Trombose na gravidez: sintomas, riscos, tratamentos e como evitar

atualizado em
Ver resumo
  • A trombose na gravidez é a formação de coágulos que bloqueiam vasos sanguíneos, sendo até 6 vezes mais comum em gestantes do que em não gestantes, por causa das alterações hormonais que aumentam a coagulação do sangue.
  • Os principais sinais são perna dolorida, inchada, quente e com sensação de peso, além de veias dilatadas, mudança na cor da pele e, em casos mais graves, fraqueza em um lado do corpo e dificuldade para falar.
  • Existem vários tipos, como a trombose venosa profunda (mais comum), a hemorroidária, a placentária e a do cordão umbilical, sendo que estas duas últimas podem levar a aborto se não tratadas.
  • Fatores como ter mais de 35 anos, gravidez de gêmeos, obesidade, tabagismo, varizes graves e histórico prévio de trombose aumentam o risco; o tratamento é feito com heparina, mantido até semanas após o parto.
  • Para prevenir, o artigo recomenda usar meias de compressão, praticar atividade física apropriada para gestantes, evitar ficar muito tempo na mesma posição ou com as pernas cruzadas e não fumar.

A trombose na gravidez é a formação de coágulos em vasos sanguíneos, que bloqueiam a passagem do sangue pelo local acometido. Este problema na circulação sanguínea é responsável por alguns casos de inchaço, vermelhidão, dor e sensação de peso na perna. 

O período da gestação é marcado por mudanças hormonais e físicas importantes, que podem dificultar a circulação sanguínea, especialmente na perna. A compressão do útero na região pélvica é um dos fatores que contribuem para a formação de coágulos capazes de obstruir alguns pontos dos vasos sanguíneos. 

A trombose é um problema potencialmente grave, que deve ser tratado em todas as circunstâncias, principalmente durante a gravidez. 

Veja mais detalhes sobre o que é a trombose na gravidez, os principais sintomas, quais são os riscos, os tratamentos e como evitar o problema. 

Trombose: o que é?

Trombose é a obstrução do fluxo sanguíneo em um vaso, que pode ser uma veia ou artéria, causada por um coágulo ou trombo. 

A trombose pode ocorrer em veias superficiais, em veias profundas ou em artérias. Na gravidez, é mais comum ocorrer a trombose venosa profunda, também conhecida como TVP. Mas ela também pode afetar vasos e artérias da placenta ou do cordão umbilical. 

Ao comparar mulheres gestantes e não gestantes, as primeiras têm até 6 vezes mais chances de desenvolver trombose venosa profunda. O crescimento do útero e o peso neste órgão alteram a circulação sanguínea, sobretudo nas pernas. 

A trombose na gravidez é um fator determinante para o aumento das taxas de morbidade e mortalidade da mãe e do bebê, por isso é importante conhecê-la e tratá-la adequadamente. 

Sintomas de trombose na gravidez

Trombose
As pernas com trombose ficam doloridas, inchadas e “pesadas”

A trombose na gravidez produz alguns sintomas que podem ajudar a identificá-la: 

  • Sensação de perna pesada.
  • Perna dolorida, inchada e quente.
  • Dor nas coxas, braços ou abdômen.
  • Endurecimento da pele na perna afetada
  • Mudança na cor da pele, ficando mais avermelhada ou azulada. 
  • Veias dilatadas e visíveis na perna.
  • Dificuldade para movimentar a perna e para andar.
  • Dor e sangramento na região do ânus.
  • Fraqueza em um lado do corpo.
  • Dificuldade para falar.

Uma gestante não costuma apresentar todos esses sintomas de uma só vez, pois eles variam conforme o tipo de trombose que ela apresenta. Em todo o caso, a identificação do problema e o tratamento são fundamentais para prevenir complicações para a gestante e para o bebê. 

Tipos de trombose

Os tipos de trombose que podem afetar as gestantes são:

  • Trombose venosa profunda: os coágulos se formam em veias profundas do corpo, geralmente dos membros inferiores (na panturrilha ou na coxa), mas também pode ocorrer nos membros superiores e na pelve. 
  • Trombose hemorroidária: quando a mulher tem hemorroida interna ou externa, ela fica suscetível a apresentar esse tipo de trombose. Neste caso, o coágulo pode se formar devido ao rompimento ou compressão da hemorroida, que levam ao acúmulo de sangue no local. 
  • Trombose placentária: os coágulos se formam nas veias ou artérias da placenta, reduzindo a passagem de sangue para o feto, que é refletido na diminuição de seus movimentos. Se não tratada, essa trombose pode levar ao aborto. 
  • Trombose no cordão umbilical: os coágulos se formam nas artérias ou na veia do cordão umbilical e também podem levar ao aborto.
  • Trombose cerebral: é quando um coágulo se forma em uma artéria que irriga o cérebro, provocando o acidente vascular cerebral (AVC). Veja quais são os sintomas do AVC. 

Risco de trombose na gravidez

Durante a gravidez, o risco da mulher sofrer com uma trombose é maior, porque a alteração hormonal aumenta a capacidade de coagulação do sangue. Quanto maior é a capacidade de coagulação sanguínea, maiores as chances de haver formação de coágulos, ou trombos, nos vasos sanguíneos. 

Provavelmente, essa maior tendência à coagulação do sangue seja uma resposta evolutiva de proteção da mãe e do bebê, para reduzir os riscos de hemorragia durante o parto. 

O risco de trombose é o mesmo durante todo o período de gestação, inclusive nos três meses após o parto. Mas o pico de incidência de trombose na gravidez ocorre no segundo trimestre da gestação. 

Além disso, a perna esquerda é afetada com mais frequência do que a direita, devido à compressão da veia ilíaca esquerda pela artéria ilíaca direita, ao atravessá-la.

Apesar da gravidez ser um fator de risco, por si só, existem outros fatores que podem deixar a gestante mais suscetível ao problema: 

  • Já ter tido um quadro clínico de trombose em uma gravidez anterior.
  • Ter mais do que 35 anos de idade.
  • Já ter tido mais de 3 gestações. 
  • Estar grávida de gêmeos.
  • Estar acima do peso.
  • Ser cadeirante.
  • Ser tabagista.
  • Ter um quadro grave de varizes.
  • Ter doenças cardíacas, pulmonar ou artrite.
  • Ter síndrome do anticorpo antifosfolípide: uma doença autoimune rara em que o sistema imunológico ataca proteínas do sangue, aumentando o risco de formação de coágulos. Esta doença é responsável por alguns casos de abortos de repetição.
  • Ter trombofilia: uma predisposição à formação de trombos no sangue, devido a alterações nos fatores de coagulação sanguínea. 

O que fazer em caso de trombose na gravidez

Ao sentir uma dor repentina na perna, que piora com o passar do tempo e é acompanhada de inchaço, vermelhidão, aumento da temperatura local, endurecimento da pele e aparecimento de veias saltadas, a mulher deve buscar atendimento médico imediatamente. 

Isso porque a trombose é um problema de saúde bastante grave, que pode evoluir para uma embolia pulmonar, caso o trombo se desloque em direção aos pulmões, pelo fluxo sanguíneo. Nesse caso, a gestante desenvolve falta de ar, dor no peito e elimina sangue na tosse. 

Quando o coágulo se forma na placenta ou no cordão umbilical, a mulher não apresenta sintomas. Mas a percepção de diminuição dos movimentos do bebê pode ajudar a identificar um problema na circulação sanguínea nessas estruturas. Por isso, ao notar qualquer anormalidade, vale procurar atendimento médico. 

Tratamento da trombose na gravidez

O tratamento da trombose na gravidez é feito com injeções de heparina, um anticoagulante que serve para dissolver os coágulos existentes e prevenir a formação de novos. 

Normalmente, após a identificação do problema, o tratamento é mantido até o final da gravidez e algumas semanas após o parto, geralmente 6. Isso porque no parto, muitas veias são rompidas na região abdominal e pélvica, podendo levar ao acúmulo de sangue e formação de coágulos. 

Ter um sangramento superior a 1 litro durante o parto e necessitar de transfusão são sinais de risco aumentado (de até 30 vezes) de trombose pós-parto. Essas mulheres são tratadas com anticoagulantes, meias de compressão e incentivo à movimentação o mais rápido possível após o parto. 

Como evitar a trombose na gravidez

Meia de compressão
O uso de meias de compressão pode ajudar a evitar a trombose

Existem alguns cuidados durante a gravidez que podem diminuir os riscos de ocorrer a formação de coágulos nos vasos sanguíneos. Discuta esses cuidados com seu médico ou médica, para saber quais são os mais indicados ao seu caso: 

  • Usar meias de compressão, para facilitar o retorno venoso do sangue, evitando inchaços. 
  • Fazer atividade física regular, apropriada para gestantes e, de preferência, com acompanhamento de um/uma profissional da educação física. Por exemplo, podem ser feitas caminhadas, pilates ou natação/hidroginástica
  • Evitar ficar na mesma posição durante muito tempo, seja sentada, deitada ou em pé. É importante se movimentar periodicamente, para estimular a circulação sanguínea. 
  • Evite ficar com as pernas cruzadas, pois isso dificulta a circulação nas pernas. 
  • Cultive uma alimentação saudável, rica em frutas, legumes, vegetais, proteínas e gorduras boas, e pobre em industrializados, que são ricos em açúcar, gordura, sódio e conservantes. Veja algumas dicas de alimentação para gestantes.
  • Não fume e evite ficar em locais onde há fumantes, pois isso aumenta o risco de trombose.
Fontes e referências adicionais

Você já teve trombose durante uma gestação? Qual tipo de trombose você desenvolveu? Como você descobriu que estava com trombose na gravidez? Comente abaixo!

Foi útil?
Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.