Como aliviar a dor após a cirurgia: remédios e cuidados caseiros

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atualizado em 08/07/2022

Analgésicos e anti-inflamatórios são remédios que ajudam a aliviar a dor após a cirurgia, que é um sintoma pós-cirúrgico bastante comum e varia de intensidade, conforme o tipo de cirurgia realizada. Cuidados caseiros com as feridas também são essenciais, para que a recuperação seja mais rápida e livre de complicações, como infecções. 

Veja como aliviar a dor após a cirurgia com alguns remédios e cuidados caseiros. 

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Analgésicos e anti-inflamatórios: remédios para aliviar a dor

Analgésico
Analgésicos, anestésicos e anti-inflamatórios são alguns dos tipos de remédios que podem aliviar a dor após a cirurgia

A dor que uma pessoa sente após uma cirurgia é classificada como nociceptiva, que é causada por uma lesão nos tecidos do corpo. Uma intervenção cirúrgica lesiona os tecidos e estimula os receptores de dor.

A dor nociceptiva costuma ser constante ou intermitente, ou seja, alterna entre momentos de dor e de alívio. Geralmente, ela piora com o movimento, com a tosse, risada e até com uma respiração mais profunda. 

Por causa dessa lesão nos tecidos, o sistema imunológico reage com uma resposta inflamatória, para promover a cicatrização e reparo dos tecidos lesionados. Esse processo gera a dor inflamatória, que piora com o contato ou atrito com a região lesada. 

Essas dores podem ser amenizadas com medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. 

Analgésicos comuns

Os medicamentos analgésicos contêm princípios ativos capazes de aliviar dores relacionadas a cirurgias, lesões e doenças. 

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Analgésicos comuns e de venda livre, como aspirina (ácido acetilsalicílico), acetaminofeno (paracetamol), dipirona, inibidores seletivos da COX-2 e os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno, são os medicamentos mais indicados para aliviar a dor após uma cirurgia.

De modo geral, os analgésicos comuns, como ibuprofeno, atuam bloqueando a produção de uma substância chamada prostaglandina, que promove a transmissão da mensagem de dor para o cérebro. Sem a produção dessa substância, a dor passa ou fica mais amena. 

O controle da dor, muitas vezes, se inicia no momento da cirurgia, quando o médico ou médica administra um AINE, como o cetoprofeno, a fim de aliviar a dor pós-operatória.

Opioides fracos

Os opióides, também chamados de opiáceos ou psicotrópicos, são medicamentos usados para tratar dor de intensidade moderada a grave. Opióides fracos, como codeína e tramadol, só podem ser usados com prescrição médica, na dosagem e tempo determinados. 

Esses medicamentos atuam em receptores que temos espalhados pelo sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), produzindo o efeito de analgesia, ou seja, de bloqueio da dor. 

Esses medicamentos só são prescritos quando os analgésicos comuns (não-opioides) não surtem efeito no controle da dor após a cirurgia e suas doses são bem controladas, pois eles podem produzir efeitos colaterais desagradáveis e até perigosos, inclusive a possibilidade de causar dependência. 

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Dentre os efeitos colaterais estão sonolência, enjoo, náuseas e prisão de ventre.

Opioides fortes

Os opioides fortes, assim como os fracos, são medicamentos que agem nos receptores do sistema nervoso central, porém com maior potência, sendo indicados para dores graves.

Exemplos de opioides fortes são a oxicodona, fentanil, metadona e morfina. 

Quanto mais forte é o opoide utilizado, maiores as chances de efeitos colaterais, como prisão de ventre, náuseas, boca seca, sonolência e cansaço. Em doses muito altas, os opioides fortes podem causar confusão mental, tontura, desmaio e alucinações. 

O uso prolongado desses medicamentos pode causar dependência, tolerância e sintomas de abstinência. Mas, esses efeitos são mais comuns em pessoas que fazem tratamentos prolongados para dor crônica, o que não é o caso da dor pós-cirúrgica, que envolve um tratamento de curta duração. 

Anestésicos locais

Geralmente, após cirurgias ortopédicas, são prescritos analgésicos locais de uso tópico, para alívio das dores nas articulações, que costumam ficar muito doloridas e inchadas após o procedimento. 

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Os anestésicos locais, como a lidocaína, também podem ser usados para aliviar a dor das feridas operatórias.

Os anestésicos locais promovem o bloqueio dos receptores de dor na região aplicada, impedindo a transmissão dos sinais dolorosos para o cérebro.

Anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios são medicações que, além de aliviar a sensação de dor, como fazem os analgésicos, reduzem a inflamação, caracterizada por vermelhidão, inchaço e calor/febre, comuns no pós-operatório.

É comum anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, diclofenaco e cetoprofeno, serem indicados juntamente com analgésicos após uma cirurgia, para alívio da dor e da inflamação, contribuindo para a recuperação mais rápida da pessoa que foi operada. 

Os anti-inflamatórios atuam bloqueando uma enzima chamada ciclooxigenase, responsável pela produção de prostaglandinas, que causam a sensação de dor e os sinais de inflamação.

Todos os medicamentos, ou classes de medicamentos, citados só devem ser usados conforme a prescrição do médico ou médica cirurgiã responsável pelo caso, seguindo corretamente a dose e o tempo de uso indicados. 

Se perceber qualquer efeito colateral, é recomendado comunicar ao seu médico ou médica, para avaliar a necessidade de substituição ou ajuste da dose do medicamento. 

Cuidados caseiros após a cirurgia

Compressa fria
Utilizar compressas frias é uma das medidas mais úteis para aliviar a dor após a cirugia

Após a alta hospitalar, é importante seguir algumas recomendações de cuidados caseiros, que vão te ajudar na recuperação e na prevenção de dores e desconfortos comuns do período pós-cirúrgico. 

Cuidados durante o repouso

Uma das primeiras recomendações que você recebe após uma cirurgia é que deve ficar em repouso. O período de repouso varia de acordo com o procedimento cirúrgico realizado e é informado pelo médico ou médica responsável pelo caso. 

Durante o repouso, alguns cuidados caseiros podem acelerar a recuperação: 

  • Compressas frias: para aliviar a inflamação local, você pode aplicar compressas frias por um período de 15 minutos, repetindo o procedimento por 3 a 4 vezes ao dia. Essa medida ajuda a reduzir o inchaço e, também, alivia a dor. Sempre proteja a pele com um pano ou uma bolsa própria, para não causar queimaduras. 
  • Roupas largas e confortáveis: é muito importante manter o local da cirurgia bem ventilado e livre de atritos, por isso, use roupas largas que te deixem confortável e, de preferência, de tecidos leves e respiráveis, como o algodão. O atrito e a pressão exercidos pelas vestimentas podem piorar a inflamação local, contribuindo para o aumento da dor. 
  • Exercícios de mobilidade e alongamento: o repouso em excesso pode prejudicar a sua saúde, alterando o funcionamento do sistema circulatório, muscular e ósseo. Por isso, geralmente, são indicados exercícios de alongamento para serem feitos na cama ou caminhadas curtas e de baixa intensidade. Também é fundamental mudar de posição na cama, a cada 2 horas. 

Cuidados com as feridas operatórias 

Durante o período de recuperação, deve-se manter sempre um cuidado com a ferida operatória. Esses cuidados podem ser diferentes dependendo do local da cirurgia e, por isso, é importante se atentar às recomendações que a equipe médica passa, antes da alta hospitalar. 

Algumas feridas ficam cobertas com um curativo durante os primeiros dias, não podendo ser molhadas e nem retiradas antes do prazo estabelecido pelo médico ou médica cirurgiã. Normalmente, esses curativos são removidos nas primeiras consultas de retorno, quando também é feita a limpeza da ferida. 

Mas, existem alguns cuidados caseiros com as feridas que são muito importantes e podem ajudar em sua recuperação: 

  • Evite expor a ferida, se ela estiver coberta com um curativo. 
  • Se a ferida estiver exposta, ou seja, sem um curativo, faça a lavagem com soro fisiológico ou com água e sabão neutro.
  • Evite pressionar ou passar a mão na ferida, quando não estiver lavando, secando ou passando algum medicamento. 
  • Mantenha a ferida sempre limpa e seca.
  • Sempre que tiver uma dúvida, quanto ao cuidado da ferida, busque orientação de profissionais da enfermagem em uma unidade básica de saúde.
  • Evite expor a ferida ao sol por, pelo menos, 3 meses, para evitar a formação de cicatrizes e queloides. 

Se você notar sinais de infecção no local da ferida, tais como saída de pus, sangue, dor, inchaço e vermelhidão muito intensos e acompanhados de febre, procure seu médico ou médica para uma avaliação. 

Fontes e referências adicionais

Você já passou por uma cirurgia? Quais desses medicamentos você usou para aliviar a dor após a cirurgia? Quais cuidados você teve que ter com a ferida operatória? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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