Fezes amarelas: 10 principais causas e o que fazer

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atualizado em 06/05/2022

Fezes amarelas é um sintoma comum e está relacionado com alterações no processo digestivo, especialmente pela má absorção de gordura no intestino e ingestão de alimentos muito gordurosos. 

O nome técnico para o sintoma é esteatorreia, caracterizada por fezes amarelas, que tendem a flutuar na água, acompanhada de espuma esbranquiçada e com forte odor fétido. 

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Este sintoma pode se manifestar em diversas doenças, como a doença celíaca, pancreatite, infecções intestinais, hepatite e pedra na vesícula. Geralmente, além das fezes amarelas, outros sintomas se manifestam nessas doenças. 

Dor de barriga
Existem algumas causas variadas que podem provocar fezes amarelas

Veja quais são as principais causas das fezes amarelas e o que fazer.

Alimentos gordurosos

A ingestão de alimentos muito gordurosos é a causa mais simples envolvida na formação de fezes amarelas e gordurosas.

Não é incomum ter um episódio de diarreia com fezes amareladas, após uma refeição mais rica em gorduras, por exemplo uma feijoada. Esse tipo de alimento conta com bastantes carnes gordurosas, como bacon, costela e torresmo. 

Alimentos com queijo, molho branco, requeijão também são concentrados em gordura e podem causar a eliminação de fezes amarelas. 

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O que fazer

Na refeição seguinte, prefira alimentos leves, como legumes bem cozidos e frutas. Beba bastante água, para repor o líquido perdido nas fezes. 

Intoxicação alimentar

A intoxicação alimentar ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados, especialmente com as bactérias Campylobacter jejuni, Salmonella e Clostridium

A toxina das bactérias provoca diarreia com fezes amareladas e aquosas, dor abdominal, cólicas, febre, náuseas e vômitos. Geralmente, esses sintomas se manifestam algumas horas após a ingestão do alimento contaminado. 

O que fazer

É muito importante repor o líquido perdido, com a ingestão de bastante água e soro caseiro. Enquanto o ciclo não cessa, se alimente de legumes bem cozidos, frutas e carnes magras, como o frango. 

Se a diarreia persistir por mais de 7 dias e houver risco de desidratação, procure ajuda médica para receber hidratação e sais por via endovenosa (na veia) e antibióticos. 

Gastroenterite

A gastroenterite é uma inflamação do revestimento do estômago e dos intestinos delgado e grosso. Normalmente, é causada por microorganismos (vírus, bactérias e parasitas), mas também pode ser causada por toxinas químicas ou medicamentos. 

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Os vírus são os principais responsáveis pelas gastroenterites, eles infectam as células do revestimento do intestino e se multiplicam através delas. Os principais sintomas da gastroenterite causada por vírus, comumente chamada de virose, são diarreia aquosa com fezes amarelas, vômito e febre. 

O que fazer

A diarreia pode durar de uma a duas semanas, período em que a pessoa deve repousar, repor o líquido perdido, se alimentar com alimentos leves e de fácil digestão. Caso os sintomas persistam, é indicado buscar ajuda médica para identificação da causa da gastroenterite e tratar.  

Hepatite A

A hepatite A é uma doença infecciosa que afeta o fígado e é causada pelo vírus A da hepatite (HAV). 

É uma doença altamente contagiosa, transmitida por via fecal-oral de pessoa para pessoa, ou pela ingestão de água e alimentos contaminados com o vírus. Após 30 dias da contaminação com o vírus, os sintomas se manifestam:

  • Fadiga
  • Dores musculares
  • Dor de cabeça
  • Náuseas
  • Urina escura 
  • Fezes amarelas

O que fazer

Os medicamentos que o médico ou médica pode receitar não são para curar a hepatite, que tem resolução natural, mas ajudam a aliviar os sintomas. É importante tomar a vacina para hepatite A, disponível para as crianças a partir de 1 ano de idade, sendo duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas. 

Pedra na vesícula

Pedra na vesícula
A pedra na vesícula pode provocar muitas dores e outros sintomas, como as fezes amarelas

A pedra na vesícula (colelitíase) ocorre pelo acúmulo de cálculos biliares, popularmente chamados de “pedras”, na vesícula biliar ou nos ductos biliares. O problema ocorre por uma alteração na concentração das substâncias que compõem a bile, o líquido que é produzido no fígado e armazenado na vesícula biliar. 

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A bile funciona como um detergente, um produto que usamos para tirar a gordura das louças. Após a refeição, a vesícula biliar se contrai e libera a bile no duodeno, uma parte do intestino. 

Se houver uma pedra obstruindo o fluxo da bile até o duodeno, a gordura não será digerida e absorvida e, por isso, será liberada juntamente com as fezes, que ficam com aspecto oleoso e amarelado

Em condições normais, as fezes apresentam a cor amarronzada pela presença de bilirrubina, componente da bile. Como a bile não chega até o intestino, as fezes ficam pálidas, com a coloração amarelada. 

O que fazer

Não há apenas um tratamento para a pedra na vesícula e a escolha da abordagem terapêutica é feita de acordo com a idade da pessoa, quantidade e tamanho das pedras, entre outras condições de saúde que são avaliadas pelo médico ou médica gastroenterologista.

Se as pedras forem pequenas, o tratamento pode ser feito com uma técnica chamada litotripsia extracorpórea, que utiliza um aparelho que emite ondas de choque que quebram as pedras em pedaços menores, para passarem pelo ducto e serem eliminadas. 

A outra opção de tratamento é a cirurgia para retirada da vesícula biliar por laparoscopia, um método não invasivo, em que são feitas quatro incisões na barriga, por onde o cirurgião do sistema digestivo insere a câmera e os instrumentos para retirada da vesícula.   

Pancreatite 

A pancreatite é uma inflamação no pâncreas, que é geralmente causada pela presença de pedras na vesícula biliar e pelo consumo crônico de álcool. 

O pâncreas produz o suco pancreático, cuja ação é no intestino, para auxiliar na digestão dos alimentos. Quando os ductos por onde esse líquido flui estão obstruídos por pedras, ele se acumula na glândula, causando inflamação e edema.

O consumo excessivo e crônico de bebidas alcoólicas altera a parede do pâncreas, levando à atrofia da glândula. Essa alteração na parede da glândula, combinada à obstrução dos ductos biliares, intensifica o processo inflamatório, podendo torná-lo crônico

Como resultado da falta de ação do suco pancreático sobre os alimentos, a gordura não é digerida e nem absorvida no intestino, sendo, assim, liberada juntamente às fezes, que apresentam-se amareladas

O que fazer

O tratamento requer internação hospitalar, pois durante a inflamação do pâncreas, a pessoa deve ficar em jejum e receber hidratação pela veia. Enquanto a inflamação estiver ativa, a pessoa não pode se alimentar, pois o processo digestivo não ocorre como deveria, na falta de suco pancreático. 

Se a pessoa tiver pancreatite crônica, que é quando a parede da glândula já foi alterada e a pessoa convive com a doença, ela deve adotar uma dieta pobre em gorduras e rica em legumes, cereais e raízes.

Também devem ingerir um preparado de enzimas pancreáticos, para auxiliar na digestão dos alimentos. 

Algumas pessoas com pancreatite crônica desenvolvem diabetes, pelo fato da função endócrina da glândula ser prejudicada, resultando na queda dos níveis de insulina. Por isso, o controle da glicemia deve ser feito com aplicações diárias de insulina.  

Câncer no pâncreas

O câncer de pâncreas é, geralmente, diagnosticado tardiamente, o que contribui para a sua alta taxa de mortalidade. Fora a predisposição genética, o câncer de pâncreas está associado a hábitos que são prejudiciais à saúde, como tabagismo e consumo crônico de álcool. 

Pessoas com obesidade, diabetes do tipo 2 ou pancreatite crônica são mais propensas a esse tipo de câncer, que tende a se manifestar após os 60 anos de idade, preferencialmente entre os homens. 

Dentre os sinais iniciais do câncer de pâncreas estão a eliminação de urina escura, que adquire a cor de chá preto pela presença de bilirrubina, substância colorida da bile. Como essa substância digestiva não chega ao intestino, a gordura não é bem digerida e absorvida, sendo liberada com fezes amarelas

O que fazer

O único tratamento que oferece chances de cura é a cirurgia de retirada do pâncreas. Quando esse tratamento não é possível, devido às condições de saúde da pessoa e idade, os sintomas são amenizados com quimioterapia e radioterapia. 

Giardíase

A giardíase é uma infecção causada pelo protozoário Giardia lamblia. A infecção por esse microrganismo se dá via transmissão fecal-oral, pelo contato direto com os cistos do protozoário ou pela ingestão de água e alimentos contaminados. 

Uma complicação comum da giardíase é a síndrome da má absorção, caracterizada pelos sintomas:

  • Fezes moles, amareladas e gordurosas
  • Inchaço abdominal
  • Flatulência
  • Perda de peso não intencional
  • Anemia

O que fazer

O tratamento é feito com medicamentos antiprotozoários, como o tinidazol, metronidazol e nitazoxanida por 10 dias. Alguns casos se resolvem naturalmente em algumas semanas, sem a necessidade de medicação. 

Doença celíaca

A doença celíaca é uma doença autoimune, na qual as células do sistema de defesa atacam as próprias células do intestino delgado, deixando-as achatadas e com a capacidade de absorção dos nutrientes prejudicada.

Esse processo inflamatório é desencadeado pelo glúten, uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. 

Por causa disso, o trânsito intestinal fica acelerado, produzindo fezes moles e amareladas, devido à má absorção da gordura. 

O que fazer

O tratamento é feito com a modificação completa da dieta, retirando-se todo alimento que contenha glúten. Dessa forma, o processo inflamatório cessa e a pessoa fica livre de sintomas, dando tempo para a parede do intestino cicatrizar.  

Medicamentos

Remédios
Remédios usados para emagrecer podem provocar as fezes amareladas

Alguns medicamentos usados para o emagrecimento impedem a absorção de gorduras pelo organismo, provocando a sua liberação nas fezes, que adquirem a cor amarela. 

O que fazer

Se o medicamento estiver sendo administrado sob prescrição médica, é recomendado consultar o médico ou médica responsável, sobre a maneira correta de utilizá-lo e verificar a necessidade de troca do medicamento. 

Fontes e referências adicionais

Você já teve diarreia com fezes amarelas? Qual foi o problema que causou esse tipo de diarreia? O que você fez para se tratar? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho é especialista em Gastroenterologia, Endoscopia Digestiva e Ultrassonografia - CRM 52.104130-4. Formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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