Tendinose: o que é, sintomas e tratamentos

Especialista da área:
atualizado em 11/04/2022

Tendinose é uma condição diferente de tendinite, que é um termo mais comum no nosso dia a dia. A tendinite se refere à uma inflamação do tendão por esforço repetitivo, por exemplo. Já a tendinose nem sempre envolve um processo inflamatório, mas é referente a uma degeneração do tendão. 

Essa degeneração pode resultar de pequenos traumatismos na estrutura do tendão, ou da cicatrização incompleta de uma ruptura ocasionada por algum acidente. 

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Sendo assim, o tratamento da tendinose é voltado para a regeneração e cicatrização do tendão, o que pode ser bem mais demorado, de 3 a 6 meses, do que o tratamento da tendinite, que consiste em reduzir a inflamação. 

Os tendões estão espalhados por todo nosso corpo, mas alguns estão mais sujeitos a sofrerem um processo degenerativo do que outros, como é o caso dos ombros, joelhos e calcanhar. 

Veja, com mais detalhes, o que é a tendinose, os sintomas e os tratamentos. 

Tendinose: o que é?

Tendinose
A tendinose refere-se a uma degeneração do tendão

Se você é praticante de musculação, já deve ter ouvido falar das microlesões nos músculos para hipertrofia, ou seja, ganho de massa muscular. 

O que se faz na musculação é exigir do músculo uma capacidade de força e resistência além das que ele já possui. Os exercícios de força provocam microlesões musculares que, com o repouso adequado, vão se regenerar, formando fibras maiores e mais fortes. 

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Agora, pense em um professor que passa o dia inteiro escrevendo na lousa, mantendo seu braço direito levantado. Vão ocorrendo microlesões no tendão do ombro, dia após dia, até que elas se acumulam e provocam a degeneração daquele tendão, e os sintomas aparecem. 

Para que esse professor do exemplo se recupere, é necessário que a atividade que está causando a lesão seja identificada e interrompida ou adaptada, para que o tendão possa se regenerar e cicatrizar, através da produção de fibras de colágeno. 

É muito importante que você busque a ajuda de um profissional para o diagnóstico correto, porque a automedicação com anti-inflamatórios, comumente usados para tratar tendinite, podem atrapalhar a produção de colágeno e retardar a cura da lesão. 

A tendinose pode ocorrer como consequência de uma tendinite não tratada, então é importante identificar o problema no início, para que ele não se torne crônico e evolua para uma tendinose. 

Sintomas da tendinose

Os sintomas da tendinose são muito parecidos com os da tendinite, o que dificulta o diagnóstico em muitos casos. 

  • Dor e rigidez na região ao redor do tendão. 
  • Sensação de queimação ao redor do tendão.
  • A dor piora durante e após a atividade que está sobrecarregando aquele tendão. 
  • Inchaço e acúmulo de líquido ao redor do tendão lesionado. 

Diagnóstico da tendinose

O diagnóstico da tendinose é clínico, em que você terá que relatar ao médico os seus sintomas e detalhar em que momento eles são mais intensos, ou seja, quais são as atividades ou movimentos que pioram a dor ou o desconforto. 

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Você também pode ter que indicar, exatamente, o local da dor, para que o profissional possa examinar a região, para verificar a sensibilidade e o inchaço. 

Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são necessários para analisar a extensão da degeneração do tendão. 

Tratamentos da tendinose

Os tratamentos da tendinose são divididos para a fase aguda, quando os sintomas estão presentes e intensos, e para a fase de manutenção, em que o foco é prevenir outros episódios de degeneração daquele tendão. 

Fase aguda

Na fase aguda, você deve repousar a estrutura afetada. Se a lesão é nos tendões supra-espinhosos ou no manguito rotador, você deve repousar o ombro. Se a lesão é no tendão de Aquiles, então deve repousar o calcanhar e, se a lesão é na patela, repouse o joelho.

Em alguns casos, pode ser necessário o uso de órteses ou bandagens, para imobilizar ou comprimir a estrutura atingida. 

Você também pode aplicar compressas de gelo, durante 20 minutos, sempre com um pano protegendo a pele do gelo, para evitar queimaduras. Repita a compressa a cada 2 horas. 

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Para o alívio dos sintomas, o médico pode receitar alguns analgésicos e verificar a possibilidade de uso de algum anti-inflamatório não-esteroidal. É muito importante que você siga corretamente as instruções do profissional, quanto ao uso dos medicamentos. Em algumas situações específicas, o médico pode indicar a injeção de corticoide diretamente no local da lesão. 

Fase de manutenção

Terapia de ondas de choque
Sessões de terapia por ondas de choque podem ajudar no tratamento

Resolvidos os sintomas da fase aguda, a pessoa com tendinose é direcionada aos tratamentos de manutenção, que visam restabelecer a força, a mobilidade, o alongamento da estrutura afetada. 

Além disso, o tratamento envolve a correção postural e adaptação dos movimentos ou atividades que causaram a tendinose.

Então, você aprenderá a fazer pausas regulares durante a sua atividade. Por exemplo, a cada 15-20 minutos de atividade, você deve repousar durante 5 minutos. 

Você também pode ter que ajustar as suas ferramentas e ambiente de trabalho, por exemplo, trocar a sua cadeira por uma ergonômica, o tipo de teclado, mouse ou apoiadores.

O médico ou médica que acompanha o seu caso também pode te direcionar a sessões de fisioterapia, terapia por ondas de choque, massagens, ou seja, terapias físicas que vão trabalhar a força e o alongamento, e irão ajudar a diminuir a dor. 

Você também pode precisar de um acompanhamento nutricional, para suplementação de colágeno e inserção de alimentos ricos em zinco, magnésio e vitamina C, que estimulem a produção da substância, promovendo a regeneração e cicatrização do tendão. 

Fontes e referências adicionais

Você sabia da diferença entre tendinite e tendinose? Em qual parte do corpo você sente dor e desconfia que possa ser um problema no tendão? Comente abaixo!

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Sobre Dr. João Hollanda

Dr. João Hollanda é Médico Ortopedista - CRM-SP 113136. Formou-se pela Santa Casa de São Paulo, com especialização em cirurgia do joelho. É também médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino desde 2016 e médico voluntário do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa de São Paulo desde 2010. Tem experiência de trabalho prévio com a Confederação Brasileira de Vela, Cisne Negro Companhia de Dança, Escola de Dança do Teatro Municipal de São Paulo, Equipe de Ginástica Artística de Guarulhos. Já trabalhou como Médico nos Jogos Panamericanos Rio 2007, e foi Médico do Time Brasil para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Trabalhou junto a organização Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão e no Haiti, e junto a organização Expedicionários da Saúde no Haiti. Dr. João Hollanda é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Você pode entrar em contato com o Dr. João através de seu site.

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