Sushi é remoso? Dificulta a cicatrização?

Especialista da área:
atualizado em 23/12/2021

Embora tenha gente que diga que não gosta de sushi e outras comidas japonesas, não dá para negar que a culinária do Japão tem o seu espaço na vida de muitos brasileiros. Entretanto, há a dúvida se o sushi é remoso e se ele pode causar inflamação na pele.

De acordo com pesquisas realizadas em 2017 pela pela Francal Feiras, estima-se que existe uma média de 700 a 1.500 restaurantes japoneses no Brasil.

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Só na Grande São Paulo, já é possível encontrar 3 mil estabelecimentos de comida oriental considerando restaurantes exclusivamente asiáticos, temakerias, buffets e restaurantes que incluem a culinária japonesa e asiática no seu cardápio.

O peixe é o carro chefe da culinária japonesa e o sushi, é definitivamente, um dos pratos mais populares não só no Japão, como no mundo afora.

Ele é feito a partir de alga marinha desidratata (nori), arroz temperado e recheado com ingredientes variados, como pedacinhos de peixe cru, pepino, manga, kani, entre outros.

No entanto, muito embora o peixe seja um alimento altamente nutritivo, repleto de vitaminas, minerais e gorduras boas, será que ele pode fazer mal para algum grupo de pessoas? Por exemplo, você já ouviu falar que sushi é remoso?

O que são alimentos remosos?

sushi
Sushi é remoso ou não?

Quando queremos saber se o peixe é remoso, precisamos entender o que são alimentos remosos, não é mesmo?

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De acordo com a cultura popular brasileira, remoso ou reimoso é o termo atribuído a alimentos ricos em gordura hidrogenada (trans), proteínas ou gordura animal, que prejudicam o organismo e facilitam o processo inflamatório, principalmente na pele.

No entanto, diferentemente do alimento portador de alergênicos, que desencadearia uma reação alérgica, independente do estado de saúde, o alimento remoso é considerado prejudicial apenas quando a pessoa possui uma doença infecciosa ou ferimentos que estão sujeitos a infecções.

Por isso, é importante evitar alimentos remosos depois de passar por uma cirurgia, colocar um piercing ou fazer uma tatuagem. Acredita-se que eles podem interferir no processo de cicatrização e retardar a cura.

Nestes casos, optar por alimentos anti-inflamatórios é a melhor estratégia para uma recuperação mais rápida e saudável.

Os alimentos remosos mais conhecidos são:  

  • Carne de porco, pato e carneiro
  • Fast-food em geral
  • Chocolate ao leite
  • Frutos do mar em geral
  • Ovos
  • Bebidas alcóolicas e refrigerantes.

E então, o sushi é remoso?

O sushi é uma preparação feita à base de uma pequena tira de arroz compactada, com uma fatia fina de peixe cru sobre ela, ou que é enrolada por uma folha de algas marinhas e recheada por um pedaço de peixe cru e/ou outros ingredientes.

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A grande questão do sushi é que o mau armazenamento do peixe pode contaminá-lo e prejudicar a saúde de quem o consome.

Por isso, é muito importante comer peixes de uma boa procedência e que tenham sido manipulados com todo o cuidado de higiene necessário. Somente por essa questão, é possível afirmar que, potencialmente, o sushi é remoso.

Não é que todo sushi irá fazer mal ou prejudicar a sua saúde, em um caso de recuperação pós-cirúrgica, por exemplo.

Todavia, podemos afirmar que considerando essa possibilidade de contaminação, ele é um tipo de alimento que possui um risco maior de trazer problemas.

É por isso que muitos médicos aconselham grávidas e pessoas saindo de cirurgia a não comer sushi.

Além disso, se determinada receita de sushi for recheada por um alimento que é reconhecidamente remoso ou reimoso, poderemos afirmar então que certamente esse alimento é remoso.

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Frutos do mar em geral, são considerados alimentos remosos, e não é difícil encontrar receitas e versões de sushi que levam camarão, caranguejo e moluscos.

Por mais que alguns desses ingredientes aparentem ser um acompanhamento estranho para uma receita de sushi, vale lembrar que a criatividade culinária não tem limites.

A questão do sódio

sal
Excesso de sódio é prejudicial à saúde

A mestra em biologia celular e molecular Sylvie Tremblay chamou a atenção para a possibilidade do sushi ser um alimento com muito sódio.

Segundo a bióloga: “A informação nutricional do sushi se diferencia de rolinho para rolinho e de restaurante para restaurante, mas muitos rolinhos de sushi têm uma quantidade significativa de sódio.”

Uma unidade de sushi recheado com salmão possui 184 mg de sódio, enquanto uma unidade de sushi filadélfia apresenta 101 mg do mineral e um sushi de atum contém 181 mg da substância.

Vale destacar que dificilmente uma pessoa come somente um sushi. Apenas para se ter uma ideia, somente 6 unidades de sushi com salmão possuem 1.104 mg de sódio.

Não podemos esquecer ainda que o sushi geralmente é consumido na companhia do famoso molho shoyu.

E de acordo com a sua composição nutricional, em uma porção correspondente a uma colher de sopa, encontramos 902 mg de sódio.

E você saberia dizer qual é o problema com o sódio? Bem, ainda que o corpo humano necessita do sódio para o controle da pressão arterial, do volume do sangue e para o funcionamento adequado dos músculos, a ingestão de uma quantidade elevada do nutriente não é nada boa para o organismo.

A Organização mundial de saúde (OMS) recomenda que os adultos limitem a sua ingestão de sódio para 2 gramas do nutriente por dia.

A Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, alertou que o excesso de sódio pode provocar problemas como retenção de líquidos, endurecimento dos vasos sanguíneos (arteriosclerose), pressão arterial alta, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

Fontes e referências adicionais

Você já tinha ouvido falar que o sushi é remoso? Tem costume de consumir comida japonesa com certa frequência? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é Nutricionista - CRN-RJ 0510146-5. Ela é uma das mais conceituadas profissionais do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition.

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