Creme de Leite Faz Mal?

Especialista:
atualizado em 29/04/2020

Confira se o consumo de creme de leite faz mal ou se não há maiores problemas ao utilizá-lo em suas receitas ou como acompanhamento na dieta.

O creme de leite é um daqueles ingredientes extremamente úteis para a culinária, já que podem ser empregados em toda uma diversidade de receitas.

Por exemplo, nós podemos usar o creme de leite para acompanhar uma salada de frutas, para incrementar receitas de carnes, peixes, frango e até vegetais ou na preparação de molhos, caldas, coberturas, ganaches, pavês, sopas, tortas, saladas, souflés e muito mais.

Falando nisso, que tal conhecer receitas low carb com creme de leite, que acaba sendo um ingrediente coringa para a dieta low carb? Você também pode aprender como fazer creme de leite vegetal caso siga uma dieta com restrição de produtos de origem animal.

Mas será que apesar de ser tão útil e versátil para nossa cozinha, o consumo do ingrediente pode provocar algum tipo de prejuízo ao organismo?

Você já ouviu falar que o creme de leite faz mal?

Uma das preocupações acerca do consumo frequente de receitas à base de creme de leite pode se referir à presença de gorduras saturadas na composição do produto. A tabela a segui apresenta o teor do componente que algumas marcas e variedades do creme de leite podem conter:

Tipo e marca Gorduras saturadas em gramas por porção
Creme de leite Nestlé 2,2 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite light Nestlé 1,3 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite leve Nestlé 1,5 g em 1 ¼ colheres de sopa ou 15 g
Crene de leite fresco Verde Campo 3,5 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite Italac 1,8 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite Piracanjuba 1,6 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite leve Regina 1,9 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite leve Barra Mansa 1,8 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite fresco Tirolez 3,7 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g
Creme de leite Fresco Quatá 3,3 g em 1 ½ colheres de sopa ou 15 g

Nós não submetemos os produtos mencionados a análises nutricionais, simplesmente reproduzimos as informações encontradas nos produtos.

Ou seja, os valores funcionam como uma estimativa para que tenhamos uma noção de quantas gorduras saturadas alguns diferentes tipos e marcas de creme de leite podem conter.

Para verificar a quantidade de gorduras saturadas do seu creme de leite, cheque a tabela nutricional encontrada na embalagem do produto, até porque outras marcas de creme de leite também pode apresentar alguma variação em seu teor da substância.

Esclarecido isso, alguém poderia olhar para a tabela e argumentar que as quantias de gorduras saturadas presentes nos cremes de leite não são lá muito elevadas. Entretanto, se observarmos melhor, vamos perceber que os valores referem-se a uma porção pequena do produto.

Em uma receita de doce ou salgado que leva creme de leite, o costume é usar uma quantidade bem maior do produto do que os 15 g da tabela. Em muitos casos, usa-se a lata ou a caixinha inteira.

Portanto, a pessoa que consumir a receita poderá acabar ingerindo uma quantidade maior de gorduras saturadas do que a encontrada nesses 15 g, especialmente se comer uma porção generosa ou repetir o prato.

Isso sem contar que a receita que leva o creme de leite também pode conter outros ingredientes compostos por gorduras saturadas, elevando assim o teor final da substância no prato.

O que as gorduras saturadas têm de tão ruim?

É algo que definitivamente precisamos conhecer quando queremos entender se o creme de leite faz mal.

A recomendação da Associação Americana do Coração é que o consumo de calorias oriundas das gorduras saturadas não corresponda a mais do que 5% a 6% da ingestão total de calorias em um dia.

Por exemplo, para quem segue uma dieta de 2 mil calorias diárias, isso significa não consumir mais do que 120 calorias provenientes das gorduras saturadas a cada dia, o que corresponde a um limite diário de 13 g de gorduras saturadas por dia, esclareceu a organização.

A Associação Americana do Coração aconselha limitar a ingestão de gorduras saturadas e afirma que décadas de pesquisas mostraram que elas podem aumentar os níveis do colesterol ruim e trazer um risco mais elevado de desenvolver doenças cardiovasculares.

Por sua vez, a Harvard Health Publishing (Publicação de Saúde de Harvard, tradução livre) da Escola Médica da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, classificou as gorduras saturadas como “gorduras do meio” – entre as ruins, as gorduras trans, e as boas, as gorduras monoinsaturadas e as gorduras poli-insaturadas.

Segundo a publicação, uma dieta rica em gorduras saturadas pode aumentar os níveis totais de colesterol pendendo a balança para o colesterol ruim, que estimula obstruções nas artérias do coração e de outras localidades do organismo.

A Harvard Health Publishing destacou ainda que uma meta-análise de 21 estudos afirmou que não existem evidências suficientes para concluir que as gorduras saturadas aumentam os riscos de desenvolvimento de doença cardíaca, porém, que substituir essas gorduras pelas gorduras poli-insaturadas pode diminuir os riscos do aparecimento da doença no coração.

Dois outros estudos importantes indicaram que trocar as gorduras saturadas pelas gorduras poli-insaturadas ou por carboidratos ricos em fibras é a melhor forma de diminuir os riscos de ter doença cardíaca, entretanto, substituir as gorduras saturadas por carboidratos altamente processado poderia resultar no efeito contrário, completou a publicação.

As gorduras no creme de leite de lata e de caixinha

Os cremes de leite nas versões lata e caixinha possuem diferenças nutricionais, principalmente em relação à sua quantidade de gorduras.

O teor de gorduras varia entre 20% a 25% no produto na versão em lata, enquanto o creme de leite em caixinha tem entre 17% a 20% de teor de gorduras.

Os cremes de leite com menos gorduras em sua composição são os mais apropriados para uma alimentação saudável.

Riscos de contaminação na versão em lata

Um aviso: na hora de comprar um creme de leite em lata é necessário prestar atenção na embalagem porque existe o risco de que o produto esteja contaminado pela bactéria do botulismo.

As duas faces da lata do creme de leite precisam estar retas ou ligeiramente voltadas para dentro; se estiverem estufadas ou amassadas, ele pode estar contaminado. Ou seja, é melhor e mais seguro não levar para casa.

A quantidade recomendada

Depois de toda essa conversa sobre a ideia de que o creme de leite faz mal, o conselho que fica é o de jamais exagerar na ingestão do produto.

Com base na pirâmide alimentar, a recomendação é consumir apenas uma porção do produto diariamente, ou seja, uma colher de sopa a cada dia.

Inadequado para quem tem problemas no fígado

Ao lado de alimentos gordurosos ou fritos, açúcares, sal, bebidas alcoólicas, molhos, leite e queijos integrais, manteiga, margarina e embutido, as pessoas que sofrem com problemas no fígado devem evitar o creme de leite.

Os derivados do leite consumidos pelos pacientes com problemas no fígado devem apresentar a menor quantidade possível de gorduras. Portanto, se você tem problemas no fígado, consulte o seu nutricionista para saber em qual quantidade e frequência limite o creme de leite pode aparecer nas suas refeições.

Tenha em mente que este artigo serve unicamente para informar e jamais pode substituir as orientações profissionais, qualificadas e individualizadas do médico e do nutricionista.

Referências Adicionais:

Você já se perguntou se creme de leite faz mal? Consome com frequência em sua dieta? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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