Gordura Monoinsaturada Faz Mal? O Que é e Alimentos Que Contêm

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atualizado em 24/12/2019

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no mundo, totalizando 30% de todas as mortes. As atividades voltadas para auxiliar na prevenção destas doenças buscam focar no controle rigoroso de todos os fatores de risco cardiovascular, entre eles o controle da pressão arterial.

Um dos fatores mais importantes nos programas de prevenção é o controle adequado da alimentação, pois o consumo de alguns tipos de gordura está diretamente relacionado ao aumento do risco cardiovascular.

Vamos conferir o que é e entender se a gordura monoinsaturada faz mal, conhecendo os principais alimentos que contêm esta gordura.

O que são as gorduras?

Nas últimas décadas, foi possível perceber uma mudança no padrão da alimentação da sociedade que passou a ter um elevado consumo de alimentos com teor de gordura saturada e também de açúcar, além de alimentos com baixo teor de fibras. Em conjunto com esta mudança alimentar, também houve uma redução significativa nos níveis de atividade física, além do aumento dos índices de tabagismo e alcoolismo, aumentando, assim, os índices de excesso de peso e obesidade da população.

A influência da ingestão de ácidos graxos sobre o aumento dos fatores de riscos das doenças cardiovasculares vem sendo demonstrada em inúmeros estudos e pesquisas. Os ácidos graxos, conhecidos como gorduras, são classificados pelo comprimento da cadeia de carbono, pelo número de duplas ligações na cadeia de carbono, além de também ser classificada pela configuração das duplas ligações. Os ácidos graxos podem ser divididos em saturados e insaturados, além do colesterol.

Apesar de muitas pessoas imaginarem que as gorduras são totalmente ruins, é importante dizer que o corpo humano não funciona sem as gorduras. Este nutriente é de vital importância para construir todas as membranas celulares, formando também as bainhas que envolvem os nervos. As gorduras também são essenciais para a coagulação do sangue, para o movimento muscular, para o transporte de algumas vitaminas e para o controle hormonal.

Quais são os tipos de gorduras?

Basicamente, as gorduras saturadas podem ser divididas em dois grupos, aquelas com cadeia média, contendo entre 8 e 12 átomos de carbono, e aquelas com cadeia longa, contendo acima de 14 átomos de carbono na cadeia. Após a absorção no intestino, as gorduras saturadas de cadeia média são transferidas para a corrente sanguínea, sendo posteriormente transportadas para o fígado onde serão metabolizadas, não sendo responsáveis pelo aumento do colesterol.

No entanto, as gorduras saturadas de cadeia longa são esterificadas, formando, assim, os triglicerídeos que serão transportados para a corrente sanguínea, sendo a principal forma de armazenamento da gordura no organismo. De maneira geral, as gorduras saturadas de cadeia longa são responsáveis pela elevação do colesterol no sangue. As gorduras saturadas podem se depositar e permanecer mais facilmente nos vasos sanguíneos, pois esta é sólida na temperatura ambiente, aumentando os riscos de doenças cardiovasculares.

No grupo das gorduras insaturadas, elas podem ter uma insaturação de carbono, sendo chamada de monoinsaturada, ou mais de duas insaturações, sendo chamada de gordura poli-insaturada. As gorduras poli-insaturadas são conhecidas por seus benefícios à saúde, como é caso dos grupos ômega-3 e ômega-6.

No entanto, o grupo de gorduras monoinsaturadas ainda apresenta opiniões diversas, mostrando que estas possuem alguns benefícios, mas que devem ser consumidas com moderação, pois alguns pesquisadores acreditam que a gordura monoinsaturada faz mal à saúde.

Por fim, outro tipo de gordura que causa muitas dúvidas é a chamada gordura trans. A gordura trans pode ser formada por um processo de hidrogenação industrial. Este processo de hidrogenação é usado para transformar óleos saudáveis em sólidos e para evitar que eles fiquem rançosos. O óleo vegetal é aquecido na presença de hidrogênio e um catalisador de metal pesado como o paládio é usado para adicionar átomos de hidrogênio à cadeia de carbono. Isto transforma óleos do estado líquido para sólidos.

Esta gordura é insaturada, contendo uma ou mais ligações duplas na configuração. Ela gordura está presente em diversos produtos industrializados e, de acordo com algumas pesquisas, ela pode contribuir para o aumento do colesterol ruim (LDL) e para a redução do colesterol bom (HDL).

O que é a gordura monoinsaturada e em quais alimentos ela está presente?

A gordura monoinsaturada é um ácido graxo insaturado que contém somente uma dupla ligação entre os carbonos na molécula. Estas gorduras normalmente são líquidas na temperatura ambiente, porém podem atingir o estado sólido quando são resfriadas.

As gorduras monoinsaturadas são mais viscosas do que as gorduras poli-insaturadas, devido à menor quantidade de ligações duplas. Por este motivo também, as gorduras saturadas são sólidas em temperatura ambiente, pois não apresentam nenhuma dupla ligação.

O ácido oleico é um dos principais representantes do grupo das gorduras monoinsaturadas, participando de diversas funções do metabolismo, incluindo o processo de síntese de hormônios. Os principais alimentos que contêm gorduras monoinsaturadas são o azeite de oliva, o óleo de canola, o óleo de girassol, o óleo de palma, óleo de gergelim, além de outros alimentos com o bacalhau, o abacate, o amendoim e alguns tipos de nozes.

Muitos pesquisadores questionam se a gordura monoinsaturada faz mal para a saúde. A princípio, estudos mostram que esta gordura participa de inúmeras funções no organismo, auxiliando na manutenção da integridade das membranas celulares, possuindo ação antioxidante (o que contribui para a redução da ação dos radicais livres e a prevenção do envelhecimento precoce), além de auxiliar no aumento do colesterol bom (HDL) e na redução do colesterol ruim (LDL).

As gorduras monoinsaturadas também ajudam a melhorar a absorção do cálcio nos ossos, deixando os mesmos mais densos, reduzindo os riscos de desenvolvimento de doença como a osteoporose. Estas gorduras também podem ter impacto na redução do risco de doenças cardíacas, além de existirem estudos que mostram que estas gorduras podem ajudar também na prevenção dos diversos tipos de câncer.

No entanto, algumas pesquisas mostram que a gordura monoinsaturada faz mal ao organismo quando é consumida em excesso na alimentação. Os alimentos ricos em gordura monoinsaturada são bastante calóricos e o consumo elevado dos mesmos pode contribuir para o aumento dos índices de excesso de peso e de obesidade. Além disso, quando há um aumento considerável do peso, podem ocorrer outros problemas de saúde que podem impactar de forma negativa no organismo.

Portanto, a gordura monoinsaturada faz mal somente quando é consumida em doses acima do recomendado, podendo trazer benefícios à saúde se estiver presente na dieta com moderação. Embora não exista uma IDR (Ingestão Diária Recomendada) para as gorduras monoinsaturadas, especialistas recomendam uma ingestão entre 20% e 35% das calorias diárias provenientes de gorduras. Vale lembrar que este valor pode ser alterado de acordo com as orientações médicas e de acordo com a saúde de cada paciente.

Conclusão

Uma dieta equilibrada e adequada é essencial para a manutenção da saúde e também para ajudar na prevenção de doenças. Quando a alimentação é rica em gorduras saturadas e em colesterol, ela pode aumentar a incidência de doenças cardiovasculares, representando uma das maiores causadas de morte no mundo atualmente.

Muitas pessoas questionam se todos os tipos de gorduras são prejudiciais à saúde e se a gordura monoinsaturada faz mal para o organismo. Infelizmente, alguns tipos de gorduras podem de fato causar muitos prejuízos à saúde, mas a gordura monoinsaturada pode também trazer benefícios diversos se consumida sem excesso.

Fontes e Referências Adicionais: 

Você já imaginava que a gordura monoinsaturada faz mal quando consumida em excesso, certo? Mas sabia que ela pode trazer importantes benefícios se consumida em moderação? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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3 comentários em “Gordura Monoinsaturada Faz Mal? O Que é e Alimentos Que Contêm”

  1. Parabéns, doc! Excelente abordagem e clareza nas palavras, para mim que sou leigo na Biologia e na Química, consegui entender tudo da melhor maneira que todos os outros textos desse assunto.

    Minha dúvida é de como classificamos como antioxidante o Azeite de Oliva, se no caso das gorduras poli-insaturadas presentes no Azeite, “elas atuam como liberadores de radicais livres pelo seu alto poder de oxidação?”

    Essa última frase destacada eu li em outro artigo que me confundiu.

    Sá mono são Antioxidantes e as poli são Oxidantes? É isso?

    O que são e onde entram os radicais livres?

    Muito obrigado! Parabéns mais uma vez!

  2. É importante em qualquer análise alimentar, sempre observar o processo digestivo, a reação dos ácidos do suco gástrico com o cloreto de sódio, produz os cloridratos responsáveis pela quebra das moléculas das gorduras “animais” e não das gorduras vegetais. Quanto aos óleos, não existe óleo “de” CANOLA {Can(adian) + o(il) + l(ow) + a(cid)}, mas sim, o óleo extraído da colza cultivada com baixo teor de ácido erúcico, altamente tóxico; por isso, ao se referir ao óleo “de” colza, deve-se grafar: óleo CANOLA! Nenhum óleo industrialmente processado é saudável para a alimentação!

    • Bom dia, Jorge!

      Obrigado por trazer mais conteúdo. Pode me tirar uma dúvida?

      O que você diria sobre “processamento industrial dos óleos”, nesse caso vegetais?

      Qual parte do processo mecânico de extração do óleo da Azeitona pode atrapalhar na manutenção das propriedades naturais?

      E de que maneira poderíamos extrair óleos vegetais sem perder as propriedades? Existe algum método laboratorial, natural, ou apenas ingerindo o material in natura?

      Obrigado pela gentileza e compartilhamento.