Espironolactona (Aldactone): para que serve e como usar

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atualizado em 30/06/2022

A espironolactona, também conhecida pelo nome comercial “Aldactone®”, é um medicamento que pertence ao grupo dos diuréticos e é usado, principalmente, para o controle da pressão arterial e tratamento de inchaços de causas variadas. 

Sua ação diurética promove o aumento da eliminação de água e sódio pela urina e, assim, reduz inchaços causados por, por exemplo, insuficiência cardíaca, cirrose hepática, doença renal e hipertensão arterial.

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Como a espironolactona retém potássio, ela é usada para prevenir a diminuição dos níveis deste mineral essencial no sangue, assim como os do magnésio. 

Apesar de não constar na bula do medicamento, a espironolactona também é usada na dermatologia para tratar problemas como queda de cabelo e acne, relacionados ao excesso de hormônios masculinos em mulheres.

A espironolactona é vendida na forma de comprimido com diferentes doses, sendo fundamental a orientação médica para o uso correto do medicamento.

Veja para que serve, como usar e quais são as contraindicações da espironolactona. 

Para que serve a espironolactona

Hipertensâo
As principais indicações da espironolactona têm a ver com a hipertensão arterial

A espironolactona serve para tratar os seguintes casos: 

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  • Hipertensão essencial: também conhecida como hipertensão primária, trata-se da elevação da pressão arterial para valores superiores a 140/90 mmHg, sem uma causa identificável. 
  • Distúrbios edematosos (inchaços): inchaços e acúmulo de líquido no abdômen (ascite), devido a problemas de insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática, síndrome nefrótica (doença renal), ou inchaços sem uma causa identificável. 
  • Tratamento complementar da hipertensão maligna: um tipo grave de pressão arterial elevada. 
  • Prevenção de hipopotassemia e hipomagnesemia: que é a diminuição dos níveis sanguíneos de potássio e magnésio em pessoas que fazem tratamento com antidiuréticos.
  • Tratamento do hiperaldosteronismo primário: doença relacionada ao excesso do hormônio aldosterona, resultando em hipertensão grave e diminuição dos níveis de potássio no sangue. 
  • Terapia antiandrogênica: usada na dermatologia para o tratamento de acne, excesso de pelos e queda de cabelo de padrão masculino, em mulheres que apresentam excesso de testosterona, por causa da síndrome de ovários policísticos ou hiperplasia adrenal congênita. 

Como usar a espironolactona

Espironolactona
Existem diferentes concentrações do medicamento

A espironolactona pode ser administrada em dose única ou fracionada durante o dia. Os comprimidos são vendidos em concentração de 25 mg, 50 mg e 100 mg, e não podem ser abertos, partidos ou mastigados. 

Em todos os casos, deve-se seguir corretamente as orientações dadas pelo seu médico ou médica, sempre respeitando as doses indicadas, os horários, os intervalos entre as medicações e a duração do tratamento. 

Veja como a espironolactona é usada nos tratamentos: 

Hipertensão essencial

Para casos de hipertensão essencial, a dose recomendada é de 50 a 100 mg/dia. A dose pode ser aumentada, gradualmente, para até 200 mg/dia, em casos resistentes. 

O tratamento deve ser mantido por duas semanas, no mínimo, para que o organismo consiga responder adequadamente ao medicamento.

Insuficiência cardíaca congestiva

Para o tratamento de inchaços causados por insuficiência cardíaca congestiva, a dose indicada também é de 100 mg/dia. 

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De acordo com a necessidade da pessoa, o médico pode ajustar a dose dentro do intervalo de 25 até 200 mg/dia.

A dose de manutenção é determinada pelo médico ou médica, que acompanha o caso. 

Cirrose hepática

No caso da cirrose hepática, a dose de espironolactona é dependente dos níveis de sódio e potássio presentes na urina da pessoa.

Se a relação entre o sódio urinário/potássio urinário (Na+/K+) for maior do que 1, a dose indicada é de 100 mg/dia. Se a relação entre os minerais for menor do que 1, a dose indicada é de 200 a 400 mg/dia. A dose de manutenção é definida para cada caso. 

Síndrome nefrótica

A espironolactona só é aconselhada para tratar a síndrome nefrótica, nos casos em que outras terapias não tenham sido eficazes. A dose pode variar de 100 a 200 mg/dia. 

Edema idiopático

Os casos de edema idiopático são aqueles em que a pessoa apresenta inchaço, sem ter relação com alguma doença cardíaca, renal ou no fígado. 

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A dose normalmente indicada é de 100 mg/dia, para adultos. Já para as crianças, a dose é de aproximadamente 3,3 mg por quilograma corporal, em doses fracionadas. 

Hipopotassemia e hipomagnesemia 

Casos de hipopotassemia e hipomagnesemia, em que suplementos orais de potássio e magnésio foram considerados inadequados, se recomenda a espironolactona com dose diária entre 25 e 100 mg. 

Hiperaldosteronismo primário

A administração de espironolactona pode ser usada como uma ferramenta diagnóstica em casos de suspeita de hiperaldosteronismo primário.

A pessoa em investigação deve manter uma dieta normal e ser submetida a dois possíveis testes: 

  • Teste de longo prazo: a espironolactona (400 mg/dia) é administrada por 3 ou 4 semanas. Se os níveis de potássio no sangue normalizarem e a pressão arterial for controlada, considera-se uma evidência para o diagnóstico de hiperaldosteronismo primário.  
  • Teste de curto prazo: a espironolactona (400 mg/dia) é administrada por 4 dias. Se o potássio sanguíneo aumentar durante a administração do medicamento e diminuir quando for descontinuado, considera-se uma evidência para o diagnóstico de hiperaldosteronismo primário.   

Quando o diagnóstico de hiperaldosteronismo primário é confirmado, a espironolactona pode ser administrada em doses de 100 a 400 mg/dia, como tratamento pré-operatório.  

Para pessoas que não estão aptas para cirurgia, pode-se fazer o uso do espironolactona como tratamento de manutenção de longo prazo, utilizando a menor dose efetiva. 

Hipertensão maligna

Nos casos de hipertensão maligna, o uso da espironolactona deve ser realizada apenas como uma terapia auxiliar nos casos em que há excesso de secreção de aldosterona, níveis baixos de potássio no sangue e diminuição da acidez do sangue (alcalose metabólica). 

A dose inicial é de 100 mg/dia e pode ser aumentada para até 400 mg/dia, conforme a necessidade da pessoa.

Possíveis efeitos colaterais da espironolactona

Tontura
A tontura é um possível efeito colateral do uso da espironolactona

Ao notar qualquer reação adversa ao uso da espironolactona, comunique ao seu médico ou médica, para que seja avaliada a necessidade de ajuste da dose ou substituição do medicamento.

Os efeitos colaterais mais comuns da espironolactona são: 

  • Hiperpotassemia, que é o aumento dos níveis de potássio no sangue.
  • Náuseas 
  • Estado de confusão mental.
  • Tontura
  • Mal-estar
  • Dor nas mamas, em homens.
  • Ginecomastia, que é o aumento das mamas nos homens.
  • Cãibras nas pernas. 
  • Reação alérgica na pele, como coceira e erupção cutânea.
  • Insuficiência renal aguda.

Contraindicações da espironolactona

A espironolactona é contraindicada para pessoas que possuem hipersensibilidade (alergia) à espironolactona ou qualquer outro componente da fórmula. 

Pessoas que apresentam as seguintes condições médicas não devem fazer uso de espironolactona: 

  • Insuficiência renal aguda
  • Diminuição significativa da função renal
  • Hiperpotassemia
  • Doença de Addison
  • Perda da capacidade de urinar
  • Uso concomitante do medicamento eplerenona
Fontes e referências adicionais

Você já precisou usar a espironolactona alguma vez? Se sim, para tratar qual condição médica? Teve algum efeito colateral? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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