelo médico caso haja necessidade.

O medicamento deve ser tomado todos os dias no mesmo horário. Caso você se esqueça de tomar uma dose, você deve tomar assim que se lembrar. Porém, se você só se lembrar no dia seguinte próximo do horário em que costuma tomar o medicamento, não duplique a dose. Tome apenas um comprimido e volte a tomar normalmente apenas no dia seguinte.

Além do remédio em si, é preciso tomar cuidado com a dieta. Pessoas com pressão arterial elevada devem controlar bem o peso e evitar o consumo de alimentos ricos em sódio.

Efeitos Colaterais

O uso de Aradois pode resultar em alguns efeitos colaterais indesejados. Os mais comuns incluem:

  • Dor no corpo;
  • Tontura;
  • Sintomas de resfriado como coriza e espirros;
  • Visão embaçada ou leve dificuldade para enxergar nitidamente;
  • Tosse seca;
  • Congestionamento do ouvido;
  • Rouquidão;
  • Congestão nasal;
  • Diarreia;
  • Fadiga;
  • Redução dos níveis de açúcar no sangue;
  • Dor de garganta.

Os efeitos colaterais mencionados acima costumam ser leves e desaparecem após os primeiros dias ou primeiras semanas de uso.

Efeitos adversos menos comuns, mas que também representam um risco relacionado ao uso do medicamento, incluem:

  • Dor nas costas;
  • Azia;
  • Problemas estomacais;
  • Aumento da sensibilidade à dor e ao toque;
  • Dor nas articulações;
  • Dificuldade para dormir;
  • Ganho de peso;

Há ainda os efeitos colaterais graves que são mais raros de serem observados, mas que podem ocorrer em algumas pessoas, tais como:

  • Dor abdominal;
  • Dor no estômago;
  • Ansiedade;
  • Dor na bexiga;
  • Sangue ou turbidez na urina;
  • Arrepios;
  • Suor frio;
  • Confusão mental;
  • Pele fria e pálida;
  • Sintomas de depressão;
  • Dificuldade para respirar;
  • Tontura;
  • Dificuldade na micção que pode ser ardente ou dolorosa;
  • Dor de cabeça;
  • Desejo frequente de urinar;
  • Arritmia cardíaca ou batimento cardíaco lento;
  • Náusea ou vômito;
  • Gases;
  • Sintomas de reação alérgica como inchaço no rosto, lábios, garganta ou língua;
  • Perda de cabelo.

Se estiver grávida ou amamentando, evite usar medicamentos para a pressão e só o faça de acordo com recomendação médica.

Esse medicamento pode causar tonturas e vertigens nos primeiros dias, assim é indicado que você não dirija e nem opere máquinas ou faça atividades que exigem estado de alerta e foco.

Em alguns casos, o uso de Aradois pode causar desequilíbrios eletrolíticos no organismo, causar insuficiência cardíaca, doenças renais ou doenças hepáticas. Por esses motivos, o acompanhamento médico é indispensável.

Riscos

O Aradois é classificado pela FDA (Food and Drug Administration, órgão americano que regulamenta os alimentos e fármacos no país) como um medicamento tarja preta que pode causar efeitos sérios no organismo se não for tomado como indicado pelo médico. Isso significa que em hipótese alguma esse medicamento deve ser tomado por grávidas ou lactantes devido aos potenciais danos que podem ser causados ao feto ou bebê.

Interações medicamentosas

Para evitar interações medicamentosas, é importante avisar o seu médico sobre qualquer medicamento ou suplemento que você esteja tomando.

O uso de medicamentos para controle da pressão arterial como Aliskiren ou Tekturna, Benazepril, Enalapril, Lisinopril, Lotrel, Vasotec, Zestoretic e Zestril quando usados em conjunto com o Aradois podem resultar em angioedemas, que são uma reação alérgica devido à combinação dos medicamentos. Tal combinação também pode aumentar o risco de aumentar os níveis de potássio no sangue, o risco de danos nos rins e a queda drástica da pressão arterial.

Remédios para tratamento de transtorno bipolar e lítio podem interagir com o Aradois. O uso de Aradois com anti-inflamatórios não esteroides como o naproxeno e o ibuprofeno pode aumentar o risco de danos nos rins, além de ter seu efeito reduzido devido à ação do anti-inflamatório.

O uso de diuréticos também pode resultar na diminuição da pressão arterial, o que pode ser perigoso se medicamentos desse tipo forem usados ao mesmo tempo que o Aradois. Tomar medicamentos ou suplementos que contém potássio em conjunto com o Aradois também pode aumentar o risco de hipercalemia.

Também é essencial evitar o uso de tabaco e álcool durante o tratamento. O uso de bebidas alcoólicas durante o tratamento com Aradois pode causar um efeito sedativo perigoso incluindo sensações de sonolência extrema, falta de discernimento e reflexos ruins. Além disso, o álcool pode potencializar o efeito redutor da pressão arterial do remédio, podendo ser perigoso para a saúde.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já foi diagnosticado com hipertensão arterial e precisou tomar o medicamento Aradois? Como foram os resultados do tratamento? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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