9 Sintomas da Diabetes Tipo 2

A diabetes tipo 2 é uma doença que pode ser evitada, ou que pode entrar em remissão, permitindo uma vida normal. Estima-se que aproximadamente 86 milhões de pessoas tenham pré-diabetes e cerca de 30% evoluirão para o tipo 2 em aproximadamente 5 anos.

Atualmente, a doença afeta aproximadamente 29 milhões de pessoas, sendo que cerca de 8 milhões não foram ainda diagnosticadas, dificultando o tratamento e agravando as complicações que podem incluir danos nos nervos, rins, circulação sanguínea e até a morte.

Entender o que é a doença e reconhecer os sintomas da diabetes tipo 2 pode contribuir com o tratamento precoce e evitar os possíveis impactos para a saúde.

Diabetes tipo 2

A diabetes tipo 2 é uma doença que dificulta que o organismo controle os níveis de glicose, que são regulados normalmente por um hormônio chamado insulina. Pode acontecer do corpo não produzir insulina suficiente ou o hormônio insulina estar sendo liberado e a pessoa não responder adequadamente.

Geralmente ocorre em pessoas com mais de 40 anos, principalmente naquelas com excesso de peso, mas cada vez mais crianças já têm sido diagnosticadas com a doença, o que é alarmante.

O descontrole causado pela diabetes no corpo pode provocar complicações sérias como danos nos nervos, nos rins e má circulação sanguínea, que pode resultar em amputações nos membros inferiores e superiores.

Identificar os sintomas da diabetes tipo 2 pode colaborar com o diagnóstico precoce e com o tratamento efetivo para evitar possíveis complicações.

Principais causas

Muitas são as causas para o desenvolvimento da diabetes tipo 2. Ela pode ser proveniente de um único fator ou de uma combinação deles.

  • Dieta pobre em nutrientes;
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Altos níveis de inflamação no corpo;
  • Sedentarismo;
  • Estresse excessivo;
  • Histórico familiar de diabetes;
  • Pressão alta ou histórico de doença cardíaca;
  • Condição hormonal (como hipertiroidismo,  síndrome dos ovários policísticos ou síndrome de cushing);
  • Exposição a toxinas, vírus ou substâncias químicas nocivas;
  • Medicamentos que prejudicam a produção de insulina.

Progressão da diabetes tipo 2

A diabetes tipo 2 geralmente segue um ciclo vicioso.

  1. A dieta rica em calorias, principalmente os carboidratos refinados, eleva os níveis de insulina na corrente sanguínea para lidar com a ingestão de carboidratos de alta e rápida ação. O consumo frequente costuma contribuir com o ganho de peso.
  2. Os níveis altos consistentemente de insulina faz as células do corpo se tornarem resistentes à insulina, e essa condição leva a um aumento nos níveis de açúcar no sangue.
  3. O pâncreas produz mais insulina para lidar com o aumento dos níveis de açúcar no sangue. Os altos níveis de insulina levam ao aumento da fome. A fome, por sua vez, leva a excessos e letargia, resultando no sedentarismo.
  4. O excesso de comida, a falta de atividade física e os altos níveis de insulina costumam contribuir com o ganho de peso e consequentemente mais resistência à insulina.
  5. A exigência constante do pâncreas para produzir insulina extra, danifica as células beta produtoras de insulina do pâncreas. E aí começa uma luta constante do organismo para produzir insulina suficiente, além dos aumentos mais acentuados.

Sintomas da diabetes tipo 2

A diabetes é uma doença que dá sinais, mas nem sempre eles são evidentes. Assim, a doença pode se desenvolver silenciosamente. Estar atento pode ajudar no diagnóstico, e imagine que quanto mais cedo essa condição for detectada, mais chances de tratamento ela terá. Veja quais são os sintomas da diabetes tipo 2 mais frequentes e fique de olho.

1. Micção frequente

Poliúria ou micção frequente é um dos sintomas da diabetes tipo 2 e indica que o açúcar no sangue é alto o suficiente para começar a derramar na urina. Isso acontece porque os rins não conseguem acompanhar os altos níveis de glicose do corpo e assim eles permitem que uma parte desse açúcar entre na urina, estando  lá ela absorve mais água, retirando o líquido dos tecidos do corpo e o resultado desse processo é uma sede excessiva e idas acima do normal ao banheiro para urinar.

2. Sede excessiva

Ter uma sede excessiva é considerado um dos primeiros sintomas de diabetes tipo 2. Conforme citado acima, uma vez que o açúcar é lançado na urina pelos rins, ele absorve a água dos tecidos de todo o corpo, provocando esse sintoma. Para não provocar uma desidratação, o corpo envia os sinais que está com sede, mas muitas vezes tomar a água não satisfaz. Além disso, a ingestão de água frequente leva o corpo a urinar mais vezes.

3. Fome excessiva

Polifagia ou fome excessiva é mais um sintoma da diabetes tipo 2. O descontrole dos níveis de açúcar causa uma deficiência de glicose nas células, e quando elas não conseguem absorver o açúcar, isso deixa os músculos e órgãos sem energia e o seu corpo procura por mais fontes de combustível, causando fome persistente.

4. Sentir dor ou dormência nervosa

Sentir dor, formigamento ou dormência nas mãos, dedos, pés e dedos dos pés podem ser um sintoma de diabetes. Essa condição indica uma possível neuropatia diabética ou danos nos nervos e é mais comum em pessoas que já estão com a doença por alguns anos.

5. Cicatrização mais lenta

A cicatrização mais lenta provocada por diabetes tipo 2 é resultado da má circulação, acompanhado pelos efeitos do açúcar elevado no sangue nos vasos sanguíneos, imunodeficiência, entre outros.

Diabetes retarda o processo normal de recuperação, tanto de infecções quanto de feridas. É comum que pessoas com a doença tenham um processo de cicatrização mais lento, isso porque a circulação sanguínea está comprometida, além de outros déficits nutricionais.

Se você apresenta infecções frequentes ou machucados e cortes que demoram para cicatrizar, isso pode ser um sintoma precoce.

6. Visão embaçada

A visão embaçada costuma acontecer no início do desenvolvimento de diabetes, quando ele ainda não está gerenciado. Essa condição indica uma alta nos níveis de açúcar no sangue, deslocando o fluido para a lente do olho, causando inchaço.

A visão embaçada é geralmente temporária, mas afeta a capacidade de ver claramente. Isso geralmente resolve quando os níveis de açúcar no sangue se normalizam.

7. Pele escura em algumas regiões

Uma pele mais escura nas dobras dos membros pode aparecer e costuma ser chamada de acantose nigricans. Eles são frequentes nas regiões das axilas, pescoço e virilha e é um sintoma de diabetes tipo 2.

8. Perda de peso

Quando a insulina está descontrolada, ela pode ser insuficiente, deixando o corpo sem energia. A insuficiência faz com que o corpo comece a queimar a gordura e o músculo para gerar energia, e esse processo pode provocar uma perda de peso.

9. Fadiga

O fato das células ficarem sem glicose na quantidade suficiente deixa o corpo cansado. Esse pode ser um dos sintomas da diabetes mais limitantes, pois implica na disposição para as atividades diárias e consequentemente na qualidade de vida.

Sintomas mais frequentes em crianças

Veja a seguir o perfil mais comum de crianças que são afetas pela diabetes tipo 2:

Sintomas mais comuns:

  • Sede extrema e boca seca;
  • Micção e infecções do trato urinário;
  • Fadiga;
  • Visão embaçada;
  • Dificuldade de cicatrização;
  • Dormência ou formigamento nas mãos e nos pés;
  • Comichão na pele.

Se perceber os sintomas de diabetes tipo 2, comunique imediatamente o médico da criança.

Sintomas mais frequentes em adultos

Os adultos podem apresentar alguns ou todos os sintomas da diabetes tipo 2 que listamos acima, porém alguns podem ser mais frequentes”

  • Uma fadiga semelhante à da gripe, que inclui sentir-se lento e cronicamente fraco.
  • Infecções do trato urinário.
  • Dormência e formigueiro nas mãos, braços, pernas e pés devido à circulação prejudicada e danos nos nervos.
  • Problemas dentários, incluindo gengivas vermelhas e inflamadas e infecções na boca.

Possíveis complicações

Como vimos, a diabetes é uma doença que pode trazer sérias complicações de saúde se não for tratada corretamente. Algumas podem ser mais sérias, exigindo uma intervenção médica imediata, e outras podem surgir com o passar dos anos, convivendo com a doença. Vamos entender cada condição e como gerenciar.

Complicações de emergência

– Hipoglicemia

Sentir tontura e ter episódios de desmaio pode ser um sintoma de hipoglicemia. A hipoglicemia acontece quando os níveis de glicose no sangue estão extremamente baixos e pode ser facilmente diagnosticada através de um teste em casa, caso você tenha o aparelho.

Entenda que identificar precocemente a hipoglicemia é crucial, pois pode causar convulsões e até o coma.

Sintomas de hipoglicemia:

  • Confusão;
  • Tontura;
  • Palpitações cardíacas e batimentos acelerados;
  • Mudança de humor;
  • Perda de consciência;
  • Sudorese excessiva;
  • Viscosidade dos fluidos.

Como gerenciar?

Ela pode ser contornada caso os sintomas sejam leves. Por exemplo, comer algo com aproximadamente 15 gramas de glicose pode ajudar. Veja algumas sugestões:

  • Pedaços de balas.
  • Uma xícara de suco de laranja.
  • Uma colher de chá de mel.
  • Comprimidos de glicose.

Importante: Caso a glicose permaneça muito baixa por mais de 1 hora, mesmo após o lanche e a medicação o paciente deverá ser levado ao hospital mais próximo. Episódios constantes e graves devem ser avaliados por um médico.

Complicações a longo prazo

As complicações a longo prazo podem acontecer caso a doença não seja tratada corretamente. Elas podem ser lentas e se tornar fatais e incapacitantes. Veja abaixo:

  • Doenças do coração e dos vasos sanguíneos;
  • Pressão alta;
  • Neuropatia (dano neural);
  • Danos no pé;
  • Danos oculares e até cegueira;
  • Doença renal;
  • Problemas de audição;
  • Problemas de pele.

Diagnóstico

Diante de alguns sintomas, o médico pode solicitar a realização de exames, em busca de obter um diagnóstico preciso. Normalmente, os exames são realizados em dias diferentes para uma comparação mais segura.

  1. A1C: Relação da média de glicose no sangue nos últimos 2 ou 3 meses.
  2. Glicose plasmática em jejum: Serve para medir o açúcar no sangue com o estômago vazio. Para a realização desse exame a ingestão de alimentos ou água é proibida por 8 horas antes do teste. 
  3. Teste oral de tolerância à glicose (OGTT): Esse exame verifica a glicose no sangue antes e 2 horas depois de tomar uma bebida muito doce para analisar como o corpo gerencia o com o açúcar.

Tratamento para diabetes tipo 2

Existem diferentes tratamentos para controlar a diabetes tipo 2, mas o objetivo de todos é controlar os níveis de glicose no sangue. Para que sejam eficientes, ajustes na alimentação, prática de atividade física e medicamentos são prescritos:

1. Alimentação

No momento que você é diagnosticado, o gerenciamento da diabetes deve ser sua prioridade. A dieta e a perda de peso muitos vezes precisam ser a primeira providência a ser tomada, porque o emagrecimento pode ajudar a o corpo a melhorar a sensibilidade à insulina e facilitar o gerenciamento da doença.

Mantenha uma alimentação equilibrada, nutritiva e baixa em calorias e pense que não é um problema pontual e sim uma condição obrigatória para manter a diabetes.

2. Atividade física

A prática de atividade física é benéfica para o corpo e eficiente para o controle dos níveis de glicose no sangue. Quando fazemos exercícios, os músculos trabalham e absorvem glicose do sangue, fígado e músculos. Somente após o exercício que o corpo fará a reposição da glicose, injetando o açúcar no sangue.

Para praticar a atividade, o corpo precisa de energia, que geralmente é fornecida pela alimentação. Isso resultará em um equilíbrio entre a quantidade de calorias consumidas e queimadas, contribuindo para a perda de peso.

3. Estilo de vida

Outra mudança importante são os hábitos como a ingestão de álcool e fumar. Esse deve ser um momento para reavaliar, pois são muito nocivos para a saúde geral.

4. Monitoramento da glicose no sangue

Uma prática como o monitoramento da glicose no sangue fará parte da rotina, pois através do acompanhamento você perceberá como a alimentação e os exercícios afetam seus níveis de açúcar no sangue. O monitoramento é importante, pois pode ajudar a alcançar um excelente controle.

5. Medicação

Os medicamentos para diabetes ajudam a reduzir os níveis de glicose no sangue e alguns até ajudam a perda de peso.

A prescrição será feita pelo médico. Ele analisará qual o medicamento mais apropriado para o seu caso, dose, forma de ingerir e horários. Vale reforçar que eles têm efeitos colaterais e esse deve estar detalhado na bula do medicamento e pode ser discutido com o seu médico, caso tenha dúvidas.

A medicação pode ser alterada. O médico pode mudar o princípio ativo, dosagem e até mesmo eliminar a medicação, especialmente se uma perda significativa de peso for alcançada e os níveis de açúcar no sangue estiverem controlados.

Os remédios para diabetes tipo 2 geralmente são vendidos em forma de comprimidos ou medicação injetável.

Se você percebeu que os sintomas são familiares, saiba que qualquer suspeita deve ser relatada para o seu médico. Assim como outras doenças crônicas, a diabetes pode ser gerenciada e o diagnóstico precoce elevará a eficácia do tratamento e diminuirá as complicações provenientes da doença.

Vídeo:

Gostou das dicas?

Referência adicionais:

Você já percebeu alguns destes principais sintomas da diabetes tipo 2? Já foi diagnosticada a condição? Comente abaixo!

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