Principais exames para avaliar a saúde do fígado

Especialista da área:
atualizado em 06/05/2022

Os principais exames usados para avaliar a saúde do fígado são exames de sangue, de imagem e biópsia. O fígado é um órgão importante, que está envolvido com a eliminação de substâncias tóxicas do organismo e participa da digestão das gorduras, produzindo a bile. 

Pessoas com problemas no fígado devem cuidar da alimentação, ingerindo alimentos pouco gordurosos e só usar medicamentos sob prescrição médica, pois é o fígado quem realiza o processamento dos remédios que ingerimos. 

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Veja quais são os principais exames feitos para avaliar a saúde do fígado.

Exames de sangue para o fígado

Exame de sangue
Existem vários exames específicos para o fígado que são tirados em exames de sangue de rotina

Os exames de sangue específicos para o fígado são muito utilizados para a detecção de doenças que afetam esse órgão, como a esteatose, mais conhecida como gordura no fígado, cirrose e hepatite. 

É comum, nos exames de rotina, o médico ou médica solicitar exames de rastreio, que dão um parâmetro geral de como está a saúde do fígado, que são o TGO (ou AST), TGP (ou ALT), Gama GT e a fosfatase alcalina.  

Para pessoas que já são diagnosticadas com alguma doença no fígado, existem outros exames de sangue que podem oferecer informações complementares, entre eles: nível de bilirrubina, tempo de protrombina e eletroforese de proteínas. 

TGO e TGP

Os exames de TGO e TGP medem a concentração das enzimas produzidas pelo fígado, a transaminase-glutâmico oxalacética (TGO) e a transaminase glutâmico pirúvica (TGP).

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Algumas doenças podem provocar lesões nas células do fígado, chamadas hepatócitos. Por causa dessas lesões, as enzimas extravasam das células e atingem a corrente sanguínea, resultando em níveis elevados de TGO e TGP.  

Essa alteração pode levar o médico ou médica a suspeitar, principalmente, de cirrose ou hepatite. 

O resultado desse exame não deve ser avaliado isoladamente, ou seja, ter níveis normais de TGO e TGP não significa ausência de doença no fígado. Todo exame é avaliado em conjunto com a história clínica, sintomas e outros recursos diagnósticos. 

Os valores de referência de TGO e TGP são de 5 a 40 unidades por litro de soro e 7 a 56 unidades por litro de soro, respectivamente. 

Gama GT

A gama GT também é um exame de rastreio que fornece informações acerca de alterações no fígado, evidenciadas pela elevação nos níveis da enzima gama-glutamil-transferase (Gama GT). 

Esse exame é bastante útil para indicar os efeitos do alcoolismo crônico no organismo da pessoa. 

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Os valores de referência são de até 60 U/L para os homens e até 43 U/L, para as mulheres. Esses valores podem variar de acordo com o laboratório. 

Fosfatase alcalina

A enzima fosfatase alcalina é produzida pelas células dos ductos que formam as vias biliares, por onde a bile produzida no fígado é transportada até o intestino. 

A elevação dos níveis dessa enzima pode indicar a presença de cálculos biliares ou câncer obstruindo os ductos, pois ela indica que está ocorrendo uma retenção da bile, ou seja, o líquido não está fluindo normalmente até o intestino. 

Como a enzima fosfatase alcalina é produzida por outros órgãos, além do fígado, esse exame deve ser avaliado juntamente com outros, para descartar outras doenças. 

Os valores de referência de fosfatase alcalina variam de acordo com a idade:

  • Crianças abaixo de 2 anos: 85 – 235 U/L
  • De 2 a 8 anos: 65 – 210 U/L
  • De 9 a 15 anos: 60 – 300 U/L
  • De 16 a 21 anos: 30 – 200 U/L
  • Adultos: 46 – 120 U/L

Bilirrubinas

As bilirrubinas são os resíduos da destruição das hemácias (células do sangue) velhas ou danificadas, processo que ocorre no baço. 

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Essa substância é transportada pelo sangue até chegar no fígado, onde se mistura à bile. Juntamente com a bile, as bilirrubinas são liberadas no intestino, onde irão fazer parte do bolo fecal. Por causa da coloração amarela-avermelhada da bilirrubina, as fezes adquirem a característica coloração marrom. 

Se o nível de bilirrubina no sangue estiver alto, a pessoa fica ictérica, ou seja, com a pele e olhos amarelados, por conta da deposição dessa substância amarelada nos tecidos. Níveis aumentados de bilirrubina no sangue podem indicar lesões no fígado ou obstrução dos ductos biliares, não permitindo que a substância chegue ao intestino. 

O valor de referência para bilirrubina total é de até 1,2 mg/dL, sendo que parte dele é originado da bilirrubina direta (de até 0,3 mg/dL) e indireta (até 0,8 mg/dL).

Tempo de protrombina

O exame de determinação de tempo de protrombina avalia a capacidade de coagulação do sangue

Em casos de insuficiência hepática, há menor produção de fatores importantes para a coagulação do sangue, especialmente fator VII. Como resultado, o sangue demora mais tempo para coagular neste teste. 

Mas, sabe-se que a coagulação do sangue não depende apenas da função do fígado, então outros parâmetros devem ser avaliados em conjunto, para se chegar ao diagnóstico. 

O valor de referência de tempo de protrombina varia de 10 a 14 segundos.

Eletroforese de proteínas

O exame de eletroforese de proteínas utiliza uma técnica capaz de separar os grupos das proteínas. Em uma condição de disfunção hepática, é possível observar um aumento da concentração de gamaglobulina e redução de albumina. 

Novamente, esse tipo de exame não é específico para problemas no fígado, devendo ser interpretado em conjunto com outros exames. Inclusive, este é um teste muito utilizado para diagnóstico de mieloma múltiplo, um tipo de câncer que atinge a medula óssea. 

Os valores de referência da gamaglobulina são de 0,7 a 1,5 g/dL (11,8 a 20,2% do total de proteínas) e da albumina é de 3,2 a 5,0 g/dL (50 a 63% do total de proteínas).  

Teste para hepatites virais

É um teste rápido e simples, oferecido na rede pública de saúde. Ele utiliza vários marcadores moleculares que permitem a identificação do tipo de hepatite, informação essencial para a definição do tratamento. 

Exames de imagem do fígado

Ultrassom
O ultrassom é o exame de imagem para o fígado mais básico e comum

Geralmente, os exames de imagem são solicitados quando os exames de sangue indicam alterações. Outra situação em que eles podem ser solicitados é quando há suspeita de lesão no fígado após acidentes de carro ou na prática de algum esporte. 

Ultrassonografia

A ultrassonografia é o exame mais simples e econômico para se avaliar o fígado. Através de ondas sonoras, a técnica permite a formação de imagens do fígado, dos ductos biliares e da vesícula biliar. 

Essa técnica é útil para a identificação de anormalidades estruturais localizadas, por exemplo um tumor

Cintilografia

A cintilografia utiliza uma marcador radioativo injetado na veia da pessoa e a localização desse marcador é captada por uma câmera de raios gama, que gera uma imagem. 

Ao acompanhar o caminho do marcador pelo fígado, vesícula biliar, ductos biliares e duodeno, é possível identificar pontos de obstrução

Tomografia computadorizada

A tomografia computadorizada é uma técnica altamente avançada, que gera imagens de alta resolução. 

Por meio dela, é possível identificar a presença de tumores, abscessos e esteatose hepática (fígado gorduroso). 

Ressonância magnética

O exame de ressonância magnética também produz imagens que permitem identificar hepatite e esteatose hepática.

Mas, além das imagens, a técnica possibilita a observação do fluxo sanguíneo através do órgão, importante para detectar distúrbios nos vasos sanguíneos que o irrigam. 

A vantagem da ressonância magnética é que não utiliza radiação, como a tomografia, mas é um exame mais caro e demorado. 

Elastografia

A elastografia é semelhante à ultrassonografia, pois utiliza o ultrassom para medir a elasticidade dos órgãos, observando se existem áreas mais rígidas do que o normal.

Ele é usado para diagnosticar doenças do fígado, como cirrose, hepatite, esteatose e câncer. 

Biópsia

Quando os exames de sangue dão resultados alterados e aparecem cistos ou nódulos nos exames de imagem, o médico ou médica pode solicitar uma biópsia, para avaliar se existem células cancerígenas

Com uma agulha bem fina, pequenos fragmentos são retirados do fígado, para serem analisados com técnicas de microscopia em laboratório. 

Fontes e referências adicionais

Você tem o hábito de fazer exames de rotina? Já fez algum desses exames? Se sim, qual exame? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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