Anemia ferropriva: o que é, causas, sintomas e tratamentos 

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atualizado em 12/04/2022

Não é à toa que ao falar sobre anemia, a primeira associação que as pessoas fazem é com a deficiência de ferro. É comum, ainda, essa associação mental ser seguida da orientação de comer mais feijão, um alimento rico em ferro. Isso porque, dentre todos os tipos de anemia, a ferropriva é a mais comum. 

Antigamente, era comum a crença de que cozinhar feijão com um prego na panela era bom para a saúde. Hoje, sabemos que não é recomendado colocar prego na panela para cozinhar os alimentos, visto que não contém apenas ferro metálico, mas outros metais que podem ser muito prejudiciais à saúde. 

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Mas, a ideia por trás dessa prática é aumentar a concentração de ferro nos alimentos, isso porque a carência de ferro na alimentação é a principal responsável pela anemia em crianças pequenas de até 5 anos e nas gestantes. 

A boa notícia é que é possível tratar a anemia ferropriva e restaurar os níveis de ferro no sangue. A falta de tratamento, por outro lado, pode gerar complicações graves, como insuficiência cardíaca e infecções frequentes. 

Veja o que é a anemia ferropriva, as principais causas, os sintomas e como é feito o tratamento.

Anemia ferropriva: o que é?

A anemia ferropriva é a mais comum dentre os tipos de anemia, sendo classificada como uma anemia hemolítica, ou seja, as hemácias são destruídas antes do tempo, pois apresentam anormalidades em seu tamanho e conteúdo de hemoglobina.

Isso acontece porque, sem ferro suficiente, a medula óssea não consegue produzir hemácias saudáveis e em quantidade adequada. As que são produzidas são menores e contêm menos hemoglobina do que deveriam e, por isso, ficam menos tempo na nossa circulação. 

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Causas da anemia ferropriva

A causa mais comum da anemia ferropriva é a baixa ingestão de ferro na alimentação, que é um mineral fundamental para a produção das hemácias e para o transporte de oxigênio a todos os tecidos do corpo. 

A combinação da baixa ingestão de ferro associada ao aumento da demanda deste mineral torna a pessoa mais suscetível à anemia e esse é o caso das gestantes e lactantes. 

Durante a gestação e amamentação, o organismo da mãe necessita de mais ferro do que o habitual, por causa do bebê em desenvolvimento. Se não houver ingestão adequada de ferro ou se não for feita uma suplementação, as gestantes e lactantes correm o risco de desenvolver anemia ferropriva.  

O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses é fundamental porque, por meio dele, o bebê recebe ferro da mãe, que não está disponível em quantidades suficientes para prevenir anemia no leite de vaca. 

Na verdade, os bebês até 1 ano de idade não podem ser alimentados com leite de vaca, caso a mãe não possa amamentá-los, tendo que receber fórmulas específicas para a idade e necessidade dos bebês. 

Da mesma forma, crianças de até 5 anos apresentam maior demanda de ferro, pois estão em fase de crescimento e desenvolvimento. Por isso, devem ter uma alimentação balanceada e rica em ferro. Esse grupo também está em maior risco de terem dificuldade de absorção de ferro no intestino, por causa de vermes intestinais, como os ancilostomídeos, que causam amarelão.

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Por isso, devemos nos atentar para os sinais de apatia nas crianças, que podem indicar a presença de vermes e má absorção de ferro. 

Outra possível causa da anemia é a perda excessiva de sangue, que pode acontecer em casos de hemorragia aguda, decorrentes de um acidente, por exemplo, ou crônicas, com perda de sangue constante no sistema digestivo, resultado de hernias e úlceras no estômago

Mulheres que menstruam excessivamente também podem desenvolver anemia ferropriva, devido à perda de um grande volume de sangue ferro. As meninas adolescentes apresentam maior risco de desenvolver anemia por este motivo, pois estão em uma fase de intenso desenvolvimento, com altas demandas de ferro. 

Pessoas com doença celíaca e que fizeram cirurgia bariátrica ou de redução de parte do intestino são mais suscetíveis a desenvolverem a anemia ferropriva, pela maior dificuldade de absorção de ferro. 

A vitamina C e as proteínas ajudam na absorção de ferro, então é indicado que, além de aumentar a ingestão de ferro e tratar a causa da anemia, haja também um maior consumo de alimentos e bebidas ricos em vitamina C e proteínas. 

Sintomas da anemia ferropriva

Cansaço
O cansaço extremo é o sintoma principal da anemia ferropriva

Os sintomas da anemia ferropriva podem demorar a se manifestar, pois leva alguns meses para que o estoque de ferro no organismo seja esgotado. E eles se desenvolvem gradualmente, ou seja, não ocorrem todos ao mesmo tempo.

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Os sintomas são semelhante aos dos outros tipos de anemia:

  • Pele pálida
  • Cansaço extremo
  • Fraqueza
  • Falta de apetite
  • Arritmia cardíaca
  • Taquicardia
  • Mucosas dos olhos amareladas
  • Língua sem papilas ou “língua careca”
  • Feridas nos cantos da boca
  • Unhas e cabelos fracos e quebradiços
  • Dificuldade de concentração
  • Dor de cabeça
  • Dor nas pernas
  • Tornozelos inchados
  • Crescimento e desenvolvimento cognitivo prejudicados nas crianças
  • Maior suscetibilidade a infecções 

Algumas pessoas com anemia ferropriva sentem vontade de ingerir substâncias estranhas, que não são alimentos, geralmente gelo, terra e giz. 

Diagnóstico da anemia ferropriva

O diagnóstico da anemia ferropriva é feito por meio de um hemograma, no qual se verificam vários índices referentes às hemácias e à hemoglobina, bem como a dosagem de ferro, ferritina, transferrina e saturação de transferrina. 

Também são feitos exames para investigar a origem da perda de sangue, se esta for a causa da anemia. O exame de fezes permite a investigação de sangue oculto nas fezes e os exames de imagens, como ultrassom e endoscopia, ajudam na investigação de problemas no sistema digestivo, que podem provocar sangramentos. 

O médico também analisa os sintomas clínicos da pessoa e busca compreender seus hábitos alimentares e histórico médico. 

Tratamento da anemia ferropriva

Proteínas animais
As proteínas animais são as principais fontes de ferro na dieta

A primeira medida terapêutica é corrigir a deficiência nutricional de ferro, por meio da orientação quanto aos alimentos que a pessoa deve ingerir, para aumentar a dosagem de ferro no sangue. 

O ferro pode ser encontrado em alguns alimentos, na forma de ferro heme e não heme

O ferro heme é encontrado nos alimentos de origem animal:

  • Carnes vermelhas
  • Aves 
  • Peixes 
  • Ovos
  • Fígado dos animais

O ferro proveniente desses alimentos é mais facilmente absorvido pelo nosso organismo. 

O ferro não heme pode ser encontrado:

  • Vegetais de folhas verde-escuras: espinafre, couve, brócolis, salsa e agrião.
  • Leguminosas: feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha.
  • Frutas: castanhas, amêndoas, nozes, maçã e uva. 

A concentração de ferro nesses alimentos é menor, quando comparada aos de origem animal, assim como a sua biodisponibilidade, ou seja, a possibilidade de ser facilmente absorvido no intestino. 

Sucos ricos em vitamina C, principalmente de limão e laranja, ajudam na absorção de ferro pelo organismo. Já o café e o chocolate prejudicam a sua absorção, pois contêm tanino, cafeína e oxalato. Por isso, é recomendado esperar, pelo menos, meia hora para tomar um cafezinho ou comer um chocolate após as refeições. 

O leite e os derivados de leite também prejudicam a absorção de ferro, então evite esses alimentos quando estiver consumindo alimentos ricos no mineral. 

O tratamento da anemia ferropriva é feito com suplementação de sulfato ferroso por via oral e, em casos raros, por via endovenosa (na veia). O tempo necessário para a correção da anemia leva de 3 a 6 semanas. 

Os suplementos de ferro podem tornar as fezes mais escuras e, com frequência, levam à prisão de ventre. O melhor horário para tomar o suplemento é pela manhã, juntamente com um suco de laranja ou suplemento de vitamina C. 

Após a normalização dos níveis de ferro no sangue, o tratamento com o suplemento é mantido por, pelo menos, 6 meses, para repor os estoques de ferro no organismo.

Vídeo

Fontes e referências adicionais

Você já teve anemia ferropriva? Quais foram os seus principais sintomas? Quais alimentos ricos em ferro não podem faltar nas suas refeições? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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