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Digestão Lenta – Causas e O Que Fazer

A digestão lenta é uma preocupação que acomete muitas pessoas, desencadeando certos desconfortos, prejudicando a qualidade de vida ou até mesmo propiciando o aumento de peso. Confira as possíveis causas associadas a essa condição e o que fazer para driblá-la.

Para muitas pessoas, a digestão lenta pode ser um problema associado a fatores como o tipo de dieta que o indivíduo é adepto, às substâncias que ele costuma consumir e até mesmo a falta de atividades físicas ou baixo consumo de água. Em outros casos, isso pode ser um problema patológico.

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Confira abaixo o que você precisa saber para melhorar sua digestão. Aproveite para conferir também os melhores remédios caseiros para má digestão e veja quais são os melhores chás digestivos para ajudar no seu tratamento.

Causas de digestão lenta

De maneira geral, a digestão lenta pode ser desencadeada por certos hábitos ou se manifestar em decorrência de gastroparesia. Conheça as possíveis causas que podem levar ao surgimento desse quadro:

– Gastroparesia

Quando uma pessoa se alimenta, o sistema digestivo é acionado e começa a trabalhar iniciando uma série de contrações musculares que ajudam a mover os alimentos digeridos pelo trato gastrointestinal.

No entanto, quando uma pessoa possui gastroparesia, uma complicação que faz com que haja atraso no esvaziamento do estômago, esses músculos não funcionam adequadamente, pois eles trabalham de maneira mais lenta do que o normal, retardando o processo de digestão.

As contrações musculares dependem das ações de vários nervos e células do corpo, mas uma das relações mais importantes nessa cadeia é com um nervo chamado nervo vago. De acordo com um estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry, em 2018, o nervo vago é altamente responsável por transportar vários sinais e mensagens do cérebro para o intestino e vice-versa.

Essa linha de comunicação faz do nervo vago um componente vital no controle dos músculos do estômago e do intestino delgado. Se o nervo vago estiver danificado ou parar de funcionar corretamente por algum motivo, a digestão diminuirá ou poderá até mesmo parar completamente.

– Diabetes

A diabetes é uma doença crônica identificada como um fator desencadeante para digestão lenta. Uma das complicações mais comuns relacionadas à diabetes é o dano nervoso que a doença pode provocar. Essa condição é conhecida como neuropatia diabética.

De acordo com a American Diabetes Association, quase metade de todas as pessoas com diabetes tem algum tipo de dano nos nervos, o que pode desencadear quadros de gastroparesia.

A neuropatia diabética pode afetar qualquer nervo do corpo, mas se afetar o nervo vago, pode causar lentidão no sistema digestivo. Quando a neuropatia diabética afeta o sistema digestivo, bem como os nervos de qualquer outro sistema corporal, é classificada como neuropatia autonômica. Além de retardar a digestão, esse quadro também pode afetar o controle da bexiga e a função erétil nos homens diabéticos.

– Problemas de tireoide

A glândula tireoide é responsável por liberar hormônios que afetam a maneira como as células funcionam em todo o corpo. Quando ela não está funcionando adequadamente, essa liberação de hormônios pode ser excessiva ou deficiente, resultando, respectivamente, em hiper ou hipotireoidismo.

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Uma das consequências desse quadro é que o metabolismo e a digestão passam a ser prejudicados, pois esses hormônios estão envolvidos nesses processos.

Quando os níveis hormonais são altos, a motilidade intestinal aumenta e o revestimento do intestino pode expelir mais líquidos, resultando em sintomas como a digestão lenta, além de diarreia, aumento de apetite e má absorção de gordura.

– Certos medicamentos

Há alguns tipos de medicamentos que, ao agirem no corpo humano, objetivando conter certas doenças, desencadeiam outros sintomas como efeito colateral.

Anti-inflamatórios, antibióticos, antidepressivos e remédios narcóticos podem desencadear algumas complicações gastrointestinais, dentre elas, a digestão lenta.

Na maioria dos casos essa condição passa rapidamente. No entanto, quando ela persiste, você pode procurar seu médico para administrar, em conjunto, outros medicamentos para evitar esse sintoma.

– Álcool

O consumo frequente de álcool está associado a complicações do trato gastrointestinal.

Depois de beber, não é raro que o indivíduo fique com dores de estômago. Além disso, a digestão lenta é um dos possíveis efeitos colaterais do consumo alcoólico. O caso é ainda mais acentuado após a ingestão de bebidas destiladas, pois danificam ainda mais a parede estomacal.

Outras causas comuns

Além das possíveis causas mencionadas acima, há outros fatores que podem desencadear a sensação de digestão lenta. Dentre eles, podem-se destacar os seguintes:

  • Comer mais do eu está habituado;
  • Comer muito rápido;
  • Consumo de alimentos gordurosos ou picantes;
  • Consumo excessivo de chocolate ou refrigerante;
  • Tabagismo;
  • Câncer de estômago;
  • Traumas emocionais;
  • Nervosismo;
  • Obesidade;
  • Pancreatite;
  • Cálculos biliares;
  • Gastrite;
  • Hérnia de hiato;
  • Infecções, principalmente as que são causadas por Helicobacter pylori;
  • Úlceras pépticas.

Sintomas de má digestão (dispepsia)

A dispepsia pode presentar outros sintomas além da digestão lenta e a sensação prolongada de saciedade, que incluem:

  • Náusea;
  • Dor ou desconforto na região estomacal/abdominal;
  • Inchaço;
  • Em casos mais raros, a dispepsia recorrente pode ser um sintoma de câncer no estômago.

Dispepsia leve raramente deverá ser motivo de preocupação. Nesses casos, remédios antiácidos são suficientes para atenuar ou eliminar os sintomas. No entanto, quando o quadro é recorrente e persiste por mais de duas semanas, então é necessário consultar um gastroenterologista.

Você ainda deverá procurar por ajuda médica quando, associado à digestão lenta, você perceber que está com perda de apetite ou perda de peso, vômito, dificuldade em engolir, coloração amarela nos olhos e na pele, dores no peito e falta de ar.

Azia e dispepsia são muitas vezes confundidas uma com a outra, mas são duas condições distintas, apesar de poderem ocorrer ao mesmo tempo. Azia é um sintoma de refluxo ácido, ou seja, promove a sensação de queimação no abdômen após alguma refeição.

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Como melhorar a digestão lenta

Se o seu problema não for patológico, então você poderá recorrer à adoção de alguns hábitos que ajudarão a melhorar a digestão do seu organismo. Confira:

1. Consuma mais fibra

Quase todas as pessoas sabem que o consumo de fibra é benéfico para o sistema digestivo. A explicação para esse fenômeno está associada ao fato de que a fibra solúvel absorve a água e ajuda a adicionar volume ao bolo fecal.

Dessa maneira, a fibra irá ajudar a manter o trato digestivo em movimento e, portanto, funcionando adequadamente.

Alimentos como aveia, nozes, grãos integrais, vegetais e farelo de trigo são ricas fontes de fibras solúveis. Os prebióticos também são fontes de fibra alimentar que, nesses casos, alimentam as bactérias saudáveis presentes no intestino. As dietas ricas em fibras diminuem as chances de doenças intestinais de caráter inflamatório. É possível encontrar prebióticos em grãos, frutas e vegetais.

Além disso, em uma pesquisa publicada na revista Nutrition Reviews, de Oxford, foi possível constatar que uma dieta rica em fibras tem sido associada à diminuição de riscos de desenvolvimento de problemas digestivos, incluindo úlceras, refluxo, hemorroidas e diverticulite.

2. Mantenha-se Hidratado

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a baixa ingestão de água é um dos principais fatores associados à constipação. Recomenda-se o consumo de cerca de 2 litros de água por dia para evitar esse quadro. No entanto essa quantidade deve ser aumentada se você viver em um lugar de clima quente ou se praticar exercícios físicos frequentemente.

Além da água, você também pode aumentar a ingestão de líquidos com chás ou outras bebidas não-cafeinadas, como água com gás e sucos naturais.

Outra maneira de ajudar a atender às suas necessidades de ingestão de líquidos é incluir frutas e vegetais com alto teor de água. Melancia, pepino, laranja e tomate são algumas opções de alimentos constituídos em grande parte por água.

3. Consuma gorduras saudáveis

Normalmente associamos à gordura diversos malefícios como colesterol alto, hipertensão e outras complicações cardiovasculares. No entanto, existem gorduras que são saudáveis e necessárias à manutenção de diversas funções do organismo, inclusive do sistema digestivo, pois ajudará o indivíduo a se sentir satisfeito e absorver a quantidade adequada de nutrientes.

Além disso, estudos mostraram que os ácidos graxos ômega-3 podem diminuir o risco de desenvolver doenças inflamatórias intestinais, como colite ulcerativa. Essa substância pode ser encontrada em alguns peixes como salmão, atum, sardinha e cavala, além de oleaginosas – principalmente nozes, e sementes como chia e linhaça.

4. Pratique exercícios físicos

A prática recorrente de exercícios físicos ajuda a promover o trânsito digestivo. Dessa maneira, fazer uma caminhada ou até mesmo um passeio a pé após uma refeição pode ser uma boa opção para auxiliar no processo de digestão.

Conforme a British Society of Gastroenterology, a prática de exercícios moderados, como andar de bicicleta, caminhar ou correr aumentam o tempo de trânsito intestinal em quase 30%.

Além disso, estudos sugerem que o exercício pode reduzir os sintomas de doenças inflamatórias intestinais devido à diminuição de compostos inflamatórios que o corpo é submetido durante a prática esportiva.

5. Opte por comida saudável

O cardápio ocidental é basicamente constituído por carboidratos refinados, gordura saturada e alguns aditivos. Ele vem sendo associado ao aumento de risco de desenvolvimento de distúrbios digestivos. Para contornar essa situação, o uso de aditivos – sal, açúcar refinado e temperos industrializados ricos em sódio – deve ser minimizado, pois o consumo excessivo dessas substâncias pode levar a uma condição chamada intestino permeável.

Já as gorduras trans são encontradas em muitos alimentos processados, e os efeitos nocivos que podem causar à saúde cardiovascular são conhecidos. No entanto, de acordo com a British Society of Gastroenterology, a ingestão em excesso de gordura trans também foi associada a um risco aumentado de desenvolver colite ulcerosa, uma doença intestinal de ordem inflamatória.

Além disso, alimentos processados, como bebidas com baixa caloria e sorvetes, geralmente contêm adoçantes artificiais, o que pode causar problemas digestivos.

Para evitar essas complicações e proporcionar um ambiente propício à boa digestão, opte por alimentos não-processados e integrais quando possível, além de manter o consumo regular de água.

Fontes e Referências adicionais:

Você já conhecia as causas da digestão lenta? Sofre com isso e já foi diagnosticada alguma condição? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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