Femproporex Emagrece Mesmo?

Especialista:
atualizado em 16/12/2015

Femproporex é uma droga que foi desenvolvida para o tratamento da obesidade. Ela suprime o apetite e também podem ser utilizada para tratar distúrbios relacionados ao estresse. Um conceito interessante, considerando que alguns estudos têm mostrado que altos níveis de estresse pode realmente contribuir para o ganho de peso. Veremos neste artigo se o femproporex emagrece mesmo e como ele funciona no organismo.

Onde e para quem o Femproporex foi criado

Embora não haja muitas informações divulgadas sobre a origem da droga, ela parece ter sido criada na América do Sul ou no México, onde sempre foi vendida através de varejistas on-line.

O Femproporex é procurado por pessoas de todos os tipos, mas a sua indicação é para pacientes obesos, ou seja, com IMC (Índice de Massa Corporea) é superior a 30.

Ele emagrece rapidamente porque é capaz de suprimir o apetite e reduzir os níveis de estresse.

Como o Femproporex age no organismo para fazer emagrecer

Femproporex emagrece porque age diretamente no sistema nervoso central. Ele manda uma mensagem o cérebro dizendo que o organismo já está suprido de todos os nutrientes que precisa e desta forma o cérebro não libera a sensação de fome na pessoa. Sem apetite, o sujeito emagrece rapidamente. Da mesma maneira a droga informa ao cérebro que tudo está bem no organismo e o cérebro mantem a pessoa com energia e sem estresse por não comer.

Além da supressão do apetite, Femproporex pode acelerar o metabolismo e aumentar a sensação de energia e funciona como um incentivo a mais para aumentar a carga de atividades físicas. O Femproporex deve ser associado a uma dieta saudável e exercícios físicos porque sua ação só está garantida durante o tempo que ele está sendo ingerido. Uma vez interrompido o uso o paciente volta a sentir muita fome e pode ganhar todo o peso de volta.

O tratamento com Femproporex deve ser curto porque a substância é uma anfetamina, e pode trazer muitos efeitos colaterais potencialmente graves. O uso de Femproporex por atletas é proibido. E ele aparece como uma anfetamina no sistema em testes antidoping.

Efeitos colaterais do Femproporex

O Femproporex emagrece de forma indireta através da perda de apetite, mas ele pode vir acompanhado de todos os efeitos colaterais das anfetaminas.

De acordo com a bula do medicamento, ele pode causar dependência, tremor, irritabilidade, reflexos hiperativos, fraqueza, tensão, insônia, confusão, ansiedade e dor de cabeça, calafrios, palidez ou rubor das faces, palpitação, arritmia cardíaca, dores no peito, hipertensão ou hipotensão, colapso circulatório, boca seca, náusea, vômito, diarreia, câimbras abdominais e alteração da libido.

O medicamento é contraindicado para pessoas com doenças como hipotireoidismo, glaucoma, pessoas com distúrbios psiquiátricos e mulheres grávidas. Assim como outros psicoestimulantes derivados de anfetaminas, Femproporex pode afetar negativamente o sistema cardiovascular e as funções mentais, causando efeitos danosos a saúde mesmo em longo prazo .

Como o Femproporex é vendido

O medicamento Femproporex é fabricado por várias empresas e vendido com diferentes nomes comerciais. Os comprimidos e cápsulas podem conter de quatro até 25 miligramas da substância cada uma. Os nomes comerciais mais populares de medicamentos contendo a drogas são os seguintes:

  • Lipenan (Laboratório Glenmark)
  • Desobesi -M (Aché Laboratórios)
  • IFA Diety, IFA Diety ap (IFA Celtics )
  • Esbelcaps, Feprorex (Medix)

O Femproporex emagrece porque é uma anfetamina

Anfetaminas são drogas sintéticas que estimulam as atividades do sistema nervoso central. Elas foram utilizadas em larga escala durante a Segunda Guerra Mundial para manter os soldados acordados e mais ativos durante as batalhas. Logo nas primeiras experiências no uso das anfetaminas ficou evidente que elas também eram eficazes para deixar as pessoas mais atentas e confiantes e ainda diminuíam a sensação de fome e cansaço.

Um dos efeitos prejudiciais mais claros no uso das anfetaminas é que a pessoa, ao parar de tomar, sente uma grande falta de energia (astenia), fica deprimida e tem dificuldade de realizar as tarefas que normalmente fazia antes do uso dessas drogas. São estas as sensações que levam ao uso constante e a dependência das anfetaminas.

O uso de anfetaminas se tornou popular para emagrecer

As autoridades médicas da Inglaterra foram umas das primeiras a proibir o uso de anfetaminas. Eles notaram que os pilotos da sua força aérea tinham o seu desempenho seriamente comprometido quando estavam sob o efeito dessas drogas.

Mais tarde, quando a ação das anfetaminas como inibidoras do apetite foi comprovada, elas passaram a ser usadas nas dietas alimentares pelas pessoas que queriam perder peso. Embora esta tenha sido a forma de uso que as tornou extremamente populares no mundo afora, não é o único.

Caminhoneiros as tomam para não dormir ao volante, estudantes e trabalhadores a usam para ficarem acordados por mais tempo. Há ainda os comprimidos de ecstasy tomado por jovens para varar a noite nas baladas.

O Femproporex é um medicamento que faz parte das anfetaminas.

O Brasil bate recorde mundial no consumismo de drogas para inibir o apetite. As estatísticas mostram um dado preocupante para a Saúde Pública. De acordo com Agência das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC), quase um por cento de toda a população brasileira faz uso de alguma droga deste grupo.

Efeitos das anfetaminas no cérebro

As anfetaminas – e isso inclui o Femproporex – agem de uma maneira ampla afetando vários comportamentos do ser humano. A pessoa sob sua ação tem insônia (menos sono), inapetência (perde o apetite), sente-se cheia de energia e fala mais rápido, ficando mais agitada.

Assim, o motorista que toma o “rebite” para não dormir, o estudante que ingere “bolinha” para varar a noite estudando, um indivíduo que toda medicamento constante para emagrecer, ou ainda uma pessoa que se injeta ou toma comprimidos estimulantes dissolvidos em água para ficar “ligadão” ou ter um “baque” estão, na realidade, tomando anfetamínicos.

Através destas drogas, a pessoa é capaz de executar uma atividade qualquer por mais tempo, sentindo menos cansaço. A fadiga só aparece horas mais tarde, quando a droga já se foi do organismo; se uma nova dose é tomada, as energias voltam, embora com menos intensidade.

De qualquer maneira, as anfetaminas fazem com que um organismo reaja acima de suas capacidades fazendo esforços excessivos, o que é prejudicial para a saúde.

Efeitos das anfetaminas no resto do corpo

Além de agir no sistema nervoso central, as anfetaminas também têm efeitos em outros órgãos como, por exemplo, nas pupilas dos olhos. Elas agem produzindo uma dilatação das pupilas (midríase). Este efeito é prejudicial para os motoristas porque à noite os olhos ficam mais ofuscados pela luz dos faróis dos carros em direção contrária.

Elas ainda causam aumento do número de batimentos do coração (taquicardia) e um aumento da pressão sanguínea. Por isso pode causar danos à saúde das pessoas que já têm problemas cardíacos ou de pressão ao fazerem uso prolongado dessas drogas sem o acompanhamento médico, ou ainda que utilizarem doses excessivas.

Efeitos tóxicos em caso de superdosagem de anfetaminas

Se uma pessoa exagera na dose e toma vários comprimidos de uma só vez, todos os seus efeitos ficam mais acentuados e podem começar a aparecer comportamentos anormais como agressividade, irritação e delírios. Dependendo do excesso da dose e da sensibilidade da pessoa, pode aparecer um verdadeiro estado de paranoia e até alucinações – chamada psicose anfetamínica. Os sinais físicos ficam também muito evidentes: midríase acentuada, pele pálida (devido à contração dos vasos sanguíneos) e taquicardia.

Essas intoxicações são graves e a pessoa geralmente precisa ser internada até a desintoxicação completa. É possível que durante a intoxicação a temperatura do corpo aumente a ponto de levar a convulsões. Finalmente, trabalhos recentes em animais de laboratório mostram que o uso continuado de anfetaminas pode levar à degeneração de determinadas células do cérebro o que poderia produzir lesões irreversíveis em pessoas que abusam destas drogas.

A polêmica sobre a venda do Femproporex

A venda do Femproporex com prescrição médica foi livre em muitos países até os anos de 2011 e 2012, quando resultados de diferentes estudos começaram a mostrar que a droga pode causar dependência mental e outros efeitos secundários perigosos.

Nos Estados Unidos o comércio de Femproporex foi proibido nesta época e em um relatório recente o FDA (Departamento que controla a venda de medicamentos no país), reafirmou que a substância não é aprovada para uso no território americano.

A proibição transitória no Brasil

Mesmo considerando que o Femproporex emagrece, o seu consumo parecia não valer os prejuízos à saúde apontados pela a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em 2011, a agência proibiu a venda de anfetaminas como o Femproporex sob a argumentação de que as anfetaminas causam muitos riscos à saúde e que não há comprovação científica de sua eficácia. Na ocasião, parte da classe médica ficou contra a proibição, porque ficaria sem opção para o tratamento de pacientes obesos e com distúrbios alimentares.

Em 2014, o Senado e a Câmara dos Deputados aprovaram projeto de decreto legislativo que suspendia a resolução da ANVISA. No entanto, uma proposta ainda mais ampla que estava parada na Câmara à espera do recurso foi votada em junho deste ano de 2015 e agora a produção, venda e consumo dos inibidores de apetite está novamente autorizada.

Você já tinha ouvido falar que o Femproporex emagrece? Seria capaz de utilizar esse medicamento para emagrecer, mesmo sabendo dos riscos e efeitos? Comente abaixo.

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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